Mesmo com vacina, tuberculose ainda preocupa no país

tuberculose

1 de julho marca o dia da vacina BCG, que deve ser aplicada no primeiro mês de vida para proteger contra as formas graves da tuberculose

A tuberculose conta com uma vacina, que passou a ser obrigatória no país em 1976, mesmo assim, a doença atingiu em 2019 mais de 73 mil pessoas, de acordo com boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em março deste ano. Sendo assim, especialistas seguem recomendando a vacinação dos pequenos.

Os números do ano passado divulgados pelo Ministério da Saúde apontam uma queda quando se compara com 2018, foram registrados 75.717 contra os 73.864 mil casos de 2019. Ao olhar os dados dos últimos cinco anos, verifica-se um aumento de 6% na incidência da doença.

Farmacêutico Renato Antônio Campos Freire recomenda a vacina BCG para os recém-nascidos

“Pode não parecer, mas a tuberculose ainda está muito presente no Brasil. Por isso a BCG é tão importante e deve ser tomada logo após o nascimento. Muitas maternidades possuem convênios com o SUS, então os pais não podem deixá-la de lado, devem sair de lá com o bebê vacinado”, recomenda o farmacêutico hospitalar Renato Antônio Campos Freire.

Mundialmente, a tuberculose está entre as dez principais causas de morte no mundo: são 10 milhões de doentes por ano e mais de 1 milhão de óbitos.

A vacina da marquinha

A vacina BGC é facilmente reconhecida, afinal, ela deixa uma marquinha característica no braço. Ela protege dos tipos mais graves de tuberculose, como a miliar e a meníngea.

Em 1908, os cientistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin conseguiram isolar uma cepa do bacilo da tuberculose. A partir daí, foi possível produzir culturas vivas atenuadas a serem usadas como vacina. A cepa recebeu o nome de bacilo Calmette-Guérin, de onde surgiu o nome “BCG”. Foi aplicada pela primeira vez em crianças em 1921.

Existe uma crença popular que a cicatriz é a garantia da imunidade, mas Freire alerta que isso já foi desacreditado. “Está ultrapassado, em alguns casos a inflamação após a vacina não acontece, mas a pessoa está imunizada. Isso não quer dizer que não produziu anticorpos”. Alguns pais de primeira viagem se preocupam em como cuidar da inflamação que costuma acontecer quando se toma a BCG. Mas o especialista diz que é tudo muito simples. “Basta manter sempre limpo, lavar com água e sabão, de preferência líquido e infantil, e não esfregar de forma alguma”, alerta.

Também de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, no ano passado a vacina foi a única a alcançar a cobertura vacinal pretendida nos anos de 2017 e 2018 no Brasil, cuja meta era vacinar mais de 90% do público alvo e conseguiu cobertura de 96,41% em 2017 e de 96,09% em 2018.

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