BNDES lança chamada pública de até R$ 120 milhões para recuperação de bacias hidrográficas

Foto: Agência Brasil

Iniciativa busca ampliar a segurança hídrica de grandes centros urbanos e financiar projetos de restauração ambiental em áreas estratégicas do país

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou uma chamada pública que poderá destinar até R$ 120 milhões para projetos voltados à recuperação de bacias hidrográficas e ao fortalecimento da segurança hídrica em regiões consideradas críticas para o abastecimento de água no Brasil.

Do total previsto, R$ 60 milhões serão aportados pelo próprio BNDES, enquanto os outros R$ 60 milhões deverão ser viabilizados por parceiros públicos ou privados que aderirem à iniciativa.

A proposta busca apoiar ações de restauração ambiental em áreas estratégicas para o abastecimento de grandes centros urbanos, contribuindo para o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas e da crescente pressão sobre os recursos hídricos.

Segurança hídrica entra na agenda climática

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o país precisa acelerar investimentos voltados à adaptação climática diante da perspectiva de redução da disponibilidade de água em diversas regiões brasileiras.

“Ao restaurar nascentes, matas ciliares e bacias hidrográficas que abastecem as grandes metrópoles, estamos investindo em resiliência e adaptação climática e garantindo segurança hídrica para milhões de brasileiros”, afirmou.

Mercadante destacou ainda que a iniciativa está alinhada à estratégia do governo federal de ampliar ações de proteção ambiental associadas à melhoria das condições de vida da população.

Quais regiões poderão receber investimentos

A chamada pública contempla projetos localizados em áreas que exercem influência direta sobre sistemas de abastecimento hídrico de importantes centros urbanos do país.

Entre as regiões prioritárias estão:

  • Região Metropolitana de São Paulo;
  • Baixada Santista;
  • Região Metropolitana do Rio de Janeiro;
  • Distrito Federal e entorno;
  • Fortaleza (CE);
  • Cuiabá (MT);
  • Porto Velho (RO);
  • Rio Branco (AC).

Também poderão ser contempladas iniciativas localizadas em bacias hidrográficas que contribuam para o abastecimento dessas localidades.

A definição das áreas prioritárias considera estudos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que identificou municípios com risco elevado de desabastecimento, mananciais impactados por poluição e bacias hidrográficas em situação de alerta.

Projetos devem prever recuperação ambiental

Os projetos selecionados deverão prever investimentos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões e terão prazo máximo de execução de 48 meses.

Entre as exigências da chamada está a realização obrigatória de ações de restauração ecológica ou produtiva com vegetação nativa, especialmente em:

  • nascentes;
  • margens de rios;
  • áreas degradadas;
  • regiões estratégicas para conservação dos recursos hídricos.

O objetivo é ampliar a proteção dos mananciais, melhorar a qualidade da água e fortalecer a capacidade de retenção hídrica das bacias.

Áreas protegidas e comunidades tradicionais poderão participar

De acordo com o BNDES, os projetos poderão ser desenvolvidos em diferentes tipos de territórios, incluindo:

  • Unidades de Conservação (UCs);
  • Áreas de Preservação Permanente (APPs);
  • Reservas Legais (RLs);
  • assentamentos da reforma agrária;
  • terras indígenas;
  • territórios quilombolas;
  • comunidades tradicionais;
  • áreas públicas urbanas.

A proposta busca combinar recuperação ambiental, inclusão social e fortalecimento das economias locais.

Quem pode participar

A chamada pública é destinada a pessoas jurídicas sem fins lucrativos e instituições públicas federais e estaduais.

Poderão apresentar propostas:

  • fundações;
  • associações;
  • organizações da sociedade civil;
  • instituições públicas.

Também será permitida a apresentação de projetos em rede, envolvendo duas ou mais organizações parceiras.

Critérios de seleção

Os projetos serão avaliados com base em critérios técnicos e ambientais definidos pelo BNDES.

Entre os principais critérios estão:

  • alinhamento às políticas públicas ambientais;
  • impacto positivo sobre a biodiversidade;
  • capacidade técnica da instituição proponente;
  • qualidade da proposta apresentada;
  • volume de contrapartida financeira;
  • potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa;
  • contribuição para a recuperação da qualidade da água.

Prazo para apresentação das propostas

As organizações interessadas terão prazo de 90 dias para apresentar seus projetos.

A comissão responsável pela seleção será formada por representantes do:

  • BNDES;
  • Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA);
  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama);
  • Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio);
  • instituições apoiadoras da iniciativa.

A expectativa é que os recursos contribuam para ampliar a proteção dos mananciais que abastecem milhões de brasileiros e fortaleçam a adaptação das cidades aos efeitos das mudanças climáticas.