Volta às aulas começa nas férias: como preparar a criança emocionalmente para o novo ano

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A volta às aulas começa ainda durante as férias, e o preparo emocional da criança pode ser mais importante do que a compra do material escolar. Especialistas em desenvolvimento infantil destacam que pequenas conversas e ajustes na rotina fazem grande diferença para um início de ano letivo mais tranquilo.

Enquanto muitas famílias deixam os preparativos para os últimos dias de janeiro, a diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School, do Rio de Janeiro, Cristiane Cristo, ressalta que o retorno à escola vai além da organização de horários. Para ela, trata-se de uma transição emocional que exige atenção e cuidado por parte dos adultos.

Segundo a educadora, a criança não retorna à escola apenas com a mochila, mas também com expectativas, inseguranças, curiosidades e sentimentos que precisam ser acolhidos. Quando o foco se restringe às listas de material e à rotina prática, o aspecto mais importante do processo acaba sendo deixado de lado: o vínculo emocional.

Cristiane explica que o primeiro passo para uma volta às aulas mais equilibrada não envolve cadernos ou livros, mas ajustes graduais no dia a dia. Horários de sono mais regulares, refeições feitas com calma e uma rotina menos agitada ajudam o corpo e o emocional da criança a se reorganizarem para o novo ritmo.

Ela destaca que o corpo precisa compreender que uma mudança está se aproximando. Quando a criança dorme melhor, tende a lidar de forma mais saudável com frustrações, mudanças e desafios.

Além da rotina física, o diálogo tem papel fundamental. Conversar sobre a escola, ouvir o que a criança sente e validar suas emoções contribui para a construção de segurança emocional. Para a educadora, perguntar como a criança se sente, o que espera do novo ano, o que a anima ou preocupa é mais eficaz do que discursos prontos ou explicações longas.

Outro ponto de atenção é a forma como os adultos apresentam a volta às aulas. Frases carregadas de cobrança ou comparações podem gerar ansiedade. A escola, segundo Cristiane, deve ser apresentada como um espaço de convivência, descobertas e crescimento, e não como um teste de desempenho.

Criar expectativas positivas envolve lembrar a criança dos vínculos que a aguardam, como amigos, professores, espaços conhecidos e experiências significativas. Para ela, é importante que a criança perceba uma continuidade entre casa e escola, sentindo-se segura nesse processo.

A diretora pedagógica aponta cinco atitudes simples que ajudam a preparar emocionalmente a criança. Retomar o sono de forma gradual evita cansaço e irritabilidade nos primeiros dias de aula. Conversar sem pressionar, ouvindo mais do que falando, ajuda a organizar sentimentos e expectativas. Relembrar experiências positivas da escola fortalece a sensação de pertencimento. Evitar discursos de cobrança mantém o foco na convivência e no aprendizado, e não apenas no desempenho. Estar emocionalmente disponível transmite segurança para enfrentar mudanças.

Para Cristiane Cristo, a volta às aulas deve ser encarada como uma transição, e não como uma ruptura brusca. Respeitar o tempo emocional da criança contribui para que ela inicie o novo ano mais confiante e aberta ao aprendizado.

Ela reforça que o preparo emocional é um gesto de cuidado essencial. A criança que se sente segura tende a aprender melhor, se relacionar com mais facilidade e enfrentar desafios com maior autonomia.