A Quarentena e nossos filhos [Bastidores de você]

Olá queridos leitores da nossa coluna semanal, estamos em quarentena há muitos dias e o que tenho percebido nos meus atendimentos on-line é que dois grandes problemas têm se manifestado, o primeiro é o adoecimento de quem está sem poder trabalhar, sem poder produzir, enfim, trancado em casa.

O outro problema que tenho notado é uma falta de experiência dos pais ao lidar com as crianças retiradas de seu ritmo normal e os impactos disso em seu psiquismo.

 

Fiquem atentos

Um aspecto que usualmente é negligenciado é o impacto psicológico das medidas, pois o confinamento de longa duração é fator estressor. Soma a isso o fato de que como os meios de comunicação atingem a todos indiscriminadamente, poderemos estar expondo as crianças e adolescentes ao medo de infecção.

Sintomas como frustração, tédio, por conta da falta de contato humano e ainda ausência de seu espaço dentro de casa, sem contar as perdas financeiras da família fazem com que nossos filhos possam vir a sofrer um grande impacto e isso pode provocar danos severos.

Estudos revelam que os casos de estresse pós traumático são 400% (quatrocentos por cento maior) nas crianças que foram quarentenizadas do que as que não foram.

O isolamento é medida, até onde se saiba, a melhor forma de conter o avanço da contaminação, porém, o isolamento pode justamente comprometer o futuro dessa mesma criança, porque os sintomas podem eclodir anos mais tarde.

Não há como se falar em prevenção se isso não passar por medidas que tanto os pais, escolas ou mesmo o governo terão que tomar. É necessário que a rotina seja menos afetada o possível.

O papel das escolas

Neste sentido as escolas devem ajudar para além do fornecimento de material de apoio, elas podem ser um meio catalisador do contato com os professores, com os alunos e ainda suprir, via profissionais capacitados, apoio aos alunos no sentido de aconselhamento psicológico e até mesmo no convencimento da criança ou do adolescente que há a necessidade de suporte emocional.

As aulas, agora ministradas pela internet, precisam ser inovadoras, com a utilização da internet, garantindo assim a aprendizagem.

Como o governo pode ajudar

No que toca ao governo é necessário que se faça vídeos promocionais, no sentido de falar para as crianças sobre o assunto de forma que elas entendam os motivos que precisam ficar recolhidas em seus lares, mas de forma lúdica, tal como fazemos quando ensinamos nossos filhos a escovar os dentes.

Conselho para os pais

Os pais devem incentivar um estilo de vida saudável em casa, aumentando atividades físicas, manter um equilíbrio na dieta, padrão regular de sono e boa higiene pessoal.

Uma outra forma de manejo é a utilização dos grupos de pais, onde através da troca de suas dificuldades, possa a mútua ajuda facilitar o processo garantindo assim um modo de viver mais saudável.

Caso sinta necessidade busque ajuda de psicólogos, estes estão preparados para o atendimento on-line para ajudar a lidar com os conflitos que possam eventualmente surgir no âmbito doméstico.

Ficar de olho em nossos filhos e atentos a eventuais necessidades de suporte é fundamental e os pais têm que ser dotados de capacidade para percepção do aparecimento das questões fruto do confinamento.

Uma medida muito importante que os pais devem tomar é limitar o acesso das crianças ao noticiário, se não é bom para adultos, imagine para as crianças que não possuem a capacidade de discernimento completa.

Finalmente e mais importante de tudo, apesar de todas as medidas que dissemos acima, importante que você saiba que é fundamental dar voz a criança, deixe ela falar, incentive que ela manifeste suas dores e suas questões, pois ela sentirá segura e poderá navegar por essas águas tormentosas que estamos passando de um jeito mais fácil e com menos consequências psíquicas para o futuro, tal como o comandante da embarcação fez como contamos na nossa última coluna.

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