fbpx

“Coronaceno” propõe reflexões sobre a pandemia no Museu do Amanhã

Foi prorrogada até 27 de junho a exposição “Coronaceno – reflexões em tempos de pandemia”, no Museu do Amanhã. O projeto é fruto de parceria entre o museu, o Ministério do Turismo e as organizações Globo, com o objetivo de mostrar as possíveis razões que levaram ao surgimento da pandemia, suas consequências imediatas e os desafios futuros que ela nos obrigará a enfrentar. 

Fiz questão de conferir a “Coronaceno” por entender que ela faz um registro histórico necessário. Aqui na coluna tenho dado dicas de cultura e gastronomia, incluindo programas que levam necessariamente a algum contato social e, consequentemente, a algum risco de contaminação pela Covid-19. Assim, penso que abordar este assunto – ainda que em forma de dica cultural – pode representar um contrapeso, no sentido de mostrar minha preocupação com o tema e o quanto esta pandemia também mexeu comigo.

Coronaceno
Exposição “Coronaceno” fica até 30 de maio no Museu do Amanhã.

Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades”. A poesia visionária de Cazuza me veio imediatamente à cabeça. O Museu do Amanhã é um museu diferente, cuja matéria-prima não é a história, o passado, mas o futuro.

E logo na entrada, o texto da exposição nos lembra que a humanidade já sofreu com outras pandemias: peste negra, gripe espanhola, HIV. Certamente esta não será a última: o coronaceno é apenas a primeira fase do antropoceno, período histórico em que o ser humano é protagonista das mudanças no planeta.

Antropoceno”, aliás, é o nome da exposição permanente no Museu do Amanhã. “Nós orientamos os visitantes a visitarem a exposição temporária antes. As duas são complementares, sendo que a primeira reflete as consequências das condições criadas pelo homem no antropoceno”, explica a supervisora de atendimento Nara Campos. Eu já havia visitado a exposição principal e, desta vez, me concentrei apenas na “Coronaceno” – mas vale a pena fazer o circuito completo.

Coronaceno
“Do vírus à pandemia”: como prevenir a próxima?

Na ala de abertura o visitante encontra uma homenagem aos trabalhadores da linha de frente, com belas fotos em painéis. Ao lado, pode-se ver imagens de grandes pontos turísticos do mundo, como as praias do Rio, absolutamente vazios. Em seguida, há 5 salas com diferentes temáticas. A primeira, “Do vírus à pandemia”, apresenta uma réplica do vírus e um vídeo que mostra como o desmatamento e o tráfico de animais pode ter levado à contaminação humana. Um dado é alarmante: 3 a cada 4 novas doenças vêm de animais. Nas paredes, marcas de mãos fluorescentes lembram os riscos de contaminação. “Como prevenir a próxima pandemia?” é uma das reflexões propostas.

A próxima sala chama-se “Sociedades transformadas” e apresenta um grande painel com a imagem de prédios e janelas, em que há fotos de pessoas com máscaras. Um grande espelho mostra que VOCÊ também é um desses rostos. Há ainda um vídeo, com divisão em 2 telas, mostrando diversas transformações na vida das pessoas em função da pandemia. “Como nossas escolhas individuas podem fortalecer a saúde coletiva?” é uma das reflexões propostas.

Coronaceno
Sociedades transformadas: “Como nossas escolhas individuas podem fortalecer a saúde coletiva?”

A terceira sala, “Memorial aos que partiram”, é a mais emocionante. Antes de ver a exposição, a supervisora Nara me fez uma breve apresentação do espaço. Quando passamos por esta sala, ela disse: “aqui é onde as pessoas ficam mais emocionadas”. “Ah, é?”, perguntei meio incrédulo. Mas quando voltei para olhar com atenção, entendi a razão: precisei segurar as lágrimas ao ler a poesia “Os dois horizontes”, de Machado de Assis, ao som de uma bela música e rodeado por nomes de pessoas que se foram. A instalação ao centro, repleta de ampulhetas, mostra como o tempo e a vida são preciosos. Inevitável pensar nas pessoas queridas que partiram.

Coronaceno
“Memorial aos que partiram”: momento mais emocionante da exposição.

Depois de respirar fundo, segui para a sala “A ciência é protagonista”. Nela, há equipamentos reais utilizados no diagnóstico da Covid-19 e um texto apresentando o conceito de “sindemia”, que eu ainda não conhecia. O termo indica que diversos fatores contribuem para a expansão da moléstia, como desigualdade de renda, do acesso à saúde e até da qualidade da alimentação entre as classes sociais. “Como ciência e sociedade podem superar juntas os desafios do amanhã?” é a reflexão proposta. Nas paredes, códigos em QR Code levam a outros conteúdos.

Coronaceno
“Como ciência e sociedade podem superar juntas os desafios do amanhã?”

A última sala chama-se “A cultura é o caminho”. Nela, há um telão montado como um palco de teatro e duas telas menores. As imagens incluem iniciativas de artistas durante a pandemia, no intuito de levar cultura, alegria e leveza para as pessoas em isolamento. O texto chama atenção para o drama vivido pelo meio cultural (o primeiro setor a fechar), mas também a criatividade dos artistas para tentar driblar adversidades. Faço questão de registrar aqui minha solidariedade aos colegas músicos, em especial.

A cultura e a criatividade nos deixaram, nos deixam, nos deixarão, mais fortes. Sempre” – é a reflexão proposta. O Museu do Amanhã segue normas rigorosas de segurança e os ingressos só podem ser comprados pela internet (R$ 30 inteira, R$ 15 meia).

Coronaceno
“A cultura e a criatividade nos deixaram, nos deixam, nos deixarão, mais fortes. Sempre”

DICA CARIOCA

Neste domingo, a partir das 17h30, tem ‘live’ do multi-instrumentista, cantor e compositor PC Castilho, no perfil dele no Instagram (@pccastilho). O músico vai apresentar canções autorais de seu álbum “Vento Leste” e inéditas do projeto “Tambor do mar”, que já conta com um single nas redes e virará um álbum completo.

Contexto Carioca
O cantor, compositor e multi-instrumentista PC Castilho apresenta ‘live’ com músicas autorais neste domingo!

A apresentação incluirá, ainda, algumas composições saídas do forno e parcerias com nomes como Nei Lopes, Rodrigo Maranhão, Marcelo Caldi, Carmélio Dias e Luis Perequê. Um show cantado e instrumental, com a diversidade da música brasileira: vale a pena conferir! 🙂

CLIQUE AQUI E OUÇA A PLAYLIST DA COLUNA DESTA SEMANA!

Conheça outras descobertas de Gabriel Versiani pelo Rio de Janeiro em outras edições da coluna Contexto Carioca aqui!

Acompanhe o colunista @_gabriel_versiani também no Instagram!

Ler esta notícia me deixou:
Open chat
Olá,
Agradecemos o seu contato! Como podemos te ajudar?