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Uma outra ‘sessão da tarde’

Na última semana aconteceu uma ‘sessão da tarde’ diferente. Sem pipoca ou risos. A presença de Eduardo Pazuello no Senado foi longa. A sessão temática durou cerca de cinco horas. 

Divididos em blocos, 29 senadores inscritos tiveram a chance de perguntar ao ministro da Saúde: cadê a vacina? E a cloroquina? Oxigênio? A nova cepa?

Em cinco horas de tantas falas é possível destacar algumas. 

A vacinação contra a covid-19 será feita até o fim deste ano. Ando descrente dessas promessas e não é difícil de entender o motivo. 

A Fiocruz deve entregar o primeiro lote de vacinas produzido no país até o dia 19 de março. O Butantan segue a fabricação. Contudo, ainda seguimos com um número baixo de doses. 

Basta ver alguns números do que já existe. Somos 212 milhões, certo? Por enquanto, o Butantan entregou ao Ministério da Saúde 9,8 milhões de vacinas e a Fiocruz importou 2 milhões de doses da Oxford/Astrazenca. 

No mundo das ideias, até abril, o Butantan terá entregue 46 milhões de doses, a Fiocruz tem uma previsão de 100 milhões. Adicione as 5 milhões de doses da Covaxin, outras da Covax e não se esqueça da Sputinik.

Com isto, é preciso se manter vigilante, seguir as orientações das autoridades de saúde, não dá para pensar em Carnaval, festa ou aglomeração. Não se pode esquecer também que é preciso seguir de olho nas promessas de ministros, presidentes, governadores e até mesmo os prefeitos. 2022 vem aí. 

Esclarecendo a polêmica?

Pazuello foi questionado sobre o vídeo em que Jair Bolsonaro afirma que não compraria a vacina da ‘China’. Veja a resposta de Pazuello:

Chegou ao Presidente que nós estaríamos comprando 6 milhões de vacinas importadas sem registro. E foi isso que o Presidente rapidamente questionou, posicionando-se contra. Naquelas duas semanas seguintes foi apresentado ao Presidente que nós não compraríamos nenhuma vacina, nem fabricada, nem importada, sem o posicionamento prévio da Anvisa. E, a partir daí, ele foi para as redes sociais e colocou claramente que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, compraria e comprará todas as vacinas disponíveis, independentemente de onde venham, desde que atestadas sua segurança e eficácia pela Anvisa. O.k.?

Você está convencido de que foi isso mesmo? Como seria possível a compra e o uso de uma vacina não autorizada?

Esse é mais um capítulo da ‘briga’ entre Governo de São Paulo e Governo Federal. Infelizmente, eu entendo que as pessoas, os brasileiros, que os dois lados dizem defender tanto estão perdendo.

Dimas Covas, diretor do Butantan, disse na coletiva do início da vacinação que a distribuição de doses poderia ter começado antes. Não é possível prever quantas vidas ou quantas internações poderíamos ter evitado.

O inimigo é um só, eles dizem, mas a politização da pandemia cria novos inimigos e aumentam os efeitos colaterais. 

Isolamento vertical

Como eu disse na última semana, o governo de Jair Bolsonaro saiu vitorioso nas eleições do Senado e da Câmara. Mas e aí, já é possível apontar algumas vitórias do presidente?

Eu aproveito para destacar uma mudança que reflete o que Bolsonaro defendeu no início da pandemia. Lembra do debate do isolamento vertical? 

Funcionava assim: isola os grupos de risco e libera as pessoas para retornar às atividades presenciais. A minha impressão é que estamos fazendo isso ao vacinar os grupos de risco e liberar o chamado novo normal.

Mas onde isto acontece?
Na Câmara e no Senado. 

Os trabalhos voltaram a ser presenciais, ou melhor, semi-presenciais. 

Antes, as votações e as atividades eram remotas, e agora, parte dos servidores, terceirizados e pessoas que trabalham nos gabinetes estão presentes nos corredores da Câmara e do Senado. Veja o vídeo da reunião da Comissão do Orçamento, as salas de comissão não tem janela.

Mas teve aumento de casos?
Teve.

Até sexta-feira (12), foram registrados pelo menos 35 casos de covid-19 entre os trabalhadores e servidores da Câmara. Mas existe um número que é impossível mensurar: quantas pessoas estas 35 podem ter contaminado fora da Casa?

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