Entenda a importância das redes geodésicas para a infraestrutura do país

Estação Maregráfica Brasileira auxilia estudos sobre o atlântico sul – Foto Salomão Soares

Sistema Geodésico Brasileiro auxilia na construção de grandes obras e previne catástrofes naturais

Demarcação de terras agrícolas, detectar distúrbios na atmosfera, alertar perigo de tsunami no Atlântico Sul, todas essas atividades fazem parte das tarefas desempenhadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tendo em vista que trata-se de serviços poucos convencionais e que são diretamente associados a funções geográficas, enganou-se quem pensa que o trabalho dos colaboradores do IBGE está ligado somente aos cálculos de estatística. Para auxiliar na elaboração dos relatórios, o instituto conta com a Rede Maregráfica Permanente para Geodésia (RMPG) e da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS (RBMC), ambas redes geodésicas produzidas nacionalmente.

Para quem necessita do suporte dessas informações para algum objetivo, os dados são de acesso público e podem ser baixados gratuitamente em arquivos atualizados diariamente na RBMC e RMPG. As duas redes possuem relatórios que disponibilizam detalhes técnicos das estações e informações úteis para manuseio desses dados.

Para mapear grandes áreas do país, o IBGE possui seis estações maregráficas ativas, situadas nas cidades de Imbituba (SC), Arraial do Cabo (RJ), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belém (PA) e Santana (AP). Cada instalação tem dois sensores de nível d’água, no objetivo de analisar as variações do nível do mar para estudos climáticos e para sistemas altimétricos costeiros às altitudes oficias do Sistema Geodésico Brasileiro.

A Gerente de Geodésia, Sonia Costa, demonstrou a importância do país e no continente, a relevância na produção de geoinformação, não apenas no campo da geodésia, mas também para a área de cartografia e infraestrutura de dados espaciais. “A geodésia é a camada de referência para toda informação georreferenciada. Até 2005, tínhamos uma metodologia antiga, não havia sistemas de satélites e a cartografia dos países não podia ser integrada. Hoje já há quatro sistemas que formam o GNSS (Global Navigation Satellite System), o GPS (americano), o Glonass (russo), o Galileo (europeu), Beidou (chinês), que facilitam o monitoramento de desastres naturais e permitem disparar alertas. O Japão tem expectativa de já no próximo ano ter precisão centimétrica”, destaca Sônia.

As informações levantadas pelas estações da RMPG funcionam para diversos fins, como redução de sondagens para conservação e ampliação da capacidade portuária e vias navegáveis, implantação de infraestrutura e construções (portos, rodovias, redes de água e esgoto) no litoral e estudo de possíveis medidas de adaptação e mitigação dos impactos causados pela elevação do nível do mar.

“A cada minuto, temos o registro de nível d’água das estações, e a cada 5 minutos enviamos para os bancos de dados as informações captadas”, explica Salomão Soares, gerente de Redes Verticais do IBGE. A transmissão de dados é feita tanto por antena de telefonia quanto por satélite. “Esta duplicidade é fundamental para garantir a manutenção da oferta deste serviço para sociedade, no caso de problemas com algum deles”, relembra o técnico. E se tudo falhar na transmissão? “Nesse caso, ainda temos um último recurso: o cartão de memória da estação, que grava todos os dados”, argumenta Salomão.

Relevância do georreferenciamento

Equipamento topográfico | Créditos: PixaBay/Banco de Imagens

Uma das principais funções está no mapeamento das coordenadas exatas de latitude, longitude e altitude, que são vitais para o bom funcionamento da agricultura de precisão, estudos atmosféricos e demarcação de terras. Muito utilizada por profissionais como topógrafos e engenheiros, que necessitam do levantamento para realizar os trabalhos de georreferenciamento, para apoio às obras de infraestrutura e mapeamento.

A RBMC ajuda na referência para vários estudos científicos, como as pesquisas sobre as perturbações na atmosfera (que afetam os sistemas de transmissão de energia elétrica e comunicações), complementa as análises sobre a variação do nível do mar na costa brasileira e sobre as variações verticais da crosta que ocorrem na região Amazônica devido à carga de massa d’água, entre outros estudos de geodinâmica.

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