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PIB encerra o ano de 2020 com redução de 4,1%, diz IBGE

 

PIB
Créditos: José Paulo Lacerda/CNI

O indicador encerrou o quarto trimestre com acréscimo de 3,2%, mas não foi o suficiente para influenciar no índice final

Em meio há tantas subidas e descidas da economia nacional, o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 3,2% no quarto trimestre de 2020. Mesmo com o avanço, o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma queda de 4,1%, totalizando R$ 7,4 trilhões. Trata-se da maior redução anual da série iniciada em 1996. A queda interrompeu o crescimento de três anos seguidos de 2017 a 2019, quando a alta foi de 4,6%. Quanto ao PIB per capita, o resultado foi de R$ 32.172 no ano passado.

“O resultado é efeito da pandemia de Covid-19, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para controle da disseminação do vírus. Mesmo quando começou a flexibilização do distanciamento social, muitas pessoas permaneceram receosas de consumir, principalmente os serviços que podem provocar aglomeração”, analisa a coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis.

PIB
Créditos: IBGE

No ano passado, os principais serviços diminuíram 4,5%. A indústria encolheu em 3,5%. Juntos, os dois setores representam 95% da economia nacional. Como já indicado, a única área alavancada foi a agropecuária que cresceu 2,0%.

“Restaurantes, academias, hotéis representam os menores índices com -12,1%. A segunda maior queda foi no setor de transportes, armazenagem e correios com -9,2%”, acrescenta Rebeca.

Caíram ainda, no setor de serviços, as atividades de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-4,7%), comércio (-3,1%), informação e comunicação (-0,2%). Já atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (4,0%) e as atividades imobiliárias (2,5%) avançaram em 2020.

PIB
Créditos: IBGE

Na indústria, o destaque negativo foi o desempenho da construção (-7,0%), que voltou a cair depois da alta de 1,5% em 2019. Também apresentaram queda as indústrias de transformação (-4,3%), influenciadas pelo recuo na fabricação de veículos automotores, outros equipamentos de transporte, confecção de vestuário e metalurgia. Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos caíram 0,4%. As indústrias extrativas avançaram 1,3%, em razão da alta na produção de petróleo e gás que compensou a queda da extração de minério de ferro.

Consumo das famílias

Pelo lado da demanda, todos os componentes recuaram em 2020, na comparação com 2020. O consumo das famílias teve o menor resultado da série histórica em 5,5 %. Isso pode ser explicado, segundo a coordenadora de Contas Nacionais, principalmente pela piora no mercado de trabalho e a necessidade de distanciamento social.

A queda no consumo do governo também foi recorde com 4,7%, e pode ser ilustrada pelo fechamento de escolas, universidades, museus e parques ao longo do ano. Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) caíram 0,8%, encerrando uma sequência de dois anos positivos. A balança de bens e serviços registrou queda de 10,0% nas importações e 1,8% nas exportações.

Avanço no quarto trimestre

No quarto trimestre de 2020, o PIB cresceu 3,2% na comparação com o terceiro trimestre do ano (7,7%), o que totaliza o segundo resultado positivo nessa comparação, depois dos recuos de 2,1% no primeiro trimestre e do recorde negativo de 9,2% no segundo trimestre. Em valores, isso corresponde a R$ 2,0 trilhões. Quando comparado ao quarto trimestre de 2019, o PIB caiu 1,1%.

“Essa desaceleração é esperada porque crescemos sobre uma base muito alta, no terceiro trimestre (7,7%), após um recuo muito profundo no auge da pandemia, o segundo trimestre (-9,2%)”, finaliza Rebeca.

*Com informações da Agência IBGE.

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