Festival Latinidades, em sua 19ª edição, prioriza saúde mental dos trabalhadores da cultura

Foto: Tatiana Reis

Evento acontece em Brasília entre os dias 1 e 4 de julho; também haverá uma etapa internacional inédita no Central Park, em Nova York

 Do dia 1º a 4 de julho, acontece em Brasília a 19ª edição do Festival Latinidades, o primeiro festival de mulheres negras da América Latina e consolidado como uma das principais plataformas de circulação cultural, formação, articulação e incidência pública protagonizadas por mulheres negras. Em 2026, o Latinidades direciona o olhar para a saúde mental e as condições que sustentam trabalhadoras e trabalhadores da cultura.

Nascido em Brasília há quase 20 anos, o Latinidades propõe, neste ano, uma reflexão aprofundada sobre saúde mental na produção cultural: “não desejamos tratar a saúde mental apenas a partir da exaustão e do adoecimento”, conta Jaqueline Fernandes, especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça e em Estudos Afro Latino Americanos e Caribenhos e idealizadora do Festival Latinidades. “Sabemos que arte e cultura são linguagens que transformam e, nesse sentido, o Latinidades também propõe abrir espaço para falar de felicidade, descanso, prazer, desejo, espiritualidade, comunidade e bem viver”, afirma.

A abertura do Latinidades acontece no dia 1º de julho com o evento “Quem cuida de quem produz?”, uma atividade voltada à convidadas e pessoas previamente inscritas, realizada em um espaço especialmente escolhido para proporcionar uma experiência de acolhimento, conexão e cuidado. Em sintonia com o tema desta edição, “Saúde Mental Importa!”, o encontro reúne produtoras, técnicas e profissionais negras da cultura para refletir sobre os desafios da atuação no setor, compartilhar experiências e celebrar o bem viver. Das 8h às 18h, serão promovidas vivências sensoriais, roda de escuta e almoço coletivo, criando um ambiente seguro para trocas, afetos e reflexões sobre saúde mental, pertencimento e sustentabilidade da vida na cultura.

Ainda no dia 1º, na Rodoviária do Plano Piloto, será inaugurada a exposição Chão Ancestral, que permanecerá em cartaz até 31 de julho. A mostra celebra os 280 anos do Quilombo Mesquita, um dos mais antigos do Brasil, e homenageia a trajetória de resistência, liderança e preservação cultural das mulheres quilombolas brasileiras.

No Museu Nacional da República, o segundo dia do Festival promoverá três eventos. O primeiro, Purna Alquimia Intuitiva: Meditação Alquímica do Fogo, convidará o público, a partir de uma prática ancestral, a retornar aos caminhos de amor e bem-estar. No segundo, Fios ancestrais: Juventudes de Terreiro e os Saberes das Yabás, uma atividade proporá uma vivência formativa e criativa sobre ancestralidade, identidade, racismo religioso e resistência estética – concluindo com a construção coletiva de acessórios e pequenos amuletos inspirados nas Ìyábas, orixás femininas nas religiões afrobrasileiras. No Museu, acontece também, durante a tarde, uma feira com empreendedoras negras, além da Casa da Igualdade Racial, em parceria com o Ministério da Igualdade Racial. Fecha o programa do dia o Festival Humor Negro, reunindo nomes proeminentes na cena de humor.

Outros destaques da programação no Museu Nacional da República serão as mesas previstas para o dia 3 “Arte, saúde mental e bem viver”, com as artistas Linn da Quebrada e Karol Conká e mediação de Val Benvindo, e “Audiências Brasileiras: cultura negra, construção de público e propósito”, reunindo as organizações dos festivais Latinidades, Batekoo, Psica e Afropunk, sob mediação de Taiane de Bittencourt, do Instituto Cultura, Comunicação e Incidência. O terceiro dia do Latinidades será marcado pelo lançamento do programa “Descansa Nêga”, do Fundo Agbara, em uma atividade coletiva de partilha sobre viagens , descanso e memórias afetivas.

Festival Latinidades terá seu último dia de atividades no dia 4 na Universidade Afrolatinas, com o evento “Julho das Pretas que escrevem no DF convida a escritora Ana Maria Gonçalves”, que promove o aquilombamento literário e tem como objetivo exaltar a produção literária e editorial de mulheres negras, além de combater o apagamento e a invisibilização histórica do seu trabalho. Idealizado pela escritora e jornalista Waleska Barbosa, a atividade reunirá autoras do DF e terá sarau, homenagens, apresentação de obras literárias, e palestra com Ana Maria Gonçalves, autora de “Um Defeito de Cor”, a primeira mulher negra a Academia Brasileira de Letras.

Em parceria com o Data_labe e o Coletivo Mawê, o Instituto Afrolatinas, realizador do Latinidades, desenvolverá uma pesquisa, inédita e com abrangência nacional, sobre saúde mental de trabalhadoras e trabalhadores da cultura.

Outro destaque desta 19ª edição do Festival Latinidades será a presença inédita em Nova York. Nos dias 24 e 25 de julho, nos bairros do Brooklyn e Harlem, territórios simbólicos da diáspora negra, será exibido o filme “Afrolatinas: mulheres negras em movimentos”, produzido pela Universidade Afrolatinas e Odun Filmes.

No dia 26 de julho, será realizado no Central Park, um dos mais icônicos parques do mundo, o Afro-Latinas Concert, em parceria com o SummerStage e o Afro-Latino Festival, reunindo artistas da América Latina, do Caribe e dos Estados Unidos da América. O espetáculo será dedicado às mulheres negras. Entre os destaques do concerto, que terá entrada franca, estão a brasileira Luedji Luna, que recebe Liniker, a cantora peruana duas vezes ganhadora do Latin Grammy Award Susana Baca, a panamenha Mai-Elka Prado Gil, que fará show junto com o Lush Song Collective, além da DJ jamaicana de dancehall e reggae Lady G e da estadunidense DJ Agent DMZ, que traduz em seus sets boa parte de sua experiência de pessoa de ascendência afro-porto-riquenha.

Serviço

Festival Latinidades – Brasília

Data: 01 a 04 de julho de 2026

Exposição Chão Ancestral
Onde:Rodoviária do Plano Piloto
Data e Horário: Abertura no dia 01 de julho, quarta-feira, às 10h; encerramento em 31 de julho.
Mostra fotográfica com registros de Walisson Braga, Luiz Alves e Webert da Cruz, realizada em parceria com a Conaq. O projeto celebra os 280 anos do Quilombo Mesquita e exalta a resistência histórica das mulheres quilombolas brasileiras.

Encontro “Quem cuida de quem produz?”
Data e Horário: 01 de julho, quarta-feira, das 9h às 18h.
Atividade voltada exclusivamente para o acolhimento de produtoras, técnicas e profissionais negras que atuam nos bastidores da cultura. Conduzido por Yeye Oshun e Yasmin Moreira, o encontro promove vivências sensoriais, almoço coletivo e uma roda de escuta sobre saúde mental na produção cultural.

Museu Nacional da República

Casa da Igualdade Racial – MIR
Onde: Espaço Geral do Museu
Data e Horário: Dia 02 de julho (quinta-feira, horário ainda não especificado) e dia 03 de julho (sexta-feira), das 14h às 20h.
Espaço dedicado às ações e programações institucionais ligadas à igualdade racial.

Vivência “Fios ancestrais: Juventudes de Terreiro e os Saberes das Yabás”
Onde: Anexo do Museu
Data e Horário: 02 de julho, quinta-feira, às 15h30 (com duração de duas horas).
Oficina criativa e formativa focada na potência simbólica de contas, fios e adereços nas tradições de matriz africana, com capacidade para 80 pessoas.

Feira Latinidades
Onde: Anexo do Museu
Data e Horário: 03 de julho, sexta-feira, das 15h às 20h (com duração de cinco horas).
Espaço de comercialização, circulação de produtos e economia criativa integrado ao festival.

Purna Alquimia Intuitiva: Meditação Alquímica do Fogo
Onde: Auditório II
Data e Horário: 02 de julho, quinta-feira, das 14h às 15h.
Prática conduzida pela terapeuta transpessoal Clarice Val Purna, voltada à reflexão sobre a conexão entre a saúde física, mental e emocional e o alinhamento da energia vital.

Festival Humor Negro
Onde: Auditório II
Data e Horário: 02 de julho, quinta-feira, às 20h (com duração de 90 minutos).
Apresentações de stand-up comedy t das humoristas Niny Magalhães (DF) e Magali Moraes (BA).

Mesa: Arte, saúde mental e bem viver
Onde: Auditório II
Data e Horário: 03 de julho, sexta-feira, às 14h (com duração de 90 minutos).
Debate com a presença das artistas Linn da Quebrada e Karol Conká, sob a mediação de Val Benvindo. O painel discute trajetórias na música, processos criativos, limites e redes de apoio.

Painel “Audiências Brasileiras: cultura negra, construção de público e propósito”
Onde: Auditório II
Data e Horário: 03 de julho, sexta-feira, às 15h30 (com duração de 90 minutos) ).
Roda de conversa mediada por Taiane de Bittencourt (ICCI) com a participação dos representantes das plataformas Festival Latinidades, Batekoo, Psica e Afropunk. Debate como essas iniciativas constroem o diálogo com o público e geram impacto comercial e social.

Lançamento do programa “Descansa Nêga” – Fundo Agbara
Onde: Auditório II
Data e Horário: 03 de julho, sexta-feira, às 17h (com duração de uma hora).
Vivência coletiva em formato de microfone aberto comandada por Carolina (Fundo Agbara), convidando mulheres negras a compartilharem relatos e fotos de viagens, abordando o descanso como direito e afeto.

Lançamento do livro de Monique Evelle
Onde: Auditório II
Data e Horário: 03 de julho, sexta-feira, às 19h (com duração de duas horas).
Sessão de lançamento oficial da obra literária “Viagens que a gente não faz por agenda, faz por amor”, publicada pela Editora BestSeller.

VI Encontro Julho das Pretas que Escrevem no DF (Universidade Afrolatinas)
Onde: Auditório II
Data e Horário: 04 de julho, sábado, das 14h às 18h.
Atividade literária focada no tema “Um efeito de cor: mulheres negras reescrevem o mercado editorial”, idealizada pela jornalista Waleska Barbosa. O encontro é gratuito, reúne cerca de 70 autoras locais e conta com uma palestra especial da escritora mineira Ana Maria Gonçalves.