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Invasão na Ucrânia completa um mês

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Zelensky em discurso para o Parlamento sueco

Os ataques do exército russo à Ucrânia destruíram cidades e provocaram a saída de quase 4 milhões de pessoas do país. Sem acordo para cessar fogo, os ucranianos seguem resistindo

No dia 24 de fevereiro, o mundo amanheceu com a notícia da invasão dos russos em território ucrâniano. Com o pretexto de livrar o país do nazismo, Vladimir Putin ordenou os ataques, que em um mês já devastaram cidades e provocaram a fuga de quase 4 milhões de pessoas de suas casas.

Os dois países já tentaram dialogar, mas a Rússia exige a rendição, o que a Ucrânia não concorda, assim, os ucranianos seguem resistindo ao poderio bélico do exército de Vladimir Putin. 

Dependendo das fontes de energia da Rússia, a Europa age com cautela ao tratar sobre o tema, afinal existe o receio de ficar sem o gás e também, para evitar um conflito que poderia representar uma nova guerra mundial. A cautela, mesmo com as sanções econômicas, também é observada nas posturas adotadas pelos Estados Unidos e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Ciente do cenário, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em discurso no parlamento sueco, finalizou dizendo que “nós estamos lutando não somente pela Ucrânia, mas pela segurança da União Europeia. Nós estamos provando que merecemos ser um membro da União Europeia. A decisão está sendo elaborada já. É hora de adotarmos”. 

Em um mês de conflito, quase 4 milhões de pessoas fugiram para os países vizinhos, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), e o número de pessoas que se deslocaram internamente pode chegar a 7 milhões.

Sem ajuda brasileira

Grupos e organizações de várias partes do mundo estão se mobilizando para viabilizar roupas, alimentos e até mesmo moradia em outros países para os refugiados da Ucrânia. No entanto, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky revelou que a ajuda de brasileiros não é necessária no momento.

Isso pegou algumas pessoas de surpresa, inclusive Daniel Toledo, advogado que atua na área do Direito Internacional, fundador da Toledo e Associados e sócio do LeeToledo PLLC, escritório de advocacia internacional com unidades no Brasil e nos Estados Unidos, e viu a necessidade de se aprofundar no assunto para entender exatamente o que havia acontecido. “Ao procurar notícias sobre brasileiros na Ucrânia, é possível entender a decisão do presidente. A publicação mais notória é sobre um Deputado Federal de São Paulo que, supostamente, foi ao país oferecendo ajuda humanitária aos refugiados, mas enviou áudios repugnantes sobre as mulheres ucranianas em um grupo de amigos dentro de um aplicativo de mensagens. Esse fato prejudica o Brasil como um todo, que acaba perdendo sua credibilidade perante a outros países”, lamenta. 

Outro fato que contribuiu negativamente para este cenário, está relacionado aos brasileiros que conseguiram entrar na Ucrânia, supostamente com o intuito de ajudar os militares do país no conflito. No entanto, algumas atitudes podem ter sido a razão por trás de grandes tragédias. “As pessoas não costumam ir à guerra para entrar em combate e postar nas redes sociais, mas foi exatamente isso o que um grupo de voluntários brasileiros fez recentemente, ficando na mesma base de uma das tropas ucranianas enquanto postavam stories e vídeos em seus perfis pessoais. Obviamente, a inteligência russa detectou, rastreou e bombardeou a base em questão. Inclusive, matando muitos dos que estavam ali. Dentre eles, alguns brasileiros que não conseguiram escapar”, relata.

O próprio advogado estava organizando a transferência de alguns refugiados da Ucrânia para diversos países, inclusive ao Brasil. Mas viu a movimentação perder força após a declaração do presidente ucraniano. “Isso me frustrou bastante, porque enquanto de um lado estamos lutando para ajudar as pessoas que estão realmente sem comida, roupas e até mesmo abrigo, existe um outro lado com pessoas que querem aparecer nas redes sociais realizando uma espécie de falso heroísmo, quando, na verdade, elas poderiam estar ajudando de maneiras realmente efetivas essa população de refugiados”, indaga Toledo.

Para o especialista em Direito Internacional, esse tipo de atitude pode criar um grande embate diplomático entre os países. “O Presidente da Ucrânia disse que a ajuda do Brasil é dispensável. Logo, o MRE brasileiro vai negar as solicitações humanitárias feitas por seus cidadãos. Com toda a certeza, várias portas serão fechadas para o Brasil em um futuro próximo e um grande número de indivíduos pode ser prejudicado. Tudo isso, apenas pela necessidade de publicidade online de algumas pessoas e políticos oportunistas em um momento tão complicado”, finaliza.

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