Pesquisa do Sebrae indica os impactos da pandemia nos pequenos negócios

Pesquisa Sebrae e FGV
Pesquisa do Sebrae, realizada em parceria com a FGV, mostra que os empreendedores jovens estão mais antenados na transformação digital. No entanto, os mais velhos geram mais postos de trabalho e faturam mais

A crise econômica causada pela pandemia do coronavírus impactou todos os negócios. Para entender melhor como os empreendedores foram afetados, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizou a pesquisa:  “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”.

Foram entrevistados 10.384 empresários do setor, entre os dias 30 de abril e 5 de maio. A pesquisa dividiu os empreendedores em três grupos de acordo com faixa etária. Até 35 anos, de 36 a 55 anos e os com mais de 56 anos.

Todos os empreendedores viram o faturamento diminuir por conta das medidas tomada contra o coronavírus, como o fechamento do comércio. A queda dos ganho foi maior entre os mais velhos. De acordo com a pesquisa: “chegando a 71% de perda, onde houve queda. Onde houve acréscimo de receita, os negócios dirigidos pelo público mais jovem chegaram a alcançar 40% de aumento em relação a uma semana normal”.

O digital é mais real para o jovem

Os empresários mais jovens estão mais preparados para usar e implementar soluções digitais nos negócios, tão necessárias neste momento de pandemia. Esse grupo optou por realizar vendas online, e usaram as redes sociais como aliada.

De acordo com a pesquisa: “35% dos empreendedores com até 35 anos passaram a utilizar ferramentas digitais, tendência que se estendeu em diversos setores nos pequenos negócios, principalmente nesse período da crise.”

Presente no ecossistema de inovação do Distrito Federal (DF), Cristiane Pereira, diretora de Relacionamento do Espaço Multiplicidade, avalia: “acho que os mais velhos entendem ser necessário a digitalização, mas nem sempre entendem da tecnologia e não tem como implementar por isto”. Ela ainda acredita que esse grupo de empreendedores esbarram no abismo digital, por não usarem tanto a tecnologia, e na falta de investimento.

 

Cristiane Pereira entende que os mais velhos podem ter mais dificuldade com a tecnologia e o caminho seria a “união”

No entanto, existe um caminho e a solução para as empresas dirigidas pelos mais velhos pode estar na “união”. “Agora mais do que nunca os vizinhos precisam se unir. As compras precisam ser nas quadras, nas proximidades, e os condomínios (residenciais) podem apoiar nisto”, afirma Cristiane.

Nessa linha, Cristiane conta que está desenvolvendo um projeto de conexão de pessoas e negócios.  O projeto  #Hackacity Guará – Mutirão Cidade Inteligente, “onde pretendemos fazer uma jornada de mudança de “mindset” na sociedade guaraense, que também já tá ficando velha, mas que por ser classe média tem bastante conhecimento acumulado e pode gerar riquezas. Mas o comércio de lá é fraco. Então, precisamos fazer com que as pessoas se conheçam, se ajudem, os condomínios apoiem. Talvez um salão de festas ser transformado em escritório colaborativo”, sugere.

Comportamento Empreendedor

A pesquisa realizada pelo Sebrae e pela FGV pode dar a impressão de que a idade do empreendedor impacta diretamente no resultado alcançado pelas empresas. No entanto, vale destacar que: com o resultado do estudo é possível ter um perfil de cada grupo e quais pontos fortes de cada um.

Os jovens se lançaram no universo digital, seguiram trabalhando e apresentaram um aumento de faturamento. Já os mais velhos tiveram que fechar os negócios, pois 46% só funcionam presencialmente. Contudo, os seniores têm mais sucesso ao buscar um financiamento bancário. Eles também faturam mais do que os jovens.

Wankes Leandro destaca que o mindset é mais importante do que a idade do empreendedor

Wankes Leandro, diretor da Brasília School of Business e professor da FGV, IBMEC e ENAP, destaca que “não acredito que seja uma questão de idade e sim de mindset. Por exemplo, conheço pessoas muito jovens que estão detestando os cursos on-line e tem dificuldade de se adequar e interagir com ferramentas eletrônicas e digitalmente; bem como conheço pessoas idosas que se deram super bem e estão preferindo as interações digitais que agora “foram impostas” pelo contexto.”

Especialista em soft skills, Leandro destaca que “é um erro entender que um é ruim e outro é bom. A análise sempre deve ser contextual. Nesse sentido, podemos dizer que para o contexto atual, de rápidas mudanças e incertezas, o mindset de crescimento é o mais indicado

O conceito de “Mindset Fixo e de crescimento foi popularizado recentemente pela Carol Dweck, no seu livro ‘Mindset’. Basicamente, a pessoa com Mindset Fixo é aquela com aversão a mudança e aprender coisas novas; enquanto as Pessoas com Mindset de Crescimento são as pessoas que adoram desafios, mudanças e aprender coisas novas”, explica o diretor. 

Veja os principais resultados da pesquisa

– Entre os donos de pequenos negócios mais velhos, há uma proporção mais alta dos que fecharam temporariamente (51%);

– Entre os mais novos, há uma proporção mais alta dos que mudaram mais o funcionamento (45%);

– Os mais velhos tiveram mais negócios que não conseguem funcionar, pois só funcionam presencialmente (46%);

– Os mais novos passaram a utilizar mais ferramentas digitais (35%);

– Todas as faixas etárias tiveram diminuição de faturamento, mas a queda foi maior entre os mais velhos. Onde houve queda, a queda foi de -71%, nesse grupo dos mais velhos;

– Onde houve aumento de faturamento, foi maior entre os mais novos (+40%);

– Os mais novos têm 3,3 empregados, em média. Os mais velhos 3,7, em média;

– O grupo dos mais velhos conhecem mais a medida governamental de redução de jornada e salários. Mas foram os mais novos que mais utilizaram a redução de jornada e salário;

– Em geral, os mais velhos são os que mais costumam buscar e mais conseguem empréstimo bancário;

– Os mais novos precisam 21% a menos para manter o negócio sem fechar (R$11,6 mil contra R$ 14,6 mil entre os com 56 anos ou +);

– Entre os mais jovens, há maior proporção de mulheres (53%);

– Entre os mais velhos é alta a proporção de pessoas com baixa escolaridade (18% têm ensino médio incompleto ou menos);

– Os empreendedores mais novos têm negócios com 4,6 anos, em média. Os mais velhos 9,8 anos, em média;

– Já os mais novos faturam R$ 23,3 mil, em média. Os mais velhos faturam R$ 32,6 mil em média.

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