Volta às aulas e os cuidados com a visão das crianças

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Foto: Nadine DoerléPixabay

Especialista recomenda cuidados com o uso da tecnologia, pois problemas de visão entre crianças e adolescentes aumentaram durante a pandemia

A rotina de aulas remotas em 2020 fez com que a exposição aos eletrônicos crescesse entre crianças e adolescentes. E com o coronavírus ainda está circulando, os colégios devem adotar modelos híbridos de educação, com estudantes em casa e outros tendo aula presencialmente. 

Dessa forma, o uso de smartphones, tablets, notebooks seguirá em alta neste ano. Isto porque a tecnologia estará presente no momento do estudo e nas horas vagas. 

Assim, pais e responsáveis precisam acompanhar de perto a saúde ocular dos filhos. Os especialistas lembram que problemas de visão podem interferir no rendimento escolar e na aprendizagem de forma geral.

Os pais precisam ficar atentos sempre ao comportamento dos filhos. Quando a criança erra ao anotar letras ou números, não enxerga algum objeto ou imagem, aperta os olhos para enxergar, aproxima o rosto dos brinquedos ou livros, tropeça (parece desajeitada) ou demonstra desinteresse ou desatenção na escola, ela precisa de um exame oftalmológico”, alerta o oftalmologista Natanael de Abreu Sousa, especialista em Neuroftalmologia e Estrabismo no Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), uma empresa do Grupo Opty.

Aumento de problemas de visão

Durante a pandemia do coronavírus, já se observa o crescimento no número de casos de estrabismo em crianças e adolescentes. O médico explica que “na infância, o uso de smartphones durante muitas horas aumenta o risco de desenvolver estrabismo convergente – ou esotropia – doença na qual os olhos ficam desalinhados, com desvio para dentro. Se essa distorção não for diagnosticada e tratada logo, poderá causar danos à visão, além da alteração estética, de impacto psicológico e social relevantes”.

Mesmo no atual contexto, o especialista reforça a importância de realizar o check-up oftalmológico. 

Dr. Natanael de Abreu Sousa. Foto: Divulgação

Uso da tecnologia e a visão 

Em tempos de isolamento social, aulas remotas e diversão por meio das telas, surgem dúvidas de como aproveitar a tecnologia de forma saudável. O Dr. Natanael de Abreu Sousa sabe que é inviável evitar a telinha, e ele indica que o uso de eletrônicos deve começar “depois dos dois anos de idade. Antes disso é melhor evitar”.

E quanto às crianças maiores de dois anos, existe um tempo máximo de utilização? O especialista responde: “crianças a partir de dois anos podem utilizar por 40 a 60 minutos diários, no máximo. Para os maiores de seis anos, o tempo não deve exceder a duas horas por dia e para adolescentes, não mais que três horas. Entretanto, se a criança tiver dificuldade de foco, apresentar olhos vermelhos e reclamar de ardência, turvação intermitente e dor de cabeça, isso quer dizer que está tempo demais em frente às telinhas e é necessário rever a rotina.”

O uso excessivo dos aparelhos eletrônicos pode sim aumentar as chances da criança ter miopia, mas vale lembrar que a doença tem também causas genéticas. “Há uma relação direta entre o uso excessivo da visão de perto e a quantidade de atividade externas – quanto mais tempo a criança passa ao ar livre, menor a progressão da doença”

Para reduzir as chances de ter miopia, o médico indica pausas durante o dia, olhar a paisagem e brincar ao ar livre, quando possível. Estas ações ajudam as crianças a ter hábitos mais saudáveis. O especialista ainda lembra que “quanto mais longe puder ficar da TV, melhor. À noite, os aparelhos devem ser desligados pelo menos uma hora antes de dormir e nunca se deve dormir com tablet ou smartphone por perto.”

Aulas presenciais

A volta às aulas presenciais também precisam seguir uma série de recomendações, a maioria já é bem conhecida: uso de máscara, evitar aglomeração e a higiene das mãos. Para o médico, “Os professores devem evidenciar, sempre que possível, que levar as mãos aos olhos abre uma porta de entrada para a infecção da Covid 19.  É importante salientar que a higienização assídua dos lugares e a individualização dos materiais utilizados também são necessários para evitar o contágio.  Com as devidas precauções, a escola continuará sendo um lugar de memórias agradáveis para as nossas crianças.”

Recomendações importantes

Os cuidados com a visão começam cedo, desde o nascimento. O oftalmologista indica que todo recém-nascido faça o “teste do olhinho”. “Com ele já é possível mapear algumas doenças, como depósito corneano (doenças de depósito, relacionadas ao erro inato do metabolismo), edema corneano (glaucoma congênito), catarata congênita ou descolamento de retina (inflamações oculares intrauterinas, má involução dos vasos do vítreo ou até retinoblastoma)”, explica.

A Academia Americana de Oftalmologia recomenda que uma nova consulta preventiva deve ser realizada entre 6 meses a 1 ano de idade. “Desde então, a consulta oftalmológica deve ser repetida, anualmente. Durante a idade pré-escolar (de modo geral, de 2-3 anos até os 7 anos de idade) o objetivo é diagnosticar precocemente patologias cujo tratamento em tempo hábil pode evitar o desenvolvimento de ambliopia ou atraso no aprendizado escolar”, disse o médico.

O oftalmologista destaca que “entre os jovens, as causas para perda de visão costumam ser trauma ocular, descolamento da retina e doenças neurológicas e degenerativas, como a neurite óptica. Por isso, consultar regularmente o oftalmologista é fundamental, pois quanto mais cedo o diagnóstico, mais rápido se inicia o tratamento e maiores as chances de recuperação da acuidade visual”.

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