Empresa brasiliense aposta em xadrez e golfe para estimular o pensamento humano

Sandro Suffert, CEO da Apura. Foto: divulgação

Quanto mais a inteligência artificial assume tarefas antes realizadas por pessoas, maior se torna uma preocupação: o que acontece com nossa capacidade de pensar quando passamos a delegar parte desse esforço às máquinas? Um estudo publicado na revista científica Societies encontrou “uma correlação negativa significativa entre o uso frequente de ferramentas de IA e as habilidades de pensamento crítico”, com maior dependência e pontuações mais baixas entre os participantes mais jovens.

A constatação não significa que a tecnologia esteja tornando as pessoas menos inteligentes, mas evidencia um novo desafio: preservar situações em que o ser humano ainda precise observar, interpretar, questionar e decidir. É justamente esse o foco da Apura Cyber Intelligence, empresa brasiliense especializada em segurança cibernética que direciona recursos próprios ao incentivo de atividades que exigem concentração, estratégia, leitura de cenário e tomada de decisão.

Entre os atletas patrocinados pela empresa está a enxadrista Juliana Terao, nove vezes campeã brasileira e representante do país em Olimpíadas de Xadrez. A Apura também apoia o canal especializado Raffael Chess, parceiro na organização do torneio Apura Chess Arena, e o golfista Andrey Xavier, que começou a jogar em um projeto social no Rio Grande do Sul e hoje integra o circuito profissional.

“Vejo uma afinidade natural entre essas modalidades e o tipo de pensamento que valorizamos na nossa área. No xadrez, você precisa interpretar o tabuleiro, antecipar possibilidades e entender que uma decisão muda as jogadas seguintes. No golfe, estratégia, concentração e leitura do cenário também interferem em cada escolha. Na cibersegurança acontece algo semelhante: a tecnologia processa uma enorme quantidade de informação, mas ainda precisamos de pessoas capazes de entender o que aqueles sinais significam e qual decisão tomar”, explica Sandro Süffert, CEO da Apura.

A iniciativa também apoiou a Equipe Brasileira de Cybersecurity em sua primeira participação na International Cybersecurity Olympiad, realizada em 2026 na Tunísia. A competição reuniu estudantes do ensino médio de 20 países, e a participação brasileira marcou um momento histórico: pela primeira vez, o país apareceu no ranking mundial da maior competição de cibersegurança juvenil do planeta.

Segundo Süffert, o projeto ganha ainda mais significado quando chega a crianças e adolescentes. Em uma geração cada vez mais cercada por telas e respostas instantâneas, estimular atividades que exigem atenção, raciocínio e resolução de problemas pode ajudar a revelar aptidões que talvez permanecessem desconhecidas. “Quando um jovem encontra cedo uma atividade que desperta seu interesse e o coloca diante de problemas para resolver, isso pode abrir caminhos que ele ainda nem imaginava seguir”, afirma.

A Apura direciona recursos próprios a atletas de alto rendimento que ainda não contam com outros investimentos financeiros, sem recorrer à Lei de Incentivo ao Esporte ou a benefícios fiscais. Para a empresa, esse apoio permite chegar a talentos que, pela menor visibilidade de determinadas modalidades, poderiam não encontrar as condições necessárias para avançar.

“Existe muito potencial que permanece invisível simplesmente porque não encontrou espaço para se desenvolver. Às vezes, o que separa um talento escondido de uma trajetória é justamente encontrar, no momento certo, alguém disposto a acreditar, incentivar e dar condições para que ele se desenvolva”, conclui Süffert.