
Com a expectativa de mais de 150 concursos previstos para o segundo semestre de 2026, muitos brasileiros estão de olho na estabilidade e nos salários do serviço público. Mas para quem nunca estudou para uma seleção desse porte, a primeira pergunta costuma ser a mesma: por onde começar?
O professor e coordenador do IMP Concursos, Thiago Medeiros, afirma que a preparação ideal começa bem antes da publicação do edital. Quem espera o documento sair para iniciar os estudos geralmente sai em desvantagem, porque muitas disciplinas básicas são cobradas em diferentes certames e podem ser aproveitadas de um concurso para outro. O planejamento antecipado é o que diferencia quem chega competitivo de quem chega atrasado.
O erro mais comum entre iniciantes
Segundo Medeiros, o principal tropeço dos novatos é tentar abraçar o mundo de uma vez. Muitos começam estudando todas as disciplinas simultaneamente, acumulam materiais em excesso e montam uma rotina insustentável. O resultado é frustração e desistência. Ele ressalta que a maioria das pessoas não reprova por falta de estudo, mas por falta de organização. A estratégia deve vir antes da quantidade.
Escolha do concurso: o primeiro não precisa ser o dos sonhos
Antes de montar um cronograma, o candidato precisa definir uma direção. A escolha do certame deve levar em conta o perfil pessoal, a formação acadêmica, os objetivos de carreira e o tempo disponível para estudar. Medeiros orienta que o primeiro concurso não precisa ser o emprego dos sonhos. Ele pode funcionar como uma porta de entrada, uma experiência que ensina sobre o processo e gera confiança para voos maiores.
Entre os concursos mais procurados por iniciantes estão os bancários, como o do Banco do Brasil, que tradicionalmente oferece vagas de nível médio com remuneração inicial acima de R$ 4 mil. Também estão na mira da galera a Caixa Econômica Federal, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, áreas administrativas da Polícia Rodoviária Federal e diversos órgãos da administração pública.
Rotina sustentável vale mais que muitas horas
O especialista derruba um mito comum: não existe carga horária mágica. A melhor rotina é aquela que o candidato consegue repetir por meses, não a mais pesada. Quem trabalha ou estuda não precisa se cobrar por dez ou doze horas diárias. O que realmente importa é a constância. Estudar todos os dias, ainda que por pouco tempo, é muito mais eficaz do que passar semanas sem tocar no material.
Para quem está começando agora, Medeiros recomenda algumas atitudes práticas: definir o concurso ou a área de interesse antes de comprar materiais; montar um cronograma realista; priorizar as disciplinas básicas que caem em vários editais; combinar teoria com revisões e muitas questões; acompanhar o próprio desempenho para identificar pontos fracos e, principalmente, evitar comparações com outros candidatos, focando na evolução pessoal.
A ansiedade é parte do processo, mas não pode paralisar
A pressa por resultados é natural, mas a aprovação é consequência de um processo contínuo. Medeiros conclui que não existe método perfeito, existe o método que o candidato consegue manter. Ter direção, começar o quanto antes e construir uma rotina sustentável faz muito mais diferença do que buscar atalhos. Mesmo antes dos editais saírem, dá para adiantar o estudo das disciplinas mais recorrentes. Com um segundo semestre promissor pela frente, quem começa agora pode chegar muito mais preparado quando as oportunidades baterem à porta.




















