Pesquisa busca entender mudança de comportamento nos investidores de startups

 

Créditos: Débora Brito/Agência Brasil

Momento é propício para investimento, mas especialistas alertam para mudanças significativas no mercado depois do ano de 2020

O ano de 2020 foi decisivo para as organizações. O “novo normal” já obriga as empresas a se reinventarem e a se ajustar a um mercado que passou por transformações consideráveis. As corporações se viram forçadas a mudar a forma de negociar e investir devido a forte estabilidade do setor. Para entender o comportamento que os investidores de startups tiveram este ano, a Comunidade Anjos e VCs da JUPTER realizou um estudo para apresentar o Mapa e as Rotas de Investidores de Startups no Brasil.

O principal objetivo da pesquisa realizada entre os meses de janeiro e dezembro de 2020, foi mapear os investidores da Comunidade de Investidores Anjos & VCs. O grupo conseguiu identificar de que forma estes polos investem e como as startups captam recursos, incluindo os investimentos mínimos, médios e máximos, organizados por rodadas de preferência e divididos em grupos de aceleração.

Créditos: Wellton Máximo/Agência Brasil

“Nos últimos anos, o número de investidores cresceu, antes eram cinco mil e hoje temos mais de oito mil pessoas. Proporcionalmente ao tamanho do nosso PIB e da nossa população, eles ainda são raros no Brasil. Todos os dias melhoramos este relatório, todos os dias existem dados novos. É muito bom ver que o Brasil tem um ecossistema super dinâmico de investidores e a gente foi capaz de agir muito rápido na crise deste ano”, afirma Bruno Dequech Ceschin, líder da pesquisa e cofundador da JUPTER, plataforma para encontrar, financiar e lançar as startups que estão construindo o futuro.

Aproximadamente 128 investidores participaram da pesquisa. Através de um questionário com perguntas de múltiplas respostas, o resultado revelou que 88,3% dos players (como são conhecidos os investidores) estão ativos para aplicar dinheiro em novas startups, 70,3% já investem e geram portfólio, 28,9% estão em processo de estruturação de novos fundos e 13,3% estão ativos para novos investimentos.

Em contrapartida, 16,4% estão desinvestindo e 1,6% se encontram inativos para novos investimentos. De acordo com os dados, 37 novos fundos de investimentos vêm sendo estruturados atualmente no país, fato que deverá alterar de forma definitiva o ambiente competitivo brasileiro.

“Uma das tendências de investimentos para os próximos meses é que os investidores especialistas ganhem mais espaço, amadurecendo o mercado, com financiamento de startups de segmentos específicos, como fintechs, agtechs, educação, construção civil e mercado imobiliário, healthtech, entre outros. O Brasil tem pelo menos R$ 5 bilhões declarados pelos nossos investidores que estão compromentidos e em busca de oportunidades para serem investidos em novas startups”, explica Ceschin, que também ressalta o amadurecimento da experiência dos investidores generalistas, que investem em diversos tipos de segmentos de negócios, já tendo participado de milhares de rodadas de investimentos combinados.

“Bons investidores generalistas atuam como uma plataforma ampla que proveem recursos financeiros, mas também vantagens competitivas que todas as startups investidas precisam, permitindo que os especialistas agreguem algo mais específico nelas, numa relação de co-investimento muito sinérgica que potencializa os resultados para todos”, disse Ceschin.

Por que investir em startups?

Foto: Wellton Máximo/Agência Brasil

Segundo as informações captadas pela JUPTER, o momento é propício para que investidores tomem risco, principalmente em razão da taxa SELIC que se encontra na faixa dos 2% ao ano. Durante muito tempo, os juros oferecidos pelo Tesouro Direto desestimulavam os players que tinham a intenção de investir em startups, pois ofertavam ganhos de dinheiro por conta da alta dos juros.

“O Brasil já tem unicórnios, fusões e aquisições, tem IPOs frequentes nas Bolsas de Valores, tem empresas de tecnologia que foram criadas há muito pouco tempo e já valem muito no mercado – isso derruba o mito de que o investidor não terá saídas. A opcionalidade para o investidor sair com sucesso da sua jornada é cada vez maior”, comentou o líder da pesquisa.

O cofundador da JUPTER declarou que os players sentem muitas dificuldade hora de se aprofundar sobre o assunto. Não existem muitos materiais de estudo disponíveis e as redes de conhecimentos são restritas, além de ser uma atividade solitária, pois há a possibilidade de um investidor compartilhar casos com outras pessoas.

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