
A contusão que tirou Lucas Paquetá, pelo menos, até a próxima partida do Brasil na Copa do Mundo 2026 trouxe novamente à tona um debate essencial no esporte de alto rendimento. O meia da seleção brasileira sentiu dores na parte posterior da coxa esquerda durante a partida contra o Japão e, após ser substituído no intervalo, passou por exames de imagem que diagnosticaram um edema no tendão . A rápida realização desses exames é o que permite à equipe médica não apenas confirmar a lesão, mas também planejar a recuperação e definir, com segurança, o retorno do atleta aos gramados.
O incidente com Paquetá é um exemplo clássico de como a medicina esportiva depende da tecnologia para uma tomada de decisão precisa. O médico radiologista Harley De Nicola, professor da Unifesp, explica que, no futebol profissional, as lesões musculares, ligamentares e tendíneas são as mais comuns devido à alta demanda física sobre os membros inferiores. É nesse cenário que o diagnóstico por imagem se torna uma ferramenta central, permitindo avaliar a extensão do dano, o grau de comprometimento das fibras e a resposta ao tratamento com uma precisão que o exame clínico sozinho não alcança.
O caso de Paquetá também ilustra a complexidade do acompanhamento de atletas de elite. Um estudo da Universidade Federal do Paraná, citado pelo Dr. De Nicola, já apontava que as lesões musculares na parte posterior da coxa são as mais frequentes no futebol brasileiro. Além disso, o jogador já havia sofrido um problema semelhante, um edema no tendão da coxa esquerda, em abril deste ano, o que torna o diagnóstico preciso ainda mais crucial para evitar uma recidiva e garantir a longevidade da carreira .
Exames seriados e a prevenção de recidivas
O médico ressaltou que o acompanhamento por imagem não se limita ao momento do diagnóstico. Exames seriados são fundamentais para monitorar a evolução da cicatrização e reduzir o risco de um retorno precoce, um dos principais fatores para novas lesões. “Nem sempre a melhora clínica significa cicatrização completa da estrutura lesionada”, alerta o especialista, destacando a importância de uma abordagem cautelosa para preservar a carreira do atleta.
O cenário se repete com outros jogadores importantes. Nomes como Rodrygo, que sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior, e Éder Militão, com lesão muscular no bíceps femoral, são exemplos de como lesões graves exigem um processo de recuperação longo e monitorado, onde a imagem é peça-chave em cada etapa.
A expectativa é que, nos próximos anos, o uso crescente de inteligência artificial e análise biomecânica ajude a criar modelos mais preditivos de prevenção. Até lá, o diagnóstico por imagem continua sendo um dos pilares para a avaliação segura e a preservação da carreira dos atletas, especialmente em competições de alto desgaste como a Copa do Mundo.




















