Astrônomos encontram sinais de vida em Vênus

Crédito da Imagem: ESO / M. Kornmesser / L. Calçada e NASA / JPL / Caltech

 

Pesquisa publicada na revista Nature Astronomy nesta segunda-feira (14) revela que uma rara molécula foi encontrada nas nuvens de Vênus. O grupo internacional de astrônomos, liderado pela professora Jane Graves, da Universidade de Cardiff, confirmou ter encontrado fosfina, um gás conhecido pelos terráqueos.

Durante décadas, os pesquisadores especularam que as nuvens de Vênus poderiam ser um lar para os micróbios, que estariam flutuando livremente pela superfície do planeta. A presença de fosfina, uma molécula que contém hidrogênio e fósforo, nas nuvens é entendida pelos astrônomos como um indicador de vida “área”.

Os pesquisadores usaram pela primeira vez o telescópio James Clerk Maxwell (JCMT) que fica no Havaí, Estados Unidos, e, para acompanhar a descoberta, foram utilizados também, telescópios do  Atacama Large Millimeter / submillimeter Array (Alma), localizados no Chile. Com um comprimento de olha muito mais preciso que o olho humano, os telescopios conseguiram observar Vênus e revelar a descoberta.

“Este foi um experimento feito por pura curiosidade, na verdade – aproveitando a poderosa tecnologia do JCMT e pensando em instrumentos futuros. Achei que seríamos apenas capazes de descartar cenários extremos, como nuvens sendo recheadas de organismos. Quando obtivemos os primeiros indícios de fosfina no espectro de Vênus, foi um choque!”, revela a professora Jane Graves.

A equipe ficou maravilhada com as descobertas iniciais, que precisaram de seis meses de processamento de dados para que fosse confirmada.

A dra. Anita Richards, do Centro Regional do Alma do Reino Unido e da Universidade de Manchester, acrescenta: “para nosso grande alívio, as condições eram boas no Alma para observações de acompanhamento enquanto Vênus estava em um ângulo adequado com a Terra. No entanto, processar os dados foi complicado, já que o Alma geralmente não procura efeitos muito sutis em objetos muito brilhantes como Vênus.”

O professor Hideo Sagawa, da Universidade Kyoto Sangyo, usou seus modelos para a atmosfera venusiana para interpretar os dados, descobrindo que a fosfina está presente, mas escassa, apenas cerca de vinte moléculas em cada bilhão.

A partir de então, foi a vez dos pesquisadores entender se a fosfina poderia surgir de processos naturais em Vênus. Foi descoberto que as fontes naturais produzem no máximo um décimo milésimo da quantidade de fosfina que os telescópios viram.

Comparando com a Terra, os organismos terrestres precisariam trabalhar 10% para criar a quantidade de fosfina observada em Vênus. Mas existem algumas dúvidas, como destaca a dra Clara Sousa Silva, do MIT, “a descoberta levanta muitas questões, por exemplo, como qualquer organismo poderia sobreviver. Na Terra, alguns micróbios podem lidar com até cerca de 5% de ácido em seu ambiente – mas as nuvens de Vênus são quase inteiramente feitas de ácido. ”

A professora Emma Bunce, presidente da Royal Astronomical Society, parabenizou a equipe pelo trabalho por representar um passo importante na busca da vida fora da Terra. “Estou particularmente feliz em ver os cientistas do Reino Unido liderando uma descoberta tão importante – algo que é um caso forte para uma missão espacial de retorno a Vênus. ”

A Nasa não participou da pesquisa, mas confia na comunidade científica e destaca a existência do programa de Astrobiologia, que pesquisa as diversas formas de vida em todo o sistema solar.

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