
A redução da movimentação humana é um benefício para os geocientistas.
A pandemia do novo coronavírus trouxe o caos a vidas e economias em todo o mundo. Mas o isolamento social feito, em todo o mundo, para conter a propagação da covid-19 levou à redução de vibrações sísmicas ligadas a atividades humanas. Ou seja, o planeta se moveu um pouco menos.
Os eventos naturais como os terremotos e erupções vulcânicas fazem com que a crosta terrestre se mova, o mesmo ocorre com as vibrações causadas por veículos e por máquinas industriais. E embora os efeitos individuais dos humanos possam ser pequenos, juntos eles produzem ruído sísmico que reduz a capacidade dos sismólogos de detectar outros sinais que ocorrem na mesma frequência no planeta.
Um estudo publicado no periódico científico Science e realizado por meio de redes internacionais de sismógrafos, cientistas descobriram que as vibrações terrestres ligadas a humanos diminuíram em média 50% entre março e maio deste ano.
“O período de pausa do ruído sísmico de 2020 é a redução de ruído sísmico global antropogênico mais longa e proeminente já registrada”, escreveram os pesquisadores. O trabalho foi desenvolvido pelo Real Observatório da Bélgica e mais cinco instituições, usando dados de 268 estações de monitoramento de 117 países.
As viagens foram praticamente suspensas no mundo todo, milhões de escolas e indústrias fecharam e muitas pessoas ficaram confinadas em casa.
As maiores reduções de vibrações induzidas por humanos foram vistas em áreas densamente povoadas, como Singapura e a cidade de Nova York, mas também foram observadas em áreas como a Floresta Negra da Alemanha e Rundu, na Namíbia.
Em Brasília
Os sismólogos belgas não são os únicos a notar os efeitos da quarentena. Um estudo do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) mostrou queda nos ruídos na capital federal durante os primeiros dias de isolamento social.
Os equipamentos da estação sismográfica de Brasília, instalados no Parque Nacional, sofrem influencia da circulação de pessoas, veículos e maquinas. A ausência deles diminui as vibrações sísmicas, provocadas por humanos, deixando a capital mais silenciosa.
Os cientistas dizem que este silêncio permite que os sismógrafos detectem terremotos menores, e é possível intensificar os esforços para monitorar a atividade vulcânica e outros eventos sísmicos.
Os resultados da pesquisa da UnB serão apresentados durante o Congresso Brasileiro de Geologia, que ocorrerá em Brasília, em outubro.