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Ex-estudantes da rede pública são selecionadas para programa com cientistas renomados

Programa do Instituto Serrapilheira abre um novo caminho para jovens que buscam oportunidades na área científica

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Amanda Campos. Foto: arquivo pessoal

Natural de Salvador (BA), Amanda Campos, de 26 anos, é um daqueles casos de estudante, que, depois de se formar em uma escola pública, poderia parar os estudos e simplesmente seguir no mercado de trabalho. Mas, após ingressar na Universidade Federal da Bahia (UFBA) no curso de biologia, passar por um mestrado em ecologia e biomonitoramento e começar recentemente um doutorado na USP, ela se tornou a primeira pós-graduada da família. Amanda também foi uma das 30 selecionadas, em meio a 360 inscritos, para o Programa de Formação em Biologia e Ecologia Quantitativas, que reúne alguns dos cientistas mais prestigiados do mundo.

Acontecendo online por conta da pandemia em sua primeira edição, o curso promovido pelo Instituto Serrapilheira, instituição privada, sem fins lucrativos, de fomento à ciência no Brasil, conta com nomes consagrados como o neurocientista israelense Oded Rechavi e a matemática norte-americana Corina Tarnita. Esta última é justamente a cientista que Amanda teve maior expectativa de conhecer.

“Sou admiradora do trabalho dela e queria ouvir o que ela vai falar sobre a teoria de jogos. Outro pesquisador sensacional é o Jordi Bascompte, da Universidade de Zurique, que estuda as teorias de redes ecológicas. Como eu conheço o trabalho dele, consegui fazer perguntas bem específicas que eu não teria a oportunidade de realizar em outro local”, explica Amanda.

Em paralelo ao seu doutorado, em que pesquisa questões evolutivas dos corais marítimos associadas às mudanças climáticas, ela já prepara um projeto que está sendo desenvolvido no próprio programa do instituto. A iniciativa estuda a modelagem estatística da Covid-19, investigando a quantidade de informação perdida quando não se fazem testagens em volume adequado para o coronavírus com o objetivo de comparar os resultados alcançados a partir das diferentes quantidades de testes em diversos locais do mundo.

Amanda procura respostas para questões da biologia e ecologia ainda não encontradas pela ciência, uma forma também de representar a ciência brasileira mundo afora. Segundo a estudante, além da troca de experiências no programa estar ajudando a fomentar esse sonho, o grupo de alunos está construindo uma comunidade forte de futuros cientistas na América Latina.

Estudante da periferia de Vitória (ES) 

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Inês Comarella, mais uma selecionada do programa. Foto: arquivo pessoal

Outra estudante oriunda de escola pública que participa do programa é Inês Comarella (22), que cresceu na periferia de Vitória, entrou na graduação em biologia na UFES e acabou de ser aprovada em um mestrado na Unicamp para estudar ecologia. Após ser selecionada também para participar do curso do instituto, a estudante teve a oportunidade de ter aulas e conversar com o cientista britânico Iain Couzin, diretor do Max Planck Institute of Animal Behavior, na Alemanha, que pesquisa a evolução do comportamento animal.

“É muito importante ter essa experiência com um cientista lá de fora de uma área em que tenho interesse e que eu não teria a oportunidade de conhecer de outra maneira por aqui. Isso ajuda a expandir as nossas perspectivas e sonhar com uma carreira no campo da pesquisa acadêmica mesmo lidando com as várias limitações que existem em fazer ciência no Brasil”, diz Inês.

De acordo com Hugo Aguilaniu, diretor-presidente do Instituto Serrapilheira, embora existam cientistas brasileiros indo para o exterior em busca de melhores oportunidades, diante do cenário desfavorável para a ciência, vemos, por outro lado, alguns dos mais importantes pesquisadores internacionais em seus respectivos campos reunidos no curso para formar jovens cientistas no país.

“O objetivo do programa que oferecemos é criar uma geração de profissionais brasileiros e latino-americanos qualificada para pesquisar e trazer respostas para questões biológicas complexas. É estimulante ver como alguns jovens conseguem superar diversos desafios para construir o futuro da pesquisa científica brasileira”, destaca Aguilaniu.

 

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