“Mas é ciúmes, ciúmes de você…”

Olá meus amigos! Diferente de outros textos que escrevi na coluna “Bastidores de Você”, hoje começo com uma citação de Oscar Wilde: “As mulheres bonitas não têm que ter ciúmes dos seus maridos. Estão demasiado ocupados com os ciúmes que têm dos maridos de outras mulheres”. Sim, meus amigos, hoje escrevo sobre esse sentimento que muitas vezes é considerado o tempero da relação, mas que, se em excesso, como todo tempero, estraga tudo.

A pergunta que tentarei responder é justamente o que faz uma pessoa a desenvolver um sentimento de ciúmes doentio, que chega ao ponto de estragar as relações pessoais.

A primeira coisa que vai sustentar ciúmes doentios é a baixa autoestima da pessoa ciumenta. Ela, em seu caminhar pela vida, por se sentir inferior aos outros, acaba desenvolvendo um medo quase que patológico de perder a pessoa amada. Desta forma, essa baixa autoestima vai desembocar em uma série de outros comportamentos que levam a condutas que são no mínimo questionáveis.

Há uma música do Charlie Brown Jr. que revela exatamente isso: “Perdoa meu ciúme, é só esse meu medo demasiado de que um dia você ache alguém melhor e coloque no meu lugar”.

O sentimento de baixa autoestima gera na pessoa, uma instabilidade emocional, pois isso implica em um medo de se perder a pessoa amada. Por conta desse medo, o ciumento desenvolve um sentimento de insegurança e para dar conta desta realidade hostil, o indivíduo encontra, como saída psíquica,  o desenvolvimento de um sentimento no qual acredita que tenha o direito sobre o outro. Um sentimento de posse, tal como se o objeto de afeto fosse sua posse, sua coisa.

O ciúme deriva justamente dessa incapacidade de se sentir bom o bastante para seu parceiro, como na música do Charlie Brown Jr, criando fantasias de abandono, impotência, insegurança e que a qualquer momento a pessoa será trocada por algo melhor. Nota que do mesmo modo que o ciumento, como saída psíquica, coisifica o outro, também se coisifica, dessa forma sua insegurança somente aumenta, pois ao se comparar com o outro e se diminuir, o ciumento não vê motivos para que a pessoa se mantenha ao seu lado.

O ciúme provocará mecanismos para o sujeito proteger-se das eventuais perdas e a pessoa passa a se autorizar, em nome do medo e da dependência emocional, a controlar e dominar a vida do alvo de seus ciúmes. Neste sentido, Rubem Alves uma vez escreveu: “O ciúme é aquela dor que dá quando percebemos que a pessoa amada pode ser feliz sem a gente”.

Não estou aqui falando que a pessoa que sente ciúmes é vítima ou uma pobre coitada, mas quero alertar que, quem experimenta esse sentimento está na verdade em profunda dor, pois o mundo lhe é tão hostil que a pessoa acredita não ser digna do amor e do afeto do outro. Não se trata de seguir atentamente o que Ivete Sangalo disse em um dado momento: “Não precisa mudar vou me adaptar ao seu jeito, seus costumes seus defeitos, seus ciúmes, suas falhas”. Pelo contrário, a pessoa que é extremamente enciumada precisa de ajuda.

Isso ocorre porque, na verdade, o ciúme se manifesta através de um movimento que se assemelha a um arco. Desta forma, temos um primeiro momento uma tensão que é a crise de ciúmes. Ela é sucedida de um momento de relaxamento posterior, quando a coisa se esclarece. Acontece que pelo fato do sentimento estar ligado à baixa autoestima e seus desdobramentos, a tensão, através da criação de uma nova fantasia na mente do ciumento irá levar o sujeito a tencionar o arco novamente.

Todo esse movimento tensional possui uma base nos mecanismos psicológicos infantis do sujeito, especialmente nas questões de seu apego aos pais e ainda nos desdobramentos do Complexo de Édipo, que podem retornar na idade adulta. As frustrações decorrentes dessa fase da vida do sujeito, em alguma medida, podem retornar à superfície na forma do sintoma de ciúmes, o que em um certo grau pode levar até ao desenvolvimento de uma paranoia.

O mais importante disso tudo é que, com um trabalho terapêutico correto, é possível sair dessa situação, especialmente, se você, leitor, for a pessoa ciumenta.

Siga o autor no insta: @robsonpribeiro

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