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Pesquisa indica relação entre locais com alta incidência de Dengue e Covid-19

Pesquisa constata relação entre as duas doenças em algumas regiões urbanas de Presidente Prudente

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Dr. Edilson Flores, Elaine Bertacco, Charlene Troiani, Dr. Euribel e Rodrigo Ferro. Foto: Homéro Ferreira

O estado de São Paulo, infelizmente, lidera no número de casos e óbitos de Covid-19 no país e também, aparece entre os principais locais quando se fala de dengue no Brasil. Sendo assim, pesquisadores da Universidade Oeste Paulista conduziram uma pesquisa, publicada na Tropical Medicine and Infectious Diseases (Medicina Tropical e Doenças Infecciosas), que constatou que os locais de maior incidência de dengue também são os da Covid-19, em algumas regiões urbanas de Presidente Prudente, São Paulo. 

O coordenador da pesquisa, o  médico infectologista Dr. Luiz Euribel Prestes Carneiro pontua que a coinfecção pelos vírus das duas doenças é um grave problema de saúde pública, gerador de colapso na demanda por leitos hospitalares, especialmente por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para os pesquisadores, a constatação local é um indicativo de ocorrência da mesma situação em países endêmicos para a dengue como é o Brasil. No ano passado, de acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o país registrou maiores ocorrências nas regiões sul, Paraná; sudeste, São Paulo; e centro-oeste, Mato Grosso do Sul; Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Por ter conexões e ser uma rota para o Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Presidente Prudente ganhou a atenção dos pesquisadores no estudo. Vale lembrar que o mosquito palha é o vetor de transmissão da dengue, sendo encontrado em regiões tropicais e subtropicais, podendo estar em espaços urbanos e semiurbanos.

Desafios para a saúde pública

A região oeste Paulista, que tem Presidente Prudente como a cidade mais populosa com mais de 230 mil habitantes, no ano passado, apresentou uma prevalência nos casos de dengue no estado de SP. Parte dos casos apareceu quando a pandemia da Covid-19 também estava surgindo na região. 

“As infecções de dengue e Covid-19 muitas vezes são difíceis de serem distinguidas, por possuírem sintomas em comum, tais como febre, dor de cabeça, náusea e vômitos, diarreia, cansaço e prostração”, pontua o pesquisador vinculado à Unoeste e que envolveu na pesquisa a Unesp e a Vigilância Epidemiológica Municipal (VEM).

Outro desafio para a saúde pública é distinguir as doenças, como relata o pesquisador, “além disso, as duas doenças podem acontecer ao mesmo tempo como coinfecção, dificultando ainda mais o diagnóstico”.

“A identificação de aglomerados espaciais simultâneos de dengue e Covid-19 associados a aspectos ambientais e socioeconômicos mostram as áreas vulneráveis da cidade (Presidente Prudente) e podem orientar as autoridades de saúde pública em intervenções intensivas para melhorar o diagnóstico, vigilância epidemiológica e a gestão de ambas as doenças” afirma o Dr. Euribel.

No período analisado pela pesquisa, em Prudente foram localizadas três regiões onde um grande número de pessoas com dengue também foram infectadas com Covid-19. Há ainda outro fato, o de que duas dessas regiões já haviam apresentado surtos de dengue e aumento de leishmaniose visceral canina em anos anteriores. Todas as regiões na periferia da cidade.  “No entanto, uma região endêmica para dengue está localizada próxima ao centro, onde não havia associação com aumento de Covid-19. Por outro lado, foram encontradas regiões com grande número de indivíduos infectados por Covid-19, sem o mesmo correspondente à infecção por dengue”, conta.

Bairros mais afetados

“Uma das observações mais importantes é que as regiões com aumento de casos de dengue estão relacionadas a fatores ambientais como fundo de vale, presença de depósitos de resíduos sólidos irregulares (lixões clandestinos), terrenos baldios e áreas não urbanizadas. As regiões em que houve associação entre dengue e Covid-19 foram os bairros da zona leste: Cambuci, Vila Aurélio, José Rota, Jardim Paraíso, Santa Mônica e Itapura II; na zona norte: Bela Vista, Santa Elisa, Cohab, São Geraldo e Jardim São Paulo; e o bairro Brasil Novo, na zona norte.

“A identificação de aglomerados espaciais simultâneos de dengue e Covid-19 associados a aspectos ambientais e socioeconômicos mostram as áreas vulneráveis da cidade e podem orientar as autoridades de saúde pública em intervenções intensivas para melhorar o diagnóstico, vigilância epidemiológica e a gestão de ambas as doenças”, explica sobre o trabalho de grande importância epidemiológica por apresentar no mesmo estudo um relato de caso e a análise espacial de Covid-19 no contexto de um surto de dengue.

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