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O que minha experiência transgênera me ensinou sobre liderança

experiênciaPassei muitos anos à frente da área de tecnologia como um homem. Agora eu lidero na pele de uma mulher. A minha experiência como transgênera me deu uma nova perspectiva sobre muitos aspectos da vida, tanto pessoais quanto profissionais, e também encontrei surpresas: na minha transição para uma mulher, aprendi como ser uma líder melhor. 

Ao longo da minha carreira em tecnologia, empreendi e desempenhei funções de liderança em startups, incluindo muitas do Vale do Silício. Também trabalhei para empresas Fortune 1000 e gerenciei divisões internacionais com mais de 500 funcionários. Em cada função, minha especialidade era ser um tradutor, uma ponte entre a tecnologia e o negócio. Descobrir o que nossos clientes precisam e uma maneira de entregá-los.

Interpretar minhas próprias necessidades tornou-se muito mais difícil. Quando comecei minha jornada de transição, há cinco anos, ela veio com grandes custos pessoais. Meu casamento acabou, perdi amigos e vivi momentos desafiadores com meus irmãos. Minha mãe de 91 anos ainda sofre e me pede continuamente para explicar o que é “esta coisa de transgênero”.

Mudanças físicas levam a mudanças de liderança

Profissionalmente, minha transição física foi facilitada tanto pelo apoio dos colegas como pela mudança repentina para o trabalho remoto. Eu compartilhei a notícia com meus colegas de trabalho em janeiro, o que significou que minha aparência começou a mudar conforme a mudança para o trabalho remoto estava quebrando padrões estabelecidos. Nossas novas experiências compartilhadas – lutando para cuidar de crianças, perdendo alguém para a COVID – levaram a um ambiente de menos formalidade e mais conexão humana. E como somos todos apenas pedaços de um mosaico em uma tela, têm sido mais fácil para os colegas de trabalho absorverem as mudanças lentas em minha aparência, à medida que eu trabalho minha nova marca pessoal.

Meu estilo de liderança também está mudando. Como homem, eu era o líder que todos esperavam que eu fosse. Criei um estilo de comunicação que era tradicionalmente masculino. Eu podia discutir com as pessoas. Eu podia interromper conversas. Vivi no mundo de um homem e experimentei privilégios masculinos, e minha carreira foi beneficiada por isso.

No entanto, meu estilo de gestão natural é mais intuitivo e colaborativo. Eu gosto de fazer perguntas aos outros e cultivar suas opiniões, e isso foi muitas vezes visto como fraqueza. Tive que decidir entre fingir ser alguém que eu não era ou ser visto como alguém que não se encaixava. Por mais de 20 anos, tomei o caminho de menor resistência.

Agora, tanto pessoal quanto profissionalmente, não sigo mais um caminho padrão. A beleza de ser despedaçado em um milhão de pedaços é que eu posso decidir como me recompor. Tenho a liberdade de conectar os pontos por mim mesma, e de pensar no que ofereço de valioso para o local de trabalho. Minha autenticidade é parte fundamental disso, assim como minha vontade de aparecer de uma forma vulnerável.

Navegando minha carreira de uma maneira inovadora

Agora tenho um assento na primeira fila e consigo enxergar claramente como nossas ideias estão enraizadas no gênero. Possuo os mesmos conhecimentos, talentos e habilidades que sempre tive, mas as pessoas me percebem de forma diferente agora que minha apresentação de gênero é como mulher. Nas reuniões, eles estão menos aptos a ouvir o que eu digo ou a fazer uma pausa para que eu possa falar. Eu poderia escolher interromper as conversas e insistir agressivamente em ser ouvida, mas esse não é o meu estilo natural. Eu escolhi encontrar uma abordagem de liderança mais autêntica e silenciosa.

Quando liderava como homem, eu sentia pressão para confiar principalmente na lógica. Ser emotivo era visto como algo anômalo, algo que “os homens não faziam”. Minha transição me deu permissão não só para sentir mais, mas também para falar sobre sentimentos e permitir que outros façam o mesmo.

Meu pensamento sempre foi de que se alguém se expressa emocionalmente, provavelmente está a caminho de chegar a um lugar lógico. Agora eu tenho a flexibilidade de perguntar aos membros da equipe: “Por que você se sente assim?” “Você parece ansioso. Qual é o seu medo?” ou, “O que sua intuição lhe diz?” Isso me ajuda a entender, como líder, onde as pessoas estão e para onde elas precisam ir.

Enquanto eu costumava ter medo de expressar minha vulnerabilidade, aprendi que ela é um presente que posso compartilhar com os outros. Isso permite que eu me conecte com pessoas de maneiras que eu nunca experimentei antes.

Apoiando um novo estilo de liderança

O custo profissional de abraçar este estilo de liderança ainda é desconhecido. Muitas vezes há um turbilhão competitivo do qual não faço parte porque sou diferente, e embora possa haver uma certa força nisso, ainda estou tentando descobrir o que isso significa. Minha carreira vai avançar com este estilo de liderança? Ou serei vista como uma pessoa que é legal, mas que não tem o que é preciso para fazer o trabalho?

A verdade é que os principais atributos de liderança transcendem o gênero. Os melhores líderes utilizam seu estilo natural e autêntico de liderança – e as organizações de apoio lhes dão a flexibilidade para liderar da forma que os torna mais eficazes. Eles incentivam a diversidade de estilo e acolhem a experimentação. Eles adotam formas ágeis de pensar que incentivam novas abordagens. Isso pode ser tão simples quanto apoiar a rotação de um membro da equipe para outro projeto ou para uma função diferente. Criar uma comunidade de apoio também é essencial – sem a amizade e o apoio emocional que recebi por meio da Embrace, a comunidade da Cognizant para associados e aliados LGBTQ+, eu não teria sido capaz de concluir minha transição.

Às vezes penso no líder que eu fui como um homem. Penso na luta e dor que tinha. Se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu teria seguido meu coração e provavelmente teria liderado de uma forma mais eficaz.

Para mim, essa perspectiva foi conquistada com dificuldade – e ainda estou aprendendo sobre a melhor maneira de liderar. Mas tem algo de que tenho certeza: ao se permitir a liberdade de abraçar seu verdadeiro eu, você pode ficar surpreso com o que vai encontrar.


Dana Anderson
é Diretora Sênior de Serviços de Consultoria de Internet das Coisas na Cognizant

Contexto Livre é uma coluna rotativa, de assuntos diversos escrita por pessoas bacanas que tenham algo legal e inspirador pra compartilhar.

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