Número de desempregados cai para 13,9% no 4º trimestre, diz IBGE

Desemprego
Créditos: José Cruz/Agência Brasil

Mesmo com a redução, taxa média do ano é a maior desde 2012

Finalmente um fôlego na economia do país. Taxa de desemprego caiu para 13,9% no quarto trimestre, depois de atingir 14,6% no trimestre anterior. Mesmo com a redução, média de desocupação de 2020 ficou em 13,5%, a maior desde 2012. No total, 13,4 milhões de pessoas ainda esperam na fila por um trabalho. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“No ano passado, houve uma piora nas condições do mercado de trabalho em decorrência da pandemia de Covid-19. A necessidade de medidas de distanciamento social para o controle da propagação do vírus paralisaram temporariamente algumas atividades econômicas, o que também influenciou na decisão das pessoas de procurarem trabalho. Com o relaxamento dessas medidas ao longo do ano, um maior contingente de pessoas voltou a buscar uma ocupação, pressionando o mercado de trabalho”, explica a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

E menos de um ano, 7,3 milhões de pessoas se ocuparam, chegando ao menor número da série anual. “Saímos da maior população ocupada da série, em 2019, com 93,4 milhões de pessoas, para 86,1 milhões em 2020. Ou seja, foi uma queda bastante acentuada e em um período muito curto, o que trouxe impactos significativos nos indicadores da pesquisa. Pela primeira vez na série anual, menos da metade da população em idade para trabalhar estava ocupada no país. Em 2020, o nível de ocupação foi de 49,4%”, acrescenta Beringuy.

De 2020 pra 2021, a taxa de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado teve diminuição recorde, menos 2,6 milhões, um recuo de 7,8% ficando em 30,6 milhões de pessoas. Os trabalhadores domésticos (5,1 milhões) diminuíram 19,2%, também a maior retração já registrada.

Trabalhadores autônomos

Desemprego
Créditos: Marcello Casal JrAgência Brasil

A média de trabalhadores por conta própria reduziu para 1,5 milhões de pessoas, que somaram 22,7 milhões, uma retração de 6,2% em relação ao ano de 2019. A taxa de informalidade passou de 41,1% em 2019 para 38,7% em 2020, o que representa 33,3 milhões pessoas sem carteira assinada (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores ou empregados por conta própria) ou trabalhadores sem remuneração. Adriana lembra que os informais foram os primeiros atingidos pelos efeitos da pandemia, no ano passado.

Quanto ao desocupados, subocupados por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial, o contingente chegou a 31,2 milhões. Os desalentados, que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado, chegaram a 5,5 milhões de pessoas 2020, uma alta de 16,1% em relação ao ano anterior. É também o maior contingente da série anual da PNAD Contínua.

“Com os impactos econômicos da pandemia, muitas pessoas pararam de procurar trabalho por não encontrarem na localidade em que vivem ou por medo de se exporem ao vírus. Durante o ano de 2020, observamos que a população na força de trabalho potencial cresceu devido ao contexto. Esse processo causado pela pandemia, somado às dificuldades estruturais de inserção no mercado de trabalho, podem ter reforçado a sensação de desalento”, afirmou a analista da pesquisa.

Serviços

Desemprego
Créditos: Lúcia Rubinstein/Agência Brasil

Em um ano de perdas generalizadas na ocupação, a exceção entre as atividades foi a administração pública, que cresceu 1%, com mais 172 mil trabalhadores, impulsionada pelos segmentos de saúde e educação. Já construção fechou 2020 com perda de 12,5% na ocupação, seguido de comércio (9,6%) e indústria (8,0%). Os serviços também foram os mais afetados, com destaque para alojamento e alimentação (21,3%) e serviços domésticos (19,0%). Outros serviços reduziram 13,8% e transportes, 9,4%. Os menores percentuais ficaram com agricultura (2,5%) e informação e comunicação (2,6%), que, inclusive, interrompeu três anos seguidos de crescimento da ocupação.

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