
A falta de capacitação formal em nutrição clínica durante a graduação em Medicina Veterinária tem sido um gargalo para a atuação profissional, especialmente diante da crescente demanda dos tutores por alimentação natural e funcional para seus pets. Um estudo publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA) em 2023 revelou que 57% dos médicos-veterinários de pequenos animais relataram ter recebido pouca ou nenhuma instrução formal em nutrição de cães e gatos durante a graduação.
Para suprir essa deficiência e atualizar os profissionais sobre os avanços da área, a Quinta Pet, foodtech brasileira especializada em alimentação natural para cães, lançou o Portal do Veterinário, uma plataforma gratuita de educação continuada. A iniciativa reúne videoaulas, estudos de caso, artigos científicos e ferramentas de apoio à prática clínica, com foco em temas como prevenção, controle de peso, manejo de alergias, saúde intestinal e urinária, e envelhecimento saudável.
A plataforma foi estruturada em módulos temáticos, com aulas ministradas por especialistas em nutrição, gastroenterologia, nefrologia, endocrinologia, oncologia e medicina integrativa. O primeiro módulo, com previsão de conclusão para novembro, aborda desde nutrientes essenciais na alimentação natural até endocrinopatias em cães. O Módulo 2, com início previsto para novembro, será dedicado ao sistema endocanabinoide. Entre os docentes estão nomes como Ticiane Bitencourt, mestre em Ciências Veterinárias com foco em nutrição, e outros profissionais com doutorado e pós-graduação em longevidade e endocrinologia.
Fernanda Lenzi, sócia-diretora da Quinta Pet, destaca que a iniciativa vai além da oferta de conteúdo técnico, criando um espaço permanente onde o veterinário encontra atualização científica e ferramentas práticas para a tomada de decisão. O projeto busca, ainda, fortalecer a atuação profissional em um segmento que cresce rapidamente: o mercado global de alimentação natural para pets, avaliado em US$ 18,6 bilhões em 2025, o segmento de alimentação natural para pets deve alcançar US$ 34,7 bilhões até 2034, segundo o relatório Natural Pet Food Market Research Report 2034, da consultoria Market Intelo.
A regulamentação do setor também avança. Em outubro de 2025, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados aprovou projeto para impedir que a alimentação animal seja tratada como produto supérfluo na cobrança do ICMS, reconhecendo sua essencialidade para a saúde e qualidade de vida dos pets. “A nutrição pet deixou de ser apenas uma recomendação e passou a ocupar um espaço estratégico na medicina veterinária. A alimentação natural caminha para se consolidar como ferramenta de prevenção e longevidade”, conclui Lenzi.




















