A Fórmula E anunciou nesta quarta-feira, em Davos, na Suíça, que obteve a certificação B Corp, consolidando sua posição como referência em inovação sustentável no esporte global.
O anúncio foi feito durante a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, em uma sessão conjunta com o acionista majoritário Liberty Global, Mike Fries. O evento contou com a presença do CEO da Fórmula E, Jeff Dodds, e da vice-presidente de Sustentabilidade da Fórmula E, Julia Pallé.
No palco, foi reconhecida a liderança de uma década da Fórmula E no uso do esporte como uma força poderosa para promover mudanças positivas, gerando crescimento para os negócios, impacto relevante para a sociedade e progresso concreto para o planeta.
O status simboliza a missão do Campeonato Mundial de Fórmula E de “tornar o progresso emocionante”, ao desafiar uma indústria esportiva que tradicionalmente prioriza o espetáculo em detrimento do impacto sistêmico.
Alcançar a certificação B Corp representa uma declaração ousada de intenções, ao estabelecer um novo padrão global para o que o esporte moderno pode ser.
Segundo Julia Pallé, vice-presidente de Sustentabilidade da Fórmula E, obter a certificação B Corp é um forte reconhecimento de que as corridas elétricas podem ir além da inspiração e promover mudanças reais e mensuráveis. Ela destacou que a Fórmula E sempre se concentrou no impacto, não apenas em promessas de apoio a instituições de caridade ou na redução de carbono, investindo em energia renovável e trabalhando diretamente com as comunidades de todas as cidades que recebem as corridas. Ao integrar a comunidade B Corp, a organização pretende colaborar, trocar experiências e aprofundar seu impacto no esporte e na indústria.
Para Jeff Dodds, CEO da Fórmula E, o objetivo nunca foi entrar para um clube, mas quebrar as regras do que um esporte global pode ser. Ele afirmou que a certificação B Corp comprova que a categoria é movida por uma energia diferente, na qual o desempenho de alto nível e o propósito de mudar o mundo fazem parte da mesma história. Dodds ressaltou que, enquanto muitos enxergam a sustentabilidade apenas como discurso ou formalidade, a Fórmula E a vê acontecendo a 320 km/h em cada curva das cidades onde compete. Ele citou iniciativas como o uso pioneiro de combustível sustentável para aviação e o desenvolvimento de um carro de corrida 100% reciclável, reforçando que o progresso é necessário e visceral. Segundo ele, o reconhecimento não é um ponto final, mas um incentivo para avançar ainda mais rápido.
Chris Turner, CEO da B Lab no Reino Unido, afirmou que dar as boas-vindas à Fórmula E à comunidade B Corp é um marco relevante para toda a indústria esportiva e demonstra o alcance global crescente do movimento. Para ele, a liderança da Fórmula E mostra que sucesso e propósito não são conceitos opostos e que o impacto positivo é possível para empresas de todos os setores e tamanhos.
A certificação B Corp também foi resultado de fortes padrões sociais e ambientais adotados antes de cada E-Prix. Entre eles estão contribuições significativas às comunidades locais por meio de programas de impacto social direcionados, estratégias de bem-estar dos trabalhadores baseadas em boas práticas e o compromisso da organização com transparência e responsabilidade.
Ao ingressar na comunidade global B Corp, o Campeonato passa a integrar um grupo de marcas e organizações reconhecidas pelo propósito, como Patagonia, Ben & Jerry’s e Allbirds, unidas pela missão de acelerar práticas comerciais sustentáveis e ampliar o impacto coletivo em escala global.
Outro destaque recente é o lançamento do GEN4, o carro mais avançado da história da categoria totalmente elétrica, que vai estrear na temporada 2026/2027. O modelo terá construção 100% reciclável, com 20% de materiais reciclados, e foi projetado para atingir até 320 km/h, demonstrando que a engenharia sustentável não compromete a velocidade.
Essa mensagem tem contribuído para mudar a percepção sobre os veículos elétricos entre os fãs da Fórmula E. A posse desse tipo de veículo entre o público da categoria aumentou de 21,7% para 26,4% entre janeiro de 2022 e janeiro de 2024. Na Europa, a participação de veículos elétricos nos registros de carros novos cresceu de menos de 1% em 2011 para mais de 20% em 2024.
Agora em sua 12ª temporada, a Fórmula E apresenta o maior e mais ambicioso calendário de sua história, com 17 corridas em 11 cidades consideradas ícones globais.
O cronograma foi projetado com base sustentável e segue a norma internacional ISO 20121 para gestão sustentável de eventos. As corridas são agrupadas por continente, o que reduz significativamente a quilometragem logística e as emissões de CO₂, demonstrando que a expansão global pode caminhar junto com a liderança ambiental.
A Fórmula E foi criada para combater as mudanças climáticas, acelerando a adoção de veículos elétricos e a transição para a mobilidade de baixo carbono. A categoria atua como um campo de testes para tecnologias inovadoras, apoiando a transferência de conhecimento para a indústria automotiva e impulsionando a inovação no setor.
Desde 2015, o Nissan Leaf, um dos veículos elétricos mais vendidos do mundo e produzido por uma das montadoras que competem no campeonato, teve sua capacidade de bateria e autonomia ampliadas em 181% em comparação ao modelo original, graças às tecnologias desenvolvidas nas pistas.
A Fórmula E também foi o primeiro esporte global a receber a certificação Net Zero Pathway da British Standards Institution, o primeiro a definir metas baseadas na ciência e o primeiro a reduzir suas emissões de escopos 1 e 2 em 55% desde 2019.
Além disso, lidera de forma consecutiva o ranking anual da Global Sustainability Benchmark in Sport, alcançando a melhor pontuação já registrada, com 85%, e destaque nas categorias ambiental, social e de governança.
As ações e programas de impacto social realizados nas cidades-sede das corridas já beneficiaram mais de 32 mil pessoas por meio de iniciativas comunitárias e educacionais.
A iniciativa global FIA Girls on Track, voltada à diversidade no ambiente das corridas, com palestras para meninas e adolescentes sobre engenharia, administração esportiva, ciências STEM e automobilismo, foi expandida para todos os locais do calendário nas últimas temporadas.
Também foi lançada a plataforma educacional Driving Force, apresentada pela PIF, que oferece módulos sobre poluição do ar, energia renovável, economia circular, além de temas como diversidade, equidade e inclusão.
Outro destaque é o Fundo Better Futures, que concede auxílios de 25 mil euros a projetos sustentáveis liderados pelas comunidades em todas as cidades-sede.
Após as etapas de São Paulo e Cidade do México, o Campeonato Mundial ABB FIA de Fórmula E segue com a terceira etapa da temporada, o E-Prix de Miami, programado para os dias 30 e 31 de janeiro de 2026.
Diretora de Redação e de Editorias do Portal Contexto. Jornalista e Cientista Política de Formação. Comecei minha história no jornalismo online em 2005. Já passei por redação de TV e assessoria de imprensa.
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