
O artista é compositor de uma das canções mais conhecidas do país: Anunciação
O poeta nascido em São Bento do Una, em Pernambuco, completará 80 anos em 2026. Com nervos de aço e voz de trovão, Alceu Valença passou pela capital federal com a sua turnê mais recente: 80 girassóis.
A longevidade do poeta pernambucano é fato consolidado. Este ano, ele celebra 52 anos de carreira, são mais de 200 canções e mais de 600 gravações registradas, números que impressionam junto com a performance do cantor. O andar sem dificuldade, o cantar firme, talvez revele a força que vem do nordeste junto com esses ritmos (frevo, forró, maracatu..) que conquistam todo o país.
O avô não acreditava muito no lado artístico de Alceu. Orestes Alves Valença em um certo momento na infância do pernambucano teria dito: “Tragam outra pessoa para tocar porque este menino não tem ritmo”. Consegue imaginar?
O apoio da família veio da mãe, que comprou o primeiro violão e ficou impressionada quando viu o filho tocando. O impulso de dona Adelma deu ao país um artista que não mudou de ritmo, não deixou as cores e nem o sotaque para alcançar públicos em tantos CEPs.
O show em Brasília
O apagar das luzes revela que o concerto está para começar. De chapéu e roupa especial, Alceu Valença entra em cena para o delírio do público no CCBB-Brasília. Uma apresentação tão prestigiada que contou com a presença da primeira-dama Janja Silva, a ministra Esther Dwek e o cantor Chico César.
Girando pelos 80 girassóis de Valença, o show passa por vários momentos da história do cantor. O setlist com os grandes sucessos passou por “Pagode Russo”, pela leveza da “Flor de Tangerina”, e por “Solidão”, que ficou conhecida por estar em trilha sonora de uma novela.
Em seus shows, uma história que Alceu gosta de contar é como a sua música foi recebida pelos artistas brasileiros. A MPB dizia que ele era do rock, já o rock afirmava que ele era da MPB. E agora? Então, Luiz Gonzaga entra em cena. Ele foi assistir a um concerto de Valença, que aproveitou para perguntar… Afinal qual é o meu estilo? A resposta foi icônica: uma banda de pife elétrico. Nesse momento, os músicos entram em ação com esse ritmo tão característico do nordeste.
E eis que de repente, Alceu convida o público a embarcar no seu famoso “Táxi Lunar” e a viagem para a Lua deixa por um instante de ser exclusividade da Artemis II e vira um grande caravana com corações no ar e pés no chão.
Claro, que ele não deixaria de dizer: “Adeus, Brasília vou morrer de saudade”. A canção escrita para a capital foi mais um momento especial do show.
“Na bruma leve das paixões que vem de dentro”. O primeiro verso é o suficiente para que o público saiba, lá vem um dos grandes hinos da música brasileira. “Tu vens, eu já escuto os teus sinais”. Uma canção leve que em cada verso conta sobre essa espera pela chegada do grande amor.
Alceu deixou o palco depois de Anunciação, e o público pede a volta do artista. E ele volta e diz que o show ainda não acabou.O bis, na verdade, era só uma estratégia do cantor para ouvir o pedido da plateia para que ele voltasse. Brincando ele diz: “Todo artista é mentiroso, mas eu tenho coragem de reconhecer e voltar”.
Então, dois clássicos, que não poderiam ficar de fora da história desse poeta, entram em cena: La Belle de Jour e Tropicana.
Fim de concerto, o público termina extasiado, celebrando mais um dos grandes nomes da música brasileira que segue pelos palcos do país.
Confira a galeria de fotos do show:



















