
Que a Argentina é uma das potências e referência quando o assunto é vinho, isso nós já sabemos. As produções de Malbec fizeram com que nossos vizinhos fossem observados com mais respeito pelo velho mundo (Europa) e também virassem referência no cultivo dessa casta.
Hoje quero trazer para vocês um pouco mais sobre as regiões vitivinícolas argentinas e para que possamos entender melhor o quão complexo e maravilhoso é a diversidade desse país e como isso afeta na produção dos vinhos em cada região.
O país é dividido em 03 principais regiões, e cada uma delas tem um Terroir diferente e algumas outras sub-regiões. Situadas em planaltos inclinados ou em amplos vales, as regiões vitivinícolas se estendem de norte a sul do país. Vamos conhecê-las hoje.
Região Norte
A região Norte é a região com os vinhedos plantados nas maiores altitudes do país. E registra o recorde do vinhedo mais alto do mundo.
A região é subdividida em 04 províncias, Jujuy, Salta, Tucumán e Catamarca. Os vales dessa região remetem a magia e tradição, sempre atrelado às altitudes mais extremas.
Com uma área vitivinícola que compreende 6.000 ha cultivadas, a região norte é a segunda de maior área de cultivo vinícola, atrás apenas da região de Cuyou, onde está inserida a tradicional província de Mendoza.
A região Norte é composta por 03 vales principais, o vale Calchaquíes que está inserido nas províncias de Salta, Tucumán e Catamarca e também os 02 vales que ficam em Jujuy, os Vales Templados e Quebrada de Humahuaca.
É em Jujuy que está localizado o vinhedo mais alto do mundo, plantado a 3.3329 metros sobre o nível do mar, localizado em Uquía.
As principais castas cultivadas na região são a Bonarda, Cabernet Sauvignon, Malbec e Syrah.

Cuyo
A região de Cuyo é responsável por 95% da área plantada do país, com mais de 188 mil ha.
A região apresenta clima semidesértico com escassa vegetação, frio no inverno e quente no verão, potenciado pela influência dos Andes, que registram aqui suas maiores alturas e provêm a principal fonte de irrigação. A água pura de degelo nutre os principais rios da região, que são aproveitados mediante um sistema de barragens e canais para a irrigação dos cultivos.
Cuyo absorve as províncias de La Rioja, San Juan e a tradicional Mendoza. No centro-oeste do território, aos pés da cordilheira dos Andes, Mendoza concentra 75% do total de vinhedos da Argentina e a maior quantidade de vinícolas do país. Isto a transforma na mais importante província vitivinícola e um dos principais centros produtores do mundo.
O desenvolvimento alcançado pela vitivinicultura de Mendoza, somado às novas pesquisas impulsionadas, tem levado à identificação de microrregiões com características únicas no terroir, refletindo o caráter diverso da vitivinicultura do país. É na Malbec que se identifica principalmente a qualidade dessas características.
Patagônia e Região Atlântica
Posicionada na altitude mais baixa da Argentina, o terroir com influências de montanhas baixas e com bosques que se estendem até o nível do mar, trazem para os vinhos produzidos nessa região uma experiência única e muito especial.
A grande amplitude térmica, derivada da combinação entre latitude e baixa altura, e as abundantes horas de sol, somam-se às escassas precipitações e os fortes ventos que exercem influência nos cultivos, contribuindo à sanidade das uvas.
As províncias de La Pampa, Neuquén, Río Negro, Chubut e Buenos Aires, forma a Patagônia e Região Atlântica.
As uvas Chardonnay e Merlot são destaques na região que conta com um circuito de lagos paradisíacos. Representando cerca de 2% do plantado argentino, essa região ocupa uma área de cerca de 3.700 ha.
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