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Moradora da Espanha explica desafios da segunda onda da Covid-19

Moradora da cidade de Barcelona há três anos, brasileira Carolina de Góes volta a enfrentar estado de emergência decretado no país

Carolina de Goes mora em Barcelona e trabalha como representante de vendas em uma agência de turismo. Crédito: Instagram Pessoal

Nos últimos dias de setembro, no fim do verão europeu, o continente começou a registrar o aumento no número de casos de infecção do novo coronavírus. A segunda onda da Covid ocasionou a retomada das medidas de distanciamento social. Em outubro, os índices da doença obrigaram os governos a tomar medidas mais rigorosas.

A representante de vendas, Carolina de Góes, de 26 anos já precisa se adaptar a um toque de recolher entre 23h e 6h instituído pelo governo nacional do premiê Pedro Sanchez. As autoridades regionais cogitam restringir movimentações nas ruas e definir
um limite de reuniões a seis pessoas.

“Pessoalmente, eu não esperava que as restrições fossem ser tão severas (se não mais) como na primeira onda. Mas entendo a decisão dos países para tentar evitar a situação que passamos em março e abril”

O lockdown também está entre as opções do estado. Carolina contou, que a maior preocupação dos governos europeus está em evitar que o sistema de saúde entre em crise.

“O governo está sempre tentando evitar que o sistema de saúde fique colapsado, como ficou no início da pandemia. Muitos países podem estar optando pelo lockdown agora, para poder flexibilizar mais durante as comemorações de fim de ano”

Carolina tem a sorte de poder manter o trabalho em home office e conciliar com as
atividades domésticas | Créditos: Instagram pessoal

Resistência

No último dia 30, manifestantes que negam a existência da covid-19 e vão contra as novas regras de restrição para conter a propagação da pandemia, entraram em confronto com a polícia de Barcelona. Em torno de 50 pessoas atiraram tijolos, fogos de
artifício e incendiaram recipientes de lixo no centro da segunda maior cidade da Espanha, informou a polícia.

Carolina avalia que a reação das pessoas com o retorno das normas de proteção, foi mais negativa em relação ao primeiro surto.

“Depois de um verão ‘desperdiçado’, percebo que as pessoas estão muito mais relutantes em relação a qualquer restrição. Muitas pessoas perderam os empregos e empresas sofreram muito durante essa época. Para um comerciante que perdeu seis meses de venda, se ver obrigado a fechar de novo… É uma situação complicada.”

A descoberta de mais informações sobre a doença, deixa a carioca mais tranquila para enfrentar a
segunda onda | Créditos: Instagram Pessoal

Sentindo de perto os efeitos da flexibilização das medidas, a representante de vendas contou que a sensação era que a vida tinha voltado ao normal, praias lotadas, estabelecimentos ignorando as indicações de segurança e aos poucos, as empresas
começavam a retornar para os escritórios.

“Em Barcelona, percebo que muitas pessoas não estão levando a sério e desrespeitando as normas implementadas. No primeiro isolamento, as pessoas estavam assustadas e com muitas incertezas, o que fazia o distanciamento mais fácil de certa forma.”

Números

De acordo com o diretor-geral de Saúde na França, Jérôme Salomon, o país contabiliza atualmente 1,6 milhões de casos positivos da Covid-19, registrando o pior cenário das transmissões. Em todo o território europeu, os níveis já somam 8 milhões de infecções. Na pesquisa da Organização Mundial da Saúde, (OMS) que corresponde a “zona Europa” e não somente os países da União Europeia, a situação é mais alarmante alcançando mais de 11,6 milhões de contágios.

Mesmo com a França na liderança, sendo o país da União Europeia com a maior taxa de casos diários, a Espanha na quinta-feira (05) registrou um novo recorde de contaminações nas últimas 24 horas. Segundo a seleção de dados do Google, que reúne informações de fontes como New York Times e órgãos de saúde internacionais, até a última atualização do site, 18.639 pessoas foram diagnosticadas, com 238 óbitos confirmados.

Na última semana de novembro (18), a Espanha bateu o recorde de mortes acumuladas em uma semana na segunda onda, com 1.346 óbitos.

O Ministério da Saúde reportou 15.318 novas infecções por covid-19 e, ainda que a incidência acumulada de casos registre queda, número de mortos segue elevado no país europeu.

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