
País tem mais de 635 mil médicos; expansão acelerada da profissão aumenta a competitividade e impulsiona alternativas ao consultório próprio
Ao todo, 35 mil estudantes de medicina se formam por ano no Brasil, de acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Esses novos profissionais, logo após concluírem a graduação, enfrentam um mercado de trabalho concorrido, com mais de 635 mil médicos já atuantes, segundo a pesquisa Demografia Médica no Brasil de 2025. A solução encontrada por muitos é recorrer a modelos de atuação diversificados e optar por formas de trabalho que fogem do tradicional.
O médico e responsável técnico nacional pelo AmorSaúde, doutor Alexandre Pimenta, explica que o aumento no número de médicos amplia a concorrência, especialmente nos grandes centros urbanos. Porém, de acordo com ele, a concorrência também tem efeitos positivos e é responsável por estimular maior profissionalização, diferenciação por qualidade assistencial e a busca por modelos mais eficientes de atuação.
Desafios para recém formados
Com 2,98 médicos para cada mil habitantes, de acordo com a pesquisa citada anteriormente, o Brasil possui atualmente a maior proporção de profissionais na área já registrada. Por isso, para recém formados, pode ser difícil competir com médicos experientes e conseguir emprego nos moldes tradicionais.
Ao tentar abrir um consultório próprio, os novos médicos também podem encontrar alguns obstáculos. O doutor Alexandre Pimenta afirma que os principais desafios são se inserir no mercado de trabalho com estabilidade financeira, a baixa previsibilidade na agenda de consultas e os gastos necessários para obter estrutura própria para atendimentos.
O responsável técnico nacional pelo AmorSaúde ainda complementa afirmando que, logo após se formarem, muitos médicos podem ter pouca experiência em gestão e, por isso, ainda não sabem como precificar suas consultas e criar um posicionamento profissional. Além disso, segundo ele, muitos recém formados em medicina enfrentam dificuldade em acessar populações com demanda real de cuidado, ficando concentrados em mercados saturados nos grandes centros urbanos.
Modelos alternativos de atuação
O doutor Alexandre Pimenta explica que hoje existem diversos modelos eficientes e acessíveis para novos médicos, e que essas novas formas de trabalhar permitem maior escala de atendimentos, acesso a pacientes e aprendizado estruturado. Dentre os novos modelos de atuação citados por ele estão: atuação em redes de clínicas com estrutura pronta; modelos de atenção primária estruturada (APS); telemedicina e atendimento híbrido; parcerias com operadoras de saúde verticalizadas; e atuação em programas públicos e projetos de saúde populacional.
Ele resume que, ao optar por iniciar a carreira atendendo em uma rede de clínicas, por exemplo, o profissional tem acesso imediato a um fluxo de pacientes, à estrutura física e aos equipamentos necessários, o que reduz o risco financeiro e a necessidade de investimento inicial para começar a trabalhar.
Dentre os pontos positivos de atender em uma rede de clínicas, o ortopedista no AmorSaúde, José Anderson Labbado, cita a oportunidade de trabalhar na área em que se formou e a chance de divulgar o próprio nome e crescer. Ele afirma que os profissionais aprendem com os pacientes que atendem, e isso expande bastante o conhecimento.
O doutor Alexandre também ressalta que essa forma de trabalho permite o aprimoramento profissional, pois o médico desenvolve experiência prática em menor tempo, com segurança assistencial. Segundo o responsável técnico pelo AmorSaúde, em uma rede de clínicas, o médico também pode optar por atuar fora dos grandes centros urbanos. Do ponto de vista profissional, há maior oportunidade de protagonismo e impacto direto na comunidade ao atender fora das capitais.
O médico Hithalo Tajra, que atua no AmorSaúde, compartilha da mesma visão. Ele afirma que, nos cinco anos em que trabalha na empresa, pôde construir sua identidade em conjunto com a clínica e estabelecer uma relação com os funcionários e pacientes. Tajra enfatiza que o modelo de atuação lhe deu oportunidades de se desenvolver enquanto acompanhava a evolução dos pacientes.
O doutor Alexandre Pimenta resume que há economia significativa ao optar por modelos que não estão estruturados em consultório próprio.




















