Especialistas reforçam que leite é seguro, nutritivo e acessível

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Alimento consumido por mais de 80% da população mundial ainda é alvo de mitos nas redes sociais, apesar de ser fonte de cálcio, proteínas e minerais

Consumido regularmente por 6,5 bilhões de pessoas em todo o mundo, o equivalente a mais de 80% da população mundial, conforme estimativa da International Dairy Federation (IDF), o leite de vaca continua sendo um dos alimentos mais populares e acessíveis.

Apesar disso, o produto frequentemente é alvo de boatos e desinformação nas redes sociais, especialmente em relação aos seus benefícios para a saúde.

Com exceção de pessoas com restrições específicas, como quadros alérgicos ou intolerância à lactose, o leite é considerado um alimento saudável para grande parte da população. Esse entendimento foi reforçado em 2023, quando a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) divulgaram documento conjunto sobre o consumo de leite e derivados.

No documento, as entidades afirmam que o leite é um alimento historicamente consumido pelo ser humano e que houve adaptação evolutiva para a obtenção de nutrientes a partir dele e de seus derivados.

Fonte de cálcio, proteínas e minerais

Segundo Carolina Nobre, nutricionista especializada em Nutrição Clínica Funcional, o leite é uma fonte importante de nutrientes.

“O leite é sim um alimento muito interessante. Rico em proteína, em cálcio e em muitos minerais interessantes, é um alimento fundamental para nossa saúde óssea e muscular, em todas nossas fases de vida, da infância à melhor idade”, explica.

A especialista, que atende no Órion Complex, em Goiânia, também destaca a acessibilidade do produto.

Segundo ela, o leite é um alimento de fácil acesso tanto pelo custo quanto pela ampla distribuição. “É um alimento bem versátil e acessível, inclusive às camadas sociais de baixa renda”, afirma.

Tecnologia aumentou segurança e durabilidade

Carolina também chama atenção para a evolução do processamento do leite ao longo das décadas.

“O leite é hoje um alimento super seguro, em grande parte por uso de tecnologias de processamento e envase como as versões do leite UHT, também conhecido como longa vida”, explica.

De acordo com a nutricionista, o uso de embalagens cartonadas assépticas também contribuiu para ampliar a durabilidade do produto.

“Você tem também hoje o uso em larga escala das embalagens cartonadas assépticas que garante uma longevidade do leite, que em outras condições, como era nos antigos saquinhos de plástico, seria altamente perecível”, completa.

Entenda os tipos de leite

Ao longo dos anos, novas tecnologias foram incorporadas ao processo de industrialização do leite. Com isso, o alimento passou a atender diferentes necessidades nutricionais.

Entre as opções disponíveis estão o leite integral, o semidesnatado, o desnatado e o zero lactose.

Segundo Vinícius Junqueira, diretor de marketing da Marajoara Laticínios, o leite UHT padrão tem teor médio de gordura de 3%.

“O semidesnatado precisa ter sua composição de 1,5% a 0,7% de gordura total. Já o desnatado é praticamente sem gordura, sendo necessário um percentual inferior a 0,5% para ser considerado desnatado”, explica.

Integral mantém características nutricionais originais

Vinícius explica que o leite integral não passa por processo de remoção de gordura, sendo consumido com grande parte de suas características nutricionais originais.

Já os leites semidesnatado e desnatado passam por redução do teor de gordura, mas, segundo ele, não têm suas qualidades nutricionais alteradas por esse processo.

A pasteurização e o processamento industrial contribuem para garantir maior segurança ao consumo e ampliar o tempo de validade do produto.

Leite zero lactose preserva nutrientes

O leite zero lactose também mantém seus valores nutritivos, de acordo com o diretor da Marajoara.

“O que temos em relação ao leite zero lactose é um processo de melhoramento, onde utiliza-se enzimas denominadas lactase, que quebram a lactose transformando-a em glicose e galactose”, esclarece.

Segundo Vinícius, esse processo dura aproximadamente 24 horas. Durante esse período, o leite permanece em tanques de inox, onde é misturado para favorecer a quebra das moléculas de lactose.

“A enzima introduzida faz, na prática, uma ‘digestão externa’ da lactose”, explica.