Mandetta: “capitão covarde” ou “elemento expurgado”

O Presidente da República eleito escalou sem sombra de dúvida o melhor Ministério para compor sua equipe de governo. Foram escolhidos técnicos e conhecedores das respectivas cadeiras a serem ocupadas na Esplanada dos Ministérios.

É de notório saber que a avaliação do trabalho na condução dos ministérios ocorre com o enfrentamento diário dos problemas, a maioria conhecida pelos Ministros, outros que se apresentam repentinamente.

O país enfrenta no momento uma enfermidade epidêmica amplamente disseminada a ser enfrentada com coesão e pulso firme pelo governo que deve salvaguardar cada cidadão protegendo do perigo e minimizando os danos, sejam estes de impacto médico, social ou financeiro.

Nesta esteira temos na linha de frente o Presidente da República e em seguida o ( agora ex) Ministro Luiz H. Mandetta médico ortopedista que foi secretário de saúde em Campo Grande entre 2005 e 2010 quando saiu para eleger-se Deputado Federal representando o Mato Grosso do Sul pelo partido DEM, portanto, com ampla experiência política.

O enfrentamento da pandemia impõe ao Estado compromisso de Guerra, porque de fato trata-se de Guerra em larga escala que o mundo vive desde o inicio do corrente ano, e esse estado de guerra exige condução coesa do Governo Federal assim como ocorre nas Forças Armadas.

O exemplo das Forças Armadas se aplica por se tratar de instituições de Estado e não de Governo, pautadas por dois princípios a Hierarquia e a Disciplina.

Se não houver Hierarquia a necessária coesão caminha para derrocada e a Disciplina é importante porque cada vez que se quebra a Disciplina se afeta diretamente a Hierarquia em todos os níveis de comando.

Assim as Forças Armadas tem como princípio básico a sua manutenção permanente e coesa em tempos de paz de principalmente em tempos de guerra.

É por essa razão que havendo dentro da Hierarquia um pensamento contrário ao determinado pelo comando, ou seja, um elemento que não está alinhado com a Hierarquia e, portanto, não coeso com o direcionamento do comandante, é prontamente eliminado.

Assim, o elemento que põe em risco a coesão da instituição, quebrando a disciplina e afetando a hierarquia, é expurgado para não comprometer o enfrentamento da guerra.

O sucesso da batalha contra a pandemia exige do Governo Federal coesão da equipe de ministros para minimizar os danos aos cidadãos.

Talvez seja o desalinhamento de postura e ideias que afetam o Cargo pressionado do Ministro da Saúde, que sempre pautou-se pela atuação e condução médica não se preocupando com demais desdobramentos em outras tão importantes e relevantes pastas do governo.

Diga-se que à poucos dias o Ministro resignou-se ao problema econômico, não porque se alinhou ao Presidente/Comandante, mas porque o desespero de mais de 30 milhões de informais se apresentou impiedosamente no País.

Reflexão necessária que se faz: Mandetta é o elemento expurgado?

De outro lado temos aspectos políticos envolvidos, como dito, o ex-ministro da saúde é filiado ao DEM partido dos Presidentes da Câmara e do Senado, possíveis adversários do Presidente nas eleições de 2022.

Por certo se considerarmos apenas os aspectos políticos envolvidos, e para preservar a imagem com o eleitorado, o melhor cenário para Mandetta seria a imediata saída do Cargo em momento de apoio popular, já que o futuro com o enfrentamento do vírus é incerto, ou melhor, se desenha muito preocupante com ampla possibilidade de colapso médico.

Deixando a pasta da Saúde Mandetta joga com o futuro, pois em meio ao caos e colapso médico que se desenha na saúde nos próximos meses, será lembrado como herói da razão.

Retomando o exemplo das Forças Armadas, tenho em mente o ditado: “o Sentinela morre mas não abandona o posto” ou “O Capitão afunda com o navio” que demonstra claramente a postura do comandante no enfrentamento da guerra. Abandonar o navio que possivelmente vai afundar demonstra um ato acovardado que não veste o verdadeiro comandante.

Podemos citar o recente exemplo do navio italiano Costa Concórdia que encalhou e naufragou em frente a ilha de Giglio, provocando a morte de 32 pessoas. O Capitão Francesco Schettino não cumpriu com a obrigação de coordenar a saída dos viajantes do navio e fugiu do local, abandonou o navio e por isso ficou conhecido como “Capitão Covarde”, que restou condenado à 20 anos de prisão.

Outra reflexão necessária que vem a mente quando analisamos a condução do atual Ministro da Saúde à frente da pasta: Não seria por falha na sua condução do Ministério da Saúde, ressalta-se há mais de um ano Ministro, que estamos tão mau aparelhados e preparados para lidar com essa enfermidade epidêmica?

Não seria atribuição do Ministro da Saúde alertar o governo e propor linha de ação no intuito de preparar o País para tal enfrentamento, que diga-se não é novidade já que em passado recente o mundo enfrentou a “SARS”, “EBOLA”, “GRIPE AVIÁRIA – H5N1”, “GRIPE SUÍNA -H1N1” entre outras?

Inegável que o ex-ministro Mandetta seguiu o protocolo da OMS e preservando sua cadeira de Ministro da Saúde exigiu o cumprimento das medidas de controle igualmente impostas a países tão diferentes e distantes culturalmente, socialmente e economicamente.

Inegável, em análise macro, também o despreparo do Ministério da Saúde no estudo e controle de doenças epidêmicas, pois falta tudo, equipamentos de proteção, profissionais habilitados, aparelhos, leitos hospitalares, dentre tantos que podemos citar.

Enfim, apesar de tantos erros cometidos na guerra contra o Covid-19, em terras tupiniquins temos que entender se o ex-ministro da saúde Luiz H. Mandetta é o elemento expurgado ou o Capitão Covarde que abandonou o navio quando todos abordo mais precisam?

Igor Folena é Advogado Especialista em Direito Militar. Foi Assessor de Ministro do Superior Tribunal Militar no período 2004 – 2016. Sigam o autor no instagram: @igorfolena

 

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