Dia Mundial do Queijo celebra a força do produto artesanal brasileiro no mercado

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Com o apoio do Sebrae, pequenos produtores buscam reconhecimento, valorização e expansão dentro e fora do Brasil

Presente na alimentação de diferentes povos ao longo da história, o queijo é um dos alimentos mais antigos e versáteis do mundo e é celebrado internacionalmente no dia 20 de janeiro. Nos últimos anos, os queijos brasileiros vêm conquistando espaço e prestígio em premiações internacionais, reforçando a imagem do país como produtor de itens de alta qualidade.

No Pará, o queijo do Marajó produzido pela Fazenda São Victor acumula mais de dez prêmios em concursos nacionais e internacionais. Em 2019, os produtores conquistaram medalha de prata no Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, realizado na França. Em 2021, receberam medalha de bronze na mesma competição. Já no ano passado, o produto foi premiado com medalha de ouro no VIII Prêmio Queijo Brasil, além de receber destaque em outras categorias.

Segundo Cecília Pinheiros, produtora da queijaria da Fazenda São Victor, localizada em Salvaterra, na ilha do Marajó, a conquista de prêmios gera confiança imediata junto aos consumidores e ao mercado, pois demonstra que o queijo atende a critérios rigorosos de qualidade e excelência.

Produzido com leite de búfala e marcado por um sabor singular, o queijo do Marajó carrega uma tradição de mais de 200 anos. Em 2021, o produto recebeu o registro de Indicação Geográfica, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, que reconhece sete municípios produtores. Além disso, o queijo foi reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do Pará e obteve o Selo Arte, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que autoriza a comercialização interestadual.

Para Cecília, o reconhecimento da Indicação Geográfica valoriza o saber fazer dos produtores, o trabalho das famílias e a relação histórica com o território, fortalecendo a identidade e a origem do queijo do Marajó. Ela também destaca que o título de patrimônio cultural reafirma a importância do produto como parte da identidade do estado, que deve ser preservada.

A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro da Unidade de Inovação do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, ressalta que as Indicações Geográficas desempenham papel fundamental na diferenciação dos queijos artesanais brasileiros no mercado.

De acordo com Hulda, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deverá formalizar a proteção de diversas Indicações Geográficas de queijos artesanais nos dois blocos econômicos. Entre os exemplos estão, na Europa, o Grana Padano, o Parmigiano Reggiano e o Conté, e, no Brasil, queijos como o Canastra e o Serro.

Ela destaca a importância de proteger e promover os ativos intangíveis dos queijos, como a história de cada território e o saber fazer tradicional, aliados a fatores naturais que influenciam sabor, textura e qualidade.

Hulda explica ainda que o consumidor brasileiro já está familiarizado com os queijos de Indicação Geográfica europeus por meio do uso de nomes associados a regiões específicas, prática que não poderá ser mantida após o acordo de livre comércio. Nesse contexto, o uso da terminologia tipo Parmesão, tipo Gorgonzola ou tipo Roquefort foi importante para introduzir esse conceito no Brasil.

A produção de queijos artesanais no país reflete a diversidade cultural e regional brasileira, sendo realizada majoritariamente por pequenos produtores rurais e suas famílias. Essa atividade tem grande relevância econômica, social e cultural, com diferentes receitas e métodos de produção espalhados de norte a sul.

Segundo Hulda Giesbrecht, a inovação tem permitido melhorias graduais na produção dos queijos artesanais, sem descaracterizar os produtos tradicionais. Essas melhorias garantem maior segurança alimentar, aumentam a produtividade e possibilitam a oferta de produtos com maior valor agregado.

Na região do Seridó, no interior do Rio Grande do Norte, produtores de queijo de manteiga de Caicó se organizaram para buscar o reconhecimento como Indicação Geográfica. Com o apoio do Sebrae, foi criada em 2022 a Associação dos Produtores de Queijo do Seridó, conhecida como Amaqueijo. Esse foi o primeiro passo para o pedido de registro junto ao INPI, protocolado em outubro do ano passado.

O queijo de manteiga de Caicó é um símbolo da cultura do Seridó potiguar e atravessa gerações. O Sebrae atua junto aos produtores oferecendo consultorias voltadas à melhoria da qualidade do leite, à adoção de boas práticas de produção e à regularização das queijeiras. A conquista do Selo Arte também está entre os objetivos dos produtores, permitindo a comercialização do produto em todo o país.

Isaías Fernandes, conhecido como Didi, presidente da Amaqueijo e produtor da Queijeira do Zaca, em São João do Sabugi, relata que a produção do queijo segue uma tradição de mais de 40 anos herdada de pais e avós, que acabou se perdendo ao longo do tempo. Nos últimos três anos, segundo ele, houve um trabalho de resgate do modo tradicional de produção da região, o que possibilitou a regularização da atividade e a participação em concursos, com a conquista de importantes prêmios.

Entre as premiações recebidas pela queijaria estão a medalha de ouro no sexto Prêmio Queijo Brasil, como melhor queijo de manteiga, e a medalha de bronze na categoria queijo de manteiga ancestral.