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Queijos falsos confundem consumidores e prejudicam a indústria nacional

queijos
Foto: lipefontes0Pixabay

Até os queijos viraram alvo das imitações no mercado e oferecem riscos à saúde do consumidor e à indústria nacional de lácteos

Basta uma ida ao mercado com olhar atento para se deparar com produtos que se passam por produtos lácteos, contudo são compostos que simulam o original com textura e sabor e não oferecem o valor nutricional dos produtos derivados do leite.

Ananias Jayme faz um alerta sobre produtos que se passam por laticínios nas gondolas dos mercados

Os chamados queijos falsos ou processados são, na verdade, uma mistura de 50% de base láctea com gordura, o que representa um perigo para a saúde das pessoas, afinal, elas trocam o consumo de uma proteína de alto valor nutricional por uma gordura. Esta pode propiciar o surgimento de doenças cardiovasculares, como alerta Ananias Justino Jayme, diretor comercial da Citale Brasil,  que produz queijos e manteigas da marca Copo de Leite.

Ao optar pelo queijo processado, o consumidor “está comendo farinha de gordura vegetal que é aquela gordura rica em gordura trans que causa entupimento das artérias. Elas já são comprovadas pela ciência, pelos nutricionistas e pela classe médica como a maior causadora de ataques do coração, além de derrames e de uma série de doenças relacionadas e até o desenvolvimento de outras doenças também”, disse.

Os queijos processados vão além de trazer riscos à saúde das pessoas. A entrada deste produto no mercado nacional também impacta diretamente o produtor, que segundo Ananias Jayme, já precisa lidar com a concorrência dos importados. 

“O que atrapalha o setor produtivo (dos lácteos) e que atrapalha a estabilidade do mercado brasileiro é, em primeiro lugar, os produtos importados que entram aqui abaixo do preço de custo do produto nacional. Isso é um câncer para cadeia produtiva do leite, arrebenta com produtor de leite, arrebenta com a indústria nacional. Esses produtos fake são outro câncer também”, pontua.

A produção dos queijos processados

Os queijos processados, de forma geral, são produzidos por empresas que utilizam matéria-prima importada. Ananias Jayme relata que são queijos comprados na Argentina, no Uruguai ou em outros países.

A importação fomenta a concorrência e enfraquece a cadeia produtora no país que traz benefícios econômicos e sociais. No Brasil, são mais de 1,3 milhão de produtores de leite, sendo que a grande maioria se caracteriza pelos pequenos produtores e, na maioria são da agricultura familiar. Por ano são produzidos, em território nacional, mais de 34 bilhões de litros.

No vizinho portenho, são 11 mil produtores e que são responsáveis por 10 bilhões de litros de leite. Com relação aos números, Ananias reforça que “a Argentina tem grandes produtores de leite, altamente tecnificados, enquanto no Brasil tem pequenos produtores que geram emprego e renda no campo, evitam o êxodo rural e trazem outros benefícios sociais, esses produtores vivem do leite”.

Como identificar o queijo processado?

Uma das formas para identificar o queijo processado é o preço na prateleira do supermercado. Em média, esse produto chega a ser um terço mais barato do queijo ‘de verdade’ feito a partir da proteína animal. 

O consumidor também pode estar atento às embalagens. No rótulo, é possível encontrar alguns indicativos de que se trata de um queijo processado. Entre os termos que podem identificar a imitação estão: “sabor de queijo”, “gordura vegetal” e “amido modficado”.

A química é uma outra alternativa para separar o que é real do que é fake. Para isto é preciso utilizar o lugol, que é uma solução de iodo e iodeto de potássio utilizado para encontrar fraudes em alimentos e também, pode ser usada para fins medicinais. 

Ao pingar algumas gotas de lugol em amostras de queijos, verdadeiros e processados, o resultado é, praticamente, imediato. Originalmente, a solução tem um tom amarelado, e quando entra em contato com um queijo fake, a solução muda de cor rapidamente, passando a ter uma tonalidade escura. Com queijo feito a partir da proteína animal, não há alteração na cor.

É ou não é?

Junto com os queijos, o consumidor encontra nos mercados outros produtos que dizem ser uma coisa e na verdade é outra. E o que está por trás das imitações, geralmente, é uma mistura de ingredientes que trazem um aspecto sensorial semelhante ao produto original.

Um dos exemplos é a manteiga de coco, que, segundo a nutricionista Dra Georgia Alvares de Castro, “na verdade é gordura de coco com aroma e possivelmente, até um corante para dar um ‘corzinha’ amarela porque a gente sabe que a gordura do coco é branca”, e assim como os queijos processados, o consumidor acaba levando para casa um produto com um alto teor de gordura saturada.

Com relação à manteiga de coco, a Dra Georgia ainda traz outra reflexão, o produto ainda pode levar ao consumidor “uma mensagem de que ele é um produto vegano, como se vegano fosse sinônimo de saudável”. 

E ela explica que o vegano “é aquele que tem um uma alimentação à base exclusivamente de vegetais e não apenas por um princípio nutricional, mas um princípio de cadeia produtiva, de sustentabilidade e ideológica”, sendo assim, o consumidor vegano se preocupa com a origem e com os valores nutricionais dos alimentos.

A especialista esclarece que quando o consumidor encontra ‘manteiga de coco’ no mercado, na verdade, está vendo gordura de coco. E para resolver os impasses seria fundamental a criação de uma regulamentação “que possa fazer a diferenciação em rotulagem no ponto de venda”.

Portanto, o consumidor ao ir fazer suas compras, além de comparar os preços você precisa verificar se não está levando  “gato por lebre” ou pior gordura saturada, amido e corante no lugar dos deliciosos e saudáveis produtos lácteos.

 

*Artigo produzido em parceria com o www.terraviva.com.br 

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