Homossexualidade e religião se encontram em peça teatral

O espetáculo será transmitido via streaming neste sábado (8), a partir das 17h. Aproveitamos para conversar com Alan Moraes, autor e ator da peça, e o artista falou dos desafios do novo formato digital e sobre a jornada de uma Drag Queen que achou conforto no Espiritismo

A homossexualidade ainda é tratada como tabu em muitas doutrinas religiosas. No entanto, nada como a arte para colocar no mesmo palco estes dois temas, e proporcionar um debate leve e construtivo.

A peça Sob o Brilho do Espiritismo conta a história de Laércio, um advogado casado que vê a vida sair dos trilhos após se assumir homossexual. Além da reprovação da família e dos amigos, ele ainda precisa lidar com a dor de perder o seu único filho.

Medo, vergonha, julgamento, rejeição, culpa eram sentimentos que acompanhavam Laércio, que acaba perdendo o propósito da própria existência. O espetáculo traz histórias reais, com dores reais, que vão além do debate sobre a sexualidade.

Mas em um certo dia, um amigo o sugere um certo livro, que daria as respostas para todo o sofrimento. Laércio aceita a sugestão e mergulha em uma jornada de autoconhecimento guiada pelos ensinamentos do Livro dos Espíritos, primeira obra de Allan Kardec, o codificador da doutrina Espírita.

Sob o Brilho do Espiritismo será transmitido online pelo Zoom, neste sábado (8), a partir das 17h. Os ingressos estão à venda e podem ser adquiridos no link. O espetáculo é uma produção da AMO Entretenimento e tem o apoio da TV Mundo Maior, Rede Boa Nova de Rádio, TV Mundo Maior, Feal (Fundação Espírita André Luis). Visagismo é de Claudinei Hidalgo
Assistência de Produção: Jose Padilla e Thiago Catellani. 

O teaser está disponível em https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=Nr7jqY6u-Xw.

O Livro dos Espíritos

Publicada em 1857, a obra, que marca o início do Espiritismo, tem o formato de perguntas e respostas. E a primeira pergunta que Allan Kardec faz aos espíritos é: O que é Deus? 

O livro traz as respostas para perguntas que acompanham a existência humana: como a existência de Deus, a finalidade da encarnação, o que acontece depois da morte, ou como consta na pergunta 525: Os Espíritos exercem influência sobre os acontecimentos da vida? 

A obra pode ser baixada gratuitamente no site da Federação Espírita Brasileira (FEB).

Uma conversa com Alan Moraes (Teatro Espírita)

Contexto.CTXT: você acha que falta para o movimento Espírita, ou para as religiões em geral, debater/abordar a questão da homossexualidade de uma forma saudável e positiva?

Alan Moraes: Acho que falta muito a gente discutir isso dentro da doutrina Espírita, principalmente. Eu acredito que essa falta de discussão também pode relatar um despreparo dos dirigentes em tratar do tema de uma forma leve, porque sempre quando sai esse assunto na mídia, nos livros é sempre tratado com muita aspereza, e isso, muitas vezes, acaba assustando as pessoas. 

A iniciativa deste projeto, do espetáculo, é, justamente, começar a tratar este tema de uma forma leve, sem abrir mão dos conceitos do Espiritismo e sem abrir mão também do olhar sob a alma e o ser humano que tem vivenciar esta experiência nesta vida. A gente tem que tratar os julgamentos, os preconceitos, tudo isso que são as lições do nosso Cristo e que estão em pauta todos os dias nos trabalhos espíritas.         

Quais aspectos que a peça vai destacar do Livro dos Espíritos. Como vocês relacionaram a obra com essa busca de ser quem se é?

Existem alguns pontos do Livro dos Espíritos que vão ser ressaltados. Eu vou trazer alguns trechos do Livro do Espíritos neste sentido: onde todos são iguais, todos vão para o mesmo lugar e o que nós temos que aprender nestas vidas que passamos aqui. (Exemplo) Existe um momento no Livro dos Espíritos que fala assim: e os pais que perderam os filhos muito cedo? Como explicar isso? E aí ele fala que justamente é para ensinar os pais, despertar algo nos pais (Questão 199).

 

Lady Lanci interpretada por Alan Moraes

O Laércio, o seu personagem, é um advogado que se assume gay, depois surge a Lady Lanci? Ela é uma representação do universo Drag ou será abordada a temática trans?

O Laércio já sabe que ele é gay, mas ele não se assume, ele tem filho, casa, tudo e depois acontecem algumas tragédias que eu não posso dar o spoiler e aí, ele descobre o mundo Drag depois por um amigo que era Drag e ele começa a entender que aquele personagem vivido no palco faz a vida ficar mais leve. E ele se torna uma Drag bastante reconhecida.

Como foi a parceria com a TV Mundo Maior e a Feal? Podemos esperar mais peças desta linha no futuro?

É uma parceria que eu faço com eles desde a primeira montagem que foi Paulo e Estevão, na temporada de 2019. Quando eu apresentei a proposta para o Paulo Henrique de Figueiredo, ele super aprovou e adotou a ideia. Fizemos uma live juntos que deu recorde de views até agora. E aí, eu propus para o marketing da Feal que também adorou a ideia. A Feal foi super receptiva, acha extremamente necessário falarmos deste assunto e trazer de forma lúdica algumas reflexões e ao mesmo tempo divertir. A parceria com eles ainda vai durar muito com mais produções vindo por aí.

Produzir e encenar uma peça em formato streaming é mais desafiador?

Sim, é extremamente desafiador porque não é aquele teatro que todo mundo conhece e vai assistir presencialmente, também não é uma transmissão de um espetáculo gravado ou ao vivo, e também não é uma telenovela. A AMO vem trilhando neste caminho de fazer espetáculos virtuais onde tem a participação do público. A relação com a câmera também diferencia muito, os próprios recursos que o Zoom tem para a gente usar. É um desafio, mas artista sabe se reinventar rapidamente.

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