Covid-19: Cientistas identificam anticorpo capaz de parar o coronavírus

Estima-se que pelo mundo há mais de uma centena de equipes de investigação à procura de uma vacina contra o coronavírus. Os resultados já começam a ser divulgados, no entanto, a vacina deverá chegar no próximo ano.

A semana começou com boas notícias sobre soluções para o enfrentamento ao novo coronavírus com a divulgaçao de um estudo em que os cientistas identificaram anticorpo capaz de parar o coronavírus. Pesquisadores da Universidade de Utrecht, do Erasmus Medical Center e do Harbor BioMed divulgaram que conseguiram identificar um anticorpo que evita a infecção de células pelo SARS-CoV-2.

A descoberta, publicada nesta segunda-feira (4) na Nature Communications,é um passo inicial para o desenvolvimento de um anticorpo capaz de tratar ou prevenir a Covid-19.

Berend-Jan Bosch, PhD, professor e pesquisador na Universidade de Utrechet e um dos autores do artigo publicado na Nature, conta que a pesquisa atual “baseia-se no trabalho que nossos grupos fizeram no passado em anticorpos direcionados ao SARS-CoV que surgiu em 2002/2003”.

Assim, os pesquisadores: “usando esta coleção de anticorpos SARS-CoV, identificamos um anticorpo que também neutraliza a infecção por SARS-CoV-2 em células cultivadas. Esse anticorpo neutralizante tem potencial para alterar o curso da infecção no hospedeiro infectado, apoiar a eliminação do vírus ou proteger um indivíduo não infectado que é exposto ao vírus”, explica o professor.

O dr. Bosch ainda observa que o anticorpo se liga a um domínio que é encontrado tanto no vírus causador da Sars quanto o vírus do coronavírus, por isso, esse anticorpo é capaz de neutralizar os dois. “Esse recurso de neutralização cruzada do anticorpo é muito interessante e sugere que ele pode ter potencial na mitigação de doenças causadas por coronavírus relacionados a emergentes futuros”.

Geralmente, os anticorpos terapêuticos convencionais são desenvolvidos primeiro em outras espécies e, depois, são submetidos a outras pesquisas para humanizá-los. A descoberta publicada nesta semana já mostra um avanço, como explica Frank Groveld, co-autor principal do estudo, professor da Academia de Biologia Celular, Centro Médico Erasmus, Roterdã e Diretor Científico Fundador da Harbor BioMed, “o anticorpo usado neste trabalho é ‘totalmente humano’, permitindo que o desenvolvimento prossiga mais rapidamente e reduzindo o potencial de efeitos colaterais relacionados ao sistema imunológico”.

Pesquisa Israelense

O avanço científico também foi anunciado pelo Instituto de Israel para a Investigação Biotecnológica, do Ministério da Defesa. Os pesquisadores confirmaram que identificaram um anticorpo também com a capacidade de parar o coronavírus. A expectativa é, após o pedido de patente for concluído, inicie-se a fabricação em escala comercial.

No entanto, o desenvolvimento de uma vacina deve demorar cerca de 18 meses. 

Avanços também no Brasil

Técnicas de biotecnologia para desenvolver uma vacina contra o covid-19 é a estratégia dos pesquisadores do Instituto Butantan em São Paulo. Com apoio do Fundo de Amparo a Pesquisa de São Paulo (Fapesp), a pesquisa vem sendo conduzida com o objetivo de induzir, no paciente, a resposta imune adequada para combate ao coronavírus.

O mecanismo utilizado pelos pesquisadores seria o mesmo usado por algumas bactérias para enganar o sistema imune. Essas bactérias liberam pequenas esperas com o material das membranas delas para desviar a defesa do organismo.

Para o desenvolvimento de uma vacina acelular, os pesquisadores propõem duas estratégias. A primeira é o uso de proteínas recombinantes de antígenos de superfície do novo coronavírus, que auxiliam na produção de anticorpos contra o coronavírus. A segunda estratégia é utilizar a membrana externa como matriz para imitar o vírus. 


*Com informações da Agência Brasil e Agência Fapesp

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