Alergia alimentar é doença séria mas tem tratamento

Uma investigação minuciosa feita por um médico qualificado é o segredo para o sucesso do tratamento, ou para adaptações seguras no cardápio 

Foto de formulário PxHere
Dr Viete Freitas é médico pediatra e imunoalergista com pós graduação nas duas especialidades. É empresário, atua em Brasília-DF e já foi professor .

Parece uma epidemia. Principalmente quem tem filho em idade escolar, já se deparou com uma criança que  tem alguma restrição alimentar.

Segundo  Dr Viete Freitas, alergia alimentar é uma doença autoimune em que o organismo do indivíduo responde de forma exagerada à determinados componentes presentes nos alimentos, em especial às proteínas. Pois envolve um mecanismo imunológico, intermediado pelos anticorpos chamados de Imunoglobulina E (IgE).

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), alimentos como leite, ovo, trigo e soja, tipicamente iniciados na infância, causam alergias mais provisórias e a grande maioria perde a alergia até a segunda década de vida.

Já amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar, passíveis de iniciar em qualquer idade, são tipicamente persistentes por toda a vida do indivíduo.

Sintomas de alergia alimentar

Segundo a ASBAI, para se desconfiar de uma alergia alimentar o paciente deve apresentar pelo menos um dos sintomas citados abaixo:

  • Reações cutâneas (vermelhidão na pele, coceira, urticária com ou sem inchaço de olhos, boca, orelhas etc.);
  • Reações gastrointestinais orais (coceira nos lábios e céu da boca, inchaço de língua ou de lábios,) e gastrointestinais baixas (dor abdominal, diarreia com ou sem presença de sangue nas fezes, vômitos, refluxo exacerbado);
  • Reações nas vias aéreas (congestão nasal, coceira, espirros, tosse, falta de ar, chiado no peito que se iniciam de forma abrupta);
  • Reações cardiovasculares (aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial, tontura, desmaios ou até mesmo perda de consciência);

Tipos de alergias

Dr Viete destaca que, a investigação do alimento que desencadeia a alergia, deve ser minuciosa. “Quando ingressei como médico alergista, há 40 anos atrás, só havia no mercado cerca de 8 tipos de testes possíveis. Hoje, na minha clínica eu consigo detectar e tratar mais de 150 itens,” enfatiza.

Ele explica que a alergia pode ir muito além das proteínas. “Falar de forma simplificada da alergia alimentar, reduzindo para meia dúzia de coisas é desorientar as pessoas, é rotineiro no meu dia a dia eu receber pacientes que recebem remédios paliativos ao invés dos adequados pela falta da testagem completa,” destaca Dr Viete.

O médico ressalta que ao preparar os alimentos, reações bioquímicas interagem durante a cozimento, e tais componentes possuem estruturas complexas. Por isso, a necessidade de aprofundar a investigação, e preparar um cardápio adequado.

Alimentação tradicional para prevenir

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Dr Viete é um árduo defensor da alimentação cultural e regionalizada. Ele diz que devemos comer os alimentos que nossas famílias comem tradicionalmente.

“Uma boa formação de cardápio tem a ver com sua cultura de origem, comer bem  não é comer exótico, é comer conforme a sua tradição familiar e social. Fazendo isso se reduz o risco de grandes reações alérgicas”, defende o especialista.

 

Intensidade da alergia

A seriedade da reação vai depender do grau de sensibilização, que é definido pela quantidade do anticorpo IgE no sangue do alérgico.

Funciona assim, após entrar em contato com uma substância alergênica, a pessoa forma o anticorpo IgE, depois disso pode-se dizer que ela torna-se sensível ao alérgeno em questão.

Quanto mais IgE presente no sangue mais grave é a alergia.

Tratamento

Segundo Dr Viete, grande parte dos tratamentos para  combater as alergias alimentares é feito por meio de vacinas  em gotas sublinguais. A vacina é formulada de forma exclusiva e prescrita de acordo com cada paciente.

Todavia em casos extremos, o médico recomenda que o alimento causador da alergia seja excluído do cardápio, ou quando possível são aplicadas vacinas injetáveis. Porém estas devem ser administrados em ambientes hospitalares para um pronto atendimento no caso de reações mais graves.

Alergia às proteínas do Leite

O consumo de leite é importante em várias fases da vida
O consumo de laticínios é importante em várias fases da vida humana Bebê foto criado por freepik – br.freepik.com

Uma particularidade da alergia à proteína do leite, é que ela costuma ser resolvida até a adolescência. O teste cutâneo permanece positivo apesar do aparecimento da tolerância ao alimento.

É um tipo de alergia alimentar que precisa ser tratada. Pois o  leite e seus derivados possuem um teor nutricional, sendo importante em todas as fases da vida humana.

Somente um médico especialista pode fazer o diagnóstico da doença, que pode ser confundida com intolerância à lactose.

Segundo a nutricionista Dra Adriane de Moraes, que é Doutora em Alimentos e Nutrição e professora do curso de Nutrição da Faculdade de Ciências Aplicadas da UNICAMP o leite contém diferentes tipos de proteínas e as alergias podem ser a alguma destas proteínas em específico, como caseínas ou alguma proteínas do soro do leite. Para uma melhor compreensão, conheça um pouco a composição proteica dos laticínios.

Proteínas do leite: 80% das proteínas do leites são as cinco tipos de caseínas (fosfoproteínas). O restante é constituído  de 16% de b-lactoglobulina e  4% da a-lactoalbumina. Ambas as proteínas do soro são nutricionalmente melhores que a caseína, devido ao maior conteúdo de aminoácidos essenciais, como lisina, metionina e triptofano. Já as outras proteínas (enzimas, imunoglobulinas e hormônios), são encontradas em pequenas quantidades.

A ASBAI alerta para o cuidado que a população tem que ter com modismos, e informações sem fundamentos de que o leite não faz bem à saúde. A entidade médica informa que eliminar os laticínios da dieta podem acarretar graves problemas para a saúde! Confira o comunicado aqui.

Esta reportagem foi produzida em parceria com o portal www.terraviva.com.br

Casa Lácteos Brasília-DF

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