Copa do Mundo vira ferramenta pedagógica e amplia aprendizado dentro e fora da sala de aula

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Gabriel Jesus comemorando com os companheiros o quinto gol da vitória contra a Coreia do Sul – Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Arquivo

Faltando um mês para o início da Copa do Mundo de 2026, o torneio já começa a movimentar escolas em diferentes regiões do país. Mais do que um evento esportivo, a competição é vista por educadores como uma oportunidade de estimular o aprendizado de crianças e adolescentes de forma interdisciplinar, dinâmica e conectada ao cotidiano dos estudantes.

Sediada neste ano por Canadá, Estados Unidos e México, a Copa promete mobilizar milhões de pessoas ao redor do mundo. No Brasil, o campeonato tradicionalmente transforma a rotina da população, com ruas decoradas, reuniões entre familiares e amigos e discussões sobre seleções e jogadores dominando os ambientes escolares e familiares.

Segundo especialistas em educação, todo esse envolvimento pode ser aproveitado pedagogicamente para trabalhar temas como cultura, geografia, matemática, história, alfabetização, habilidades socioemocionais e hábitos saudáveis.

Para a professora de educação física Andrea de Luca, da Escola Bilíngue Aubrick, em São Paulo, a Copa representa um momento de forte conexão cultural e emocional para crianças e jovens.

“Essa mobilização coletiva desperta um forte senso de pertencimento, identidade nacional e celebração. Muitas vezes, é nesse contexto que surgem as primeiras lembranças relacionadas ao esporte, à torcida e ao sentimento de coletividade”, afirma.

De acordo com a docente, o evento também favorece discussões sobre respeito, convivência, diversidade e experiências coletivas. “Na escola, conseguimos aproveitar essa energia para promover atividades coletivas, estimulando o senso de comunidade. É uma grande oportunidade para estreitar laços entre alunos, famílias e educadores”, acrescenta.

Além do aspecto cultural, o torneio reforça a importância do esporte no desenvolvimento infantil e juvenil. Para Rodrigo Marçura, coordenador de esportes do colégio Progresso Bilíngue, em Campinas, a prática esportiva contribui para a formação integral dos estudantes.

“Ao participar de atividades esportivas, os alunos desenvolvem habilidades como disciplina, cooperação, resiliência, foco, senso de responsabilidade e respeito às regras, competências que impactam diretamente a convivência escolar e a vida em sociedade”, destaca.

Segundo ele, a Copa pode funcionar como porta de entrada para incentivar hábitos mais saudáveis e ampliar o interesse das crianças pela atividade física. Gincanas, circuitos motores e jogos cooperativos estão entre as atividades que podem ser desenvolvidas no ambiente escolar durante o período do campeonato.

Na educação infantil, o tema também ganha espaço de forma lúdica. Bandeiras, músicas, mapas, mascotes e uniformes são usados para despertar a curiosidade das crianças e ampliar o repertório cultural.

A psicopedagoga Jacqueline Cappellano, coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville, em Barueri, afirma que o evento favorece o desenvolvimento de diferentes habilidades desde os primeiros anos escolares.

“Na primeira infância, o aprendizado acontece muito pela brincadeira. A Copa oferece elementos visuais, culturais e afetivos que despertam o interesse e ajudam a desenvolver linguagem, movimento, criatividade e interação social”, explica.

Entre as atividades desenvolvidas nessa etapa estão pintura de bandeiras, rodas de conversa, jogos simbólicos, músicas e contação de histórias sobre diferentes países e culturas.

Educadores também apontam a Copa do Mundo como uma oportunidade para trabalhar a interdisciplinaridade em sala de aula. O tema permite integrar conteúdos de diferentes disciplinas de maneira contextualizada e significativa.

Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School (BIS), em São Paulo, afirma que o torneio facilita o engajamento dos estudantes ao aproximar os conteúdos escolares de um assunto presente no cotidiano.

“A Copa do Mundo é um excelente exemplo de aprendizagem significativa, porque conecta conteúdos curriculares a algo que faz parte da realidade dos alunos”, diz.

Na prática, a Geografia pode abordar os países participantes, seus idiomas, costumes e características territoriais. A Matemática pode explorar tabelas, gráficos, estatísticas e probabilidades. Já História e Língua Portuguesa encontram espaço para debates, pesquisas, produções textuais e reflexões sobre transformações culturais e sociais.

Além dos conteúdos tradicionais, especialistas defendem que o evento seja utilizado para promover debates sobre diversidade cultural, inclusão e respeito às diferenças.

“Nesse contexto, é essencial que o trabalho pedagógico vá além da competição esportiva e promova a valorização das culturas dos diferentes países, evitando estereótipos e atitudes xenofóbicas”, ressalta Dias.

Para os educadores, a Copa do Mundo segue como uma oportunidade de unir aprendizado, cultura e convivência, transformando o entusiasmo em experiências educativas capazes de marcar a trajetória escolar e pessoal dos alunos.