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Califórnia e o julgamento de Paris.

Vinho Califórnia em Paris

Para começar a falar dessa região que hoje já tem notoriedade e respeito no mundo do vinho, precisamos voltar um pouco em meados de 1920, quando a Califórnia viveu um momento que foi decisivo para sua transformação vinícola e que ficou marcado em sua história.

Nos Estados Unidos foi decretada a Lei Seca, que teve duração de 1920 até 1933, essa lei proibia qualquer compra e venda de vinhos. Existiam algumas circunstâncias que poderiam ser produzidos vinho.

Você poderia produzir vinho para consumo próprio, ou para fins religiosos e também para venda de blocos.

Para entender a dimensão e o impacto que esse momento teve para a história da região, antes da Lei Seca, existiam mais ou menos 140 vinícolas ativas, já em 1933, quando foi autorizado o retorno do livre comércio de vinhos, só existiam 12 vinícolas ativas. Ou seja, menos de 10% do que existia.

Uma figura super importante e que impactou no modo de se produzir vinho apareceu nessa época. Robert Mondavi, grave esse nome, pois você com certeza irá escutar sobre ele quando o assunto for vinhos californianos.

Robert Mondavi estudou na França e trouxe para a Califórnia novas tecnologias para a viticultura americana. Além disso, foi ele quem começou a implementar o uso das barricas de carvalho francês, que antes dele, eram utilizadas apenas as barricas de carvalho americana no envelhecimento dos vinhos.

Na época os vinhos do Novo Mundo não eram tão valorizados quanto os vinhos da Europa, principalmente os franceses. Em maio de 1976 aconteceu um evento em Paris que mudou o rumo da história dos vinhos americanos e do olhar dos europeus para com os vinhos do Novo Mundo.

O organizador Stevien Spurrier selecionou alguns vinhos do Napa Valley por onde fez uma viagem antes do concurso e pegou alguns dos melhores vinhos franceses que tinha em sua loja, que acreditava que certamente seriam melhores avaliados que os vinhos californianos.

Para sua surpresa e de todos os avaliadores do evento os vinhos da Califórnia superaram as pontuações dos vinhos franceses tanto nos vinhos brancos, quanto na avaliação dos vinhos tintos.  Alguns avaliadores até questionaram e afirmaram que os vinhos franceses escolhidos não estavam no seu melhor momento para consumo e sim, seria uma melhor época 12 anos em seguida. Spurrier ouviu essa desculpa por muito tempo e no trigésimo aniversário do evento ele resolveu fazer uma nova avaliação, tendo ainda mais surpresa com o resultado.

Em 2006 novamente os vinhos da Califórnia foram vencedores, dessa vez com uma margem muito maior. Dos 10 vinhos degustados, os quatro primeiros lugares ficaram com os americanos, vindo somente em quinto lugar o mais bem pontuado dos vinhos franceses.

Isso retrata muito bem o que costumo falar sobre o mundo do vinho. Se deve experimentar e arriscar na experimentação de novos vinhos, novas uvas e novas regiões. O mundo do vinho é muito extenso e bastante complexo e nos proporciona experiências inimagináveis através de uma garrafa de vinho.

Minha dica é, sempre que tiver oportunidade, experimente um rótulo novo e descubra o que mais te agrada naquele vinho e vá buscando conhecer e diversificar seu paladar.

Sigam o autor no Instagram: @igorsoareswine

Leia mais artigos sobre vinhos na coluna: Vinho e uma taça

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