Comparação sem pausa: o impacto psicológico das redes sociais em um mundo desigual

Foto: divulgação

Em um cenário marcado por exposição permanente e comparação contínua, as redes sociais têm ampliado a percepção das desigualdades e produzido impactos significativos sobre a saúde mental. É nesse contexto que o Eu Invisível apresenta, no dia 13 de fevereiro, às 18h, um novo diálogo digital que discute visibilidade, desigualdade e subjetividade na era das plataformas.

Uma pesquisa publicada no American Journal of Preventive Medicine aponta que jovens com maior tempo de permanência nas redes têm até duas vezes mais chances de se sentirem socialmente isolados, condição associada à perda de senso de pertencimento, à redução do engajamento social e ao enfraquecimento de vínculos interpessoais. A circulação constante de imagens idealizadas de sucesso, consumo e felicidade ajuda a explicar esse fenômeno, ao intensificar sentimentos de inadequação e reforçar desigualdades já existentes.

A partir desse cenário, o Eu Invisível propõe uma reflexão sobre desigualdade, autoestima e os efeitos subjetivos da vida digital. A iniciativa reúne dados de pesquisas recentes e análises filosóficas para discutir como a tecnologia ampliou a visibilidade das diferenças sociais sem, necessariamente, reduzi-las.

Para o filósofo e professor Salviano Feitoza, a promessa de democratização associada às redes sociais não se concretizou. “As plataformas ampliaram desigualdades para outro território. Criamos tecnologias sofisticadas, mas mantivemos as mesmas técnicas de preservação do abismo social, reproduzindo marcadores de gênero, raça e classe sob uma nova estética”, analisa.

Além do impacto estrutural, o uso intensivo das redes sociais está associado ao aumento de estresse, ansiedade e sintomas depressivos. A lógica algorítmica, orientada por engajamento, tende a estimular ciclos de comparação e insatisfação, sobretudo quando o cotidiano do usuário é constantemente confrontado com estilos de vida inalcançáveis.

Para o filósofo Panda Mendes, a tecnologia funciona como uma lente de aumento das desigualdades sociais. “A internet colocou uma lupa sobre diferenças que sempre existiram. A baixa autoestima leva a mais tempo de exposição, o que gera mais comparação e uma sensação permanente de inadequação. Comparar-se é humano; viver sob comparação constante, mediada por algoritmos, é adoecedor”, afirma.

Outro efeito recorrente é o impacto emocional da desigualdade exibida em tempo real. Para a comunicadora Cris Siqueira, a exposição contínua a performances de uma vida idealizada produz um desgaste silencioso. “Ser atravessado por imagens de sucesso e consumo em plena rotina comum cria o desejo por uma vida impossível, gerando um desconforto imediato que se acumula no cotidiano”, observa.

O texto também chama atenção para a relação entre redes sociais, materialismo e consumo. Os sistemas de recomendação tendem a privilegiar conteúdos associados à distinção social, estimulando práticas de consumo orientadas por validação externa e status. Nesse ambiente, o desejo deixa de ser elaborado subjetivamente e passa a ser induzido pela comparação contínua, aprofundando frustrações e desigualdades simbólicas.

Ao articular dados empíricos e reflexão crítica, o Eu Invisível se consolida como um espaço de análise sobre os efeitos sociais e subjetivos da vida hiperconectada, em um cenário no qual desigualdades estruturais passam a ser experimentadas, e comparadas, em tempo real.

O material completo estará disponível no canal Cris e Panda, no YouTube, a partir de 13 de fevereiro:

https://www.youtube.com/@crisepanda/

SERVIÇO

Diálogo digital: O mundo sempre foi desigual
Participações: Salviano Feitoza, filósofo
Data de lançamento: 13/02/2026