A história da boia

Aqui em Brasília, é bastante comum praticar alguns esportes no lago Paranoá e, há alguns meses, eu e alguns amigos fomos passar o domingo na lancha de um deles. Nessa lancha, havia uma boia amarrada e a diversão de todos era “surfar” nela até ser derrubado. Quando você caia, ou você voltava a subir, ou nadava até a lancha.

Minha cunhada foi, meu cunhado foi, meu namorado foi e até uma menininha de 10 anos foi. Quão difícil poderia ser aquilo?

Quando chegou a minha vez, desci da lancha direto na boia e lá fui eu. Na terceira curva, cai na água. Todos na lancha rindo e brincando comigo, porque eu tinha ficado bem pouco tempo encima dela. Eles me perguntaram se eu queria ir novamente, mas meus braços já estavam muito cansados e eu respondi que não.

Então me disseram para nadar até a lancha. Eu nadei, nadei, nadei e parecia não me aproximar nunca. Eu sentia minhas forças indo embora, estava ficando cada vez mais difícil. Comecei a sentir que iria me afogar. Mas o engraçado é que ninguém parecia estar preocupado. Por mais que eu estivesse me esforçando muito e já muito cansada, eles continuavam me falando para começar a nadar. Mas como assim, começar?

Do ponto de vista de quem estava encima da lancha, parecia que eu não estava saindo do lugar; não porque estava difícil, mas porque eu não estava nadando. Eles achavam que eu estava tranquila, quase boiando, enquanto, na verdade, eu estava tão cansada e me esforçando tanto que parecia que iria me afogar.

Há alguns anos, eu passei por uma fase muito difícil. Nessa época eu sentia uma tristeza que não passava nunca e que perdurou por meses. Uma tristeza que doía na alma e que não tinha explicação, mas que me fazia sentir uma solidão gigantesca. No meu peito havia uma angustia enorme, uma sensação de que eu tinha tantos problemas e nenhuma força para resolvê-los.

Por outro lado, como na história da boia, meus amigos pareciam não enxergar o que estava acontecendo. Eles me falavam que eu estava sendo pessimista e que, por mais que eles me dessem soluções para os meus problemas, eu simplesmente não começava a nadar. Por que eu simplesmente não começava a me movimentar?

O que ninguém via era o tanto que meus braços já estavam cansados e o quanto aquelas águas pareciam cada vez mais pesadas. Do lado de fora do lago, ninguém percebia o quanto eu estava me esforçando e a cada minuto ficava mais exausta.

Com essa história, eu quero que você entenda que se você ficar esperando perceberem que precisa de ajuda, você vai se afogar. Por isso, meu conselho é: não espere, não finja que está tudo bem. Fale, quantas vezes for necessário, que está difícil demais. Fale para quantas pessoas for precisar, até que alguém te ajude a subir novamente na lancha.

E, acredite, se você pedir ajuda, alguém vai te ajudar a subir.

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