A Cobal do Humaitá completa 50 primaveras este ano continua atraente. É dica certa de lazer e gastronomia na Zona Sul do Rio. Sua história é marcada por constantes transformações e imbróglios jurídicos, já que a área pertence à União. Mas também por boemia, música, cinema e o melhor do espírito carioca. A Cobal tem lugar cativo no coração dos moradores do bairro e segue em constante movimento: a próxima novidade será a inauguração do Cedrus, restaurante árabe. Minhas lembranças do lugar remontam à tenra infância, quando acompanhava minha mãe pelos corredores enormes da Companhia Brasileira de Alimentos.

O espaço, com foi criado pelo Governo Federal em 1971 como uma alternativa às feiras-livres. Com o desenvolvimento do mercado privado na decadência seguinte, houve um abandono progressivo. Por algum tempo, o grande pavilhão ficou subutilizado. Lembro em 1994, quando comprei o primeiro pãozinho a 10 centavos de Real, na pequena padaria Farinha Pura.

Por esta época, um grupo de empresários conseguiu autorização para investir no local. O espaço ganhou uma estrutura inspirada nas praças de alimentação, incluindo mezanino. A partir daí, houve uma completa transformação e a Cobal viveu momentos áureos. Quem não lembra do pagode lotado em frente ao Taxi Bar, com a galera cantando a versão “pra ficar legal, pagode na Cobal no maior astral”?! Subindo as escadas encontrava-se a charmosa locadora Cavídeo e a pequena casa de shows FarUp (onde fiz uma das minhas primeiras apresentações musicais).

Mas a vida é feita de ciclos e, de lá para cá, muita coisa mudou: o mezanino já está meio abandonado, os banheiros da Cobal também e, por conta da pandemia e ações de despejo, alguns estabelecimentos fecharam as portas. Mas ainda há o que comemorar: atualmente, o lado voltado para a Rua Voluntários da Pátria conta com opções interessantes que fazem frente aos já consagrados Pizza Park, Espírito do Chopp e Manekineko, que ficam no lado da Rua Humaitá.

Com mesas ao ar livre, clima despojado e um bom cardápio, estabelecimentos como Raro Bar & Grill e Joaquina já conquistaram público cativo. O primeiro inclui opções variadas com buffet a quilo, grelhados, comida japonesa e fondue (no Festival de Inverno – o de carne p/ 2 pessoas sai a R$ 98.90). O telão com jogos de futebol e a música ao vivo são diferenciais. Já o Joaquina tem ambiente mais “cool”, sempre com boa música ambiente, e cardápio voltado para a culinária nacional. É a gastronomia mais apurada que se encontra na Cobal, com pratos como o Arroz de Costela (R$ 46).

DICA CARIOCA
Testemunha ocular de quase metade da história da Cobal, a Cavideo completa 24 anos promovendo um festival de filmes gratuitos online até o dia 1° de agosto (https://vimeo.com/festivalcavideo24anos). O pequeno estabelecimento surgido no mezanino cresceu e hoje é também uma produtora com mais de 300 filmes lançados, sendo 189 deles premiados em festivais nacionais e internacionais. Com tantos prêmios para guardar, foi necessário abrir uma filial, o Espaço Cultural Cavideo, nas charmosas Casas Casadas em Laranjeiras.

“A Cobal sempre foi um lugar de convergência dos artistas do Rio. Cineastas, atores, produtores, cantores entre muitos outros. Por isso a Cavideo deu tanto certo! Estava no lugar certo, na hora certa e se aproveitou desse pólo cultural. Lá fizemos mostras de cinema, cineclubes, festas e shows. Difícil imaginar a Cavideo surgindo e se desenvolvendo em outro lugar no Rio. O tempo passa, as coisas mudam e precisamos nos readaptar. O Rio não é mais o mesmo… O Brasil não é mais o mesmo… A Cobal não é mais a mesma!!”, Cavi Borges, cineasta e produtor.
Muitos anos de vida para a Cavideo e para nossa querida Cobal do Humaitá!
CLIQUE AQUI E CONFIRA A PLAYLIST DA COLUNA DESTA SEMANA, COM MÚSICAS LIGADAS AOS FILMES DO FESTIVAL CAVÍDEO 24 ANOS
Conheça outras descobertas de Gabriel Versiani pelo Rio de Janeiro em outras edições da coluna Contexto Carioca aqui!
Acompanhe o colunista @gabrielversiani.rj também no Instagram!