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Desemprego encerra trimestre de novembro em 14,1%

Desemprego
Créditos: Helena Pontes/Agência IBGE de Notícias

Comércio e mercado informal lideram os setores que mais geraram oportunidades no período

Dentro da estabilidade prevista, a taxa de desemprego foi de 14,1% no trimestre encerrado em novembro de 2020. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O índice foi o mais alto para esse trimestre móvel, desde o início da série histórica da pesquisa, no ano de 2012. Se considerado os três meses antes de agosto (14,4%), o cenário é de estabilidade. O número de desempregados foi estimado em 14 milhões.

Na contramão dos dados, o número de pessoas ocupadas aumentou 4,8% no mesmo trimestre finalizado em novembro, e chegou a 85,6 milhões. São 3,9 milhões de trabalhadores a mais que estão no mercado de trabalho. O nível de ocupação subiu para 48,6%.

De acordo com a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, o crescimento da ocupação é explicado pelo retorno das pessoas ao mercado de trabalho após a flexibilização das medidas adotadas para combate da pandemia de Covid-19 e pela sazonalidade de fim de ano especialmente no comércio.

“O crescimento da população ocupada é o maior de toda a série histórica. Isso mostra um avanço da ocupação após vários meses em que essa população esteve em queda. Essa expansão está ligada à volta das pessoas ao mercado que estavam fora por causa do isolamento social e ao aumento do processo de contratação do próprio período do ano, quando há uma tendência natural de crescimento da ocupação”, explica.

O aumento na ocupação gerou desenvolvimento para dez grupos de atividades. O comércio foi umas das áreas mais atingida, com 854 mil pessoas que passaram a trabalhar para o setor no trimestre de novembro. “O comércio nesse trimestre, assim como no mesmo período do ano anterior, foi o setor que mais absorveu as pessoas na ocupação, causando reflexos positivos para o trabalho com carteira no setor privado que, após vários meses de queda, mostra uma reação”, ressalta Adriana.

A Indústria Geral (4,4%, ou mais 465 mil pessoas) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,6%, ou mais 427 mil pessoas) também se destacaram no aumento da população ocupada. “Além do Comércio, outras oito atividades econômicas investigadas pela pesquisa cresceram significativamente na ocupação, mostrando que esse processo de absorção de trabalhadores também avançou em outros setores, como Construção (8,4%, ou mais 457 mil pessoas), Transporte, armazenagem e correio (5,9%, ou mais 238 mil pessoas) e Alojamento e alimentação (10,8%, ou mais 400 mil pessoas)”, diz a pesquisadora.

O mercado informal ainda possui boa parta na taxa de ocupação. Um exemplo é o número de empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada, que cresceu 11,2%, somando agora 9,7 milhões. Com o adicional, a taxa de informalidade chegou a 39,1% da população ocupada, o que representa 33,5 milhões de trabalhadores informais no país. No trimestre anterior, a taxa foi de 38%.

“Os trabalhadores informais foram os mais afetados no começo da pandemia e também foram os que mais cedo retornaram a esse mercado. A população informal nesse mês de novembro corresponde a cerca de 62% do crescimento da ocupação total e, no trimestre encerrado em outubro, respondia por quase 89% da reação da ocupação. Então, a informalidade passa a ter uma participação menor em função da reação da carteira de trabalho assinada”, explica a especialista.

O contingente de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada aumentou 3,1% (895 mil pessoas a mais) e agora soma 30 milhões. No mesmo período, a categoria dos trabalhadores domésticos aumentou 5,1% e agora é formada por 4,8 milhões de pessoas. Também houve crescimento de 1,4 milhão de pessoas no contingente de trabalhadores por conta própria, que chegou a 22,9 milhões. No entanto, se comparado ao mesmo período de 2019, essa categoria perdeu 1,7 milhão de pessoas.

“Embora haja esse crescimento na ocupação nesse trimestre, quando a gente confronta a realidade do desemprego de novembro de 2020 com o mercado de trabalho de novembro de 2019, as perdas na ocupação ainda são muito significativas”, afirma Beringuy, que ressalta que atividades como Alojamento e alimentação, Serviços domésticos e o próprio Comércio ainda acumulam perdas anuais relevantes.

O contingente total de pessoas ocupadas no país caiu 9,4% na comparação com o trimestre encerrado em novembro de 2019, o que representa uma redução de 8,8 milhões de pessoas. “O avanço da ocupação é significativo, tanto em aspectos quantitativos quanto qualitativos, uma vez que vimos o crescimento da população com carteira assinada e a sua disseminação por diversas atividades. Mas a gente ainda está bem distante de um cenário pré-pandemia”, completa a analista.

*Com informações da Agência IBGE de Notícias.

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