Guarda compartilhada de pets avança no Brasil e exige atenção com rotina e alimentação dos animais

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A regulamentação da guarda compartilhada de animais de estimação após a separação de casais avançou no Congresso Nacional com a aprovação do projeto pelo Senado Federal. A proposta estabelece regras para esse modelo de cuidado, prevendo que, na ausência de acordo entre os tutores, a Justiça poderá definir a divisão da convivência com o animal, bem como a responsabilidade por despesas como alimentação, higiene e cuidados veterinários. O texto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A proposta reflete uma realidade cada vez mais comum no país. Cães e gatos são vistos como membros da família e, diante de separações, muitos responsáveis optam por dividir os cuidados com o animal. No entanto, a guarda compartilhada exige organização e diálogo para que a mudança de rotina não prejudique o bem estar do pet.

Entre os pontos sensíveis nesse cenário está a alimentação. Mudanças frequentes de ambiente, horários ou tipo de alimento podem gerar estresse, alterações digestivas e até recusa alimentar. Segundo Mayara Andrade, médica veterinária da Guabi Natural, o planejamento é fundamental para que o animal se adapte bem à dinâmica entre as duas casas. Quando o pet passa a alternar entre dois ambientes, o ideal é que a rotina alimentar permaneça o mais estável possível, mantendo o mesmo alimento, respeitando os horários das refeições e seguindo as quantidades recomendadas. Mudanças frequentes na dieta podem provocar desconfortos digestivos e dificultar o acompanhamento da saúde nutricional.

Um dos erros mais comuns em situações de guarda compartilhada é cada responsável oferecer um tipo diferente de alimento ou alterar a dieta sem orientação e alinhamento. De acordo com recomendações da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), mudanças na alimentação devem ser feitas de forma gradual e sempre com orientação veterinária para evitar ou reduzir distúrbios gastrointestinais. Para a veterinária, o ideal é que ambos os responsáveis combinem previamente qual será o alimento oferecido ao pet. Mesmo quando os responsáveis têm boas intenções, é comum que cada um queira agradar o animal de uma forma diferente, mas oferecer alimentos distintos em cada casa pode causar desequilíbrio nutricional ou excesso de calorias. O melhor caminho é manter o mesmo alimento, independentemente de onde o pet esteja.

Outro ponto que exige atenção são os petiscos. Em muitos casos, cada tutor oferece recompensas sem saber o que o outro já deu ao animal ao longo do dia. Petiscos não devem ultrapassar cerca de 10% da ingestão calórica diária de cães e gatos, pois quantidades maiores podem contribuir para obesidade e desequilíbrio nutricional. Quando o pet vive em duas casas, o ideal é que os tutores também alinhem a oferta de petiscos, pois às vezes o animal acaba recebendo mais recompensas do que deveria simplesmente porque cada pessoa acredita estar oferecendo pouco.

Mayara destaca que a guarda compartilhada pode funcionar bem quando existe comunicação entre os tutores. Informações sobre alimentação, peso do animal, restrições alimentares ou eventuais mudanças de comportamento devem ser compartilhadas. Pequenos cuidados fazem diferença no longo prazo. Os pets dependem da previsibilidade para se sentirem seguros. Quando a alimentação, os horários e os cuidados básicos são mantidos de forma consistente nas duas casas, o animal consegue se adaptar melhor à nova rotina e manter a saúde em equilíbrio.

Com a tendência de regulamentação da guarda compartilhada de pets no Brasil, Mayara reforça que a divisão do tempo com o animal deve vir acompanhada de responsabilidade conjunta. Mais do que organizar a convivência, é essencial garantir que a qualidade dos cuidados permaneça a mesma em qualquer ambiente.