Inscrições para o Enem 2026 terminam na sexta-feira (5); saiba o que muda na prova e na redação

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 Foto: Marcello Casal Jr

Exame retoma certificação de conclusão do Ensino Médio, e especialista aposta em manutenção do formato de questões e maior exigência de repertório na redação

Com o fim do prazo de inscrições para o Enem 2026 marcado para esta sexta-feira (5), candidatos de todo o país se preparam para uma edição que promete consolidar mudanças introduzidas no ano passado. Além do aumento esperado no número de participantes, a prova deve manter a estrutura de questões integradas por um mesmo texto-base e elevar o nível de cobrança na redação, com menos espaço para repertórios genéricos.

A expectativa entre educadores é de que o Exame Nacional do Ensino Médio deste ano atraia mais inscritos do que nas edições recentes. Um dos principais motivos é o retorno da certificação de conclusão do Ensino Médio por meio do Enem, mecanismo que havia sido suspenso em anos anteriores.

De acordo com o edital, para obter o certificado, o participante precisará atingir no mínimo 400 pontos em cada uma das quatro áreas de conhecimento (Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática) e nota igual ou superior a 500 na redação.

“Para quem vai usar o Enem com foco no Sisu, ProUni ou vestibulares próprios, as regras permanecem as mesmas. A grande novidade é a volta da certificação, o que deve ampliar o interesse, especialmente entre jovens e adultos que não concluíram o ensino básico na idade regular”, explica Gabriel Remington, professor do Colégio Marista João Paulo II, em Brasília.

Formato da prova: tendência é manter o modelo de 2025

A estrutura das questões objetivas também deve repetir o formato implementado no ano passado, que gerou debates entre professores e estudantes. Na edição de 2025, o exame passou a adotar múltiplas questões baseadas em um mesmo texto de apoio — uma mudança que exige maior capacidade de interpretação e conexão entre diferentes áreas do conhecimento.

Segundo Remington, os indicativos são claros de que esse modelo será mantido em 2026. “Isso significa que o candidato precisará estar ainda mais atento à leitura atenta e à articulação de informações, já que um único estímulo pode render até duas ou três perguntas.”

Redação: adeus aos repertórios “coringa”

Na produção textual, a exigência deve ser ainda maior. O professor alerta que a correção da redação deve continuar privilegiando repertórios socioculturais legítimos, variados e bem integrados ao tema.

“Os chamados repertórios ‘coringas’ ou ‘de bolso’ — aqueles usados de forma repetitiva e sem conexão real com o argumento — tendem a perder espaço. O participante que se apoiar apenas em citações vagas ou referências óbvias corre sério risco de ter pontos descontados”, afirma.

A orientação, segundo ele, é que os candidatos ampliem suas referências culturais, filosóficas, históricas e artísticas ao longo da preparação, em vez de recorrer a fórmulas prontas.

Calendário e próximos passos

Os interessados ainda podem se inscrever até o dia 5 de junho exclusivamente pela Página do Participante (enem.inep.gov.br). A taxa de inscrição é de R$ 85, e há possibilidade de isenção para quem se enquadra nos critérios estabelecidos pelo Inep.

As provas do Enem 2026 serão aplicadas nos dias 1º e 8 de novembro, em todos os estados e no Distrito Federal.