[Bastidores de você] Tudo e Nada.

As pessoas passam em minha vida e em sua grande maioria vejo um ponto em comum, talvez sintoma de nossa era. Vejo pessoas se julgando como nada e vejo pessoas se percebendo como tudo. O ponto em comum é que as que se percebem como nada o fazem por falta de amor próprio e as que se acham tudo o fazem porque são egocêntricas ao extremo.

Poderia discorrer rios de palavras sobre o funcionamento psíquico dessas pessoas, mas esse não é o objetivo do presente, pelo contrário, o objetivo é mostrar que temos que ser tudo e nada ao mesmo tempo para ter uma vida em harmoniosa. A dificuldade repousa em saber retirar sua “persona” da face e ver exatamente quem você é e dosar ambos modos de funcionamento.

Uma pessoa que é egocêntrica acredita que o eixo gravitacional do universo é seu umbigo, porém, num exercício simples é possível quebrar essa percepção. Quando as pessoas vem até mim com esse discurso eu faço uma pergunta… “me fala o nome de todos os seus oito bisavós!”… Normalmente a resposta é parcial ou um profundo silêncio. Nesta hora eu digo para a pessoa, repara que os avós de seus pais, duas gerações acima de você não são lembrados e aí eu pergunto para a pessoa, qual o tamanho da sua finumitude?

Eu tento mostrar para essa pessoa que no panorama universal somos poeira atômica e a verdadeira sabedoria está em mesclar seu egocentrismo com a sua insignificância diante da vida e assim perceber que a sabedoria repousa em conhecer que não se é tudo e ninguém se basta por si só.

Do outro lado a pessoa que se diminui, que se sente um nada, eu costumo perguntar sobre o amor, perguntar sobre o amor que sua mãe lhe depositou, seu pai, seus filhos, enfim como que, mesmo a pessoa achando que não é nada, o amor a edifica perante o outro e a torna o centro daquele universo estabelecido entre a pessoa e o outro.

Meu objetivo é mostrar para a pessoa que um pouco de egocentrismo lhe dará a condição de se perceber, de se amar e consequentemente ter uma vida mais leve, com menos sofrimento, onde a pessoa consiga reconhecer sua importância para o contexto da vida e que ela é necessária em seu canto de universo.

A vida flui sempre no meio desse lugar, onde temos o remanso da paz de espírito na conjunção da sabedoria de que em um plano macro não somos nada e no plano micro, do espaço em que eu me localizo no universo eu sou tudo.  Quando percebo que sou nada, me torno sábio, quando percebo que sou tudo, isso é o amor. Neste meio flui a vida.

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