Projeto da UnB leva educação em saúde para comunidades do DF e fortalece prevenção nas UBSs

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O que começou como uma resposta emergencial à enxurrada de desinformação durante a pandemia de Covid-19 se transformou em uma política viva de educação em saúde no Distrito Federal. O programa de extensão Escola Cidadã, desenvolvido pela Universidade de Brasília por meio do Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde (LabECoS), completa mais de cinco anos de atuação com um balanço positivo: aproximou a universidade das comunidades, ampliou o acesso a informações confiáveis e estreitou os laços entre a população e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

A iniciativa nasceu em 2020 com ações digitais, como cards para WhatsApp, aulas públicas e lives, traduzindo o conhecimento científico para uma linguagem acessível em meio ao caos informacional. Com o tempo, o projeto ganhou as ruas e os territórios, promovendo encontros presenciais que colocam em diálogo pesquisadores, profissionais de saúde e moradores. A coordenadora do programa, Ana Valéria Machado Mendonça, explica que a ideia partiu da percepção de que não bastava produzir ciência, era preciso compartilhá-la e construí-la junto com a população, especialmente em um contexto de desconfiança e fragilidade dos serviços públicos.

Hoje, o Escola Cidadã reúne 12 subprojetos que atuam em diferentes frentes, utilizando metodologias participativas para estimular o protagonismo da comunidade. Entre as ferramentas desenvolvidas estão jogos educativos criados por estudantes da Faculdade de Ceilândia da UnB, que abordam temas como vacinação, dengue, saúde menstrual, hanseníase, cigarro eletrônico e combate à desinformação. Esses materiais são aplicados nas ações com a população, tornando o aprendizado mais lúdico e efetivo.

A professora Natália Fernandes de Andrade, coordenadora de territórios do Escola Cidadã, destaca que o principal impacto social do projeto é o fortalecimento da autonomia das pessoas. Ela afirma que a iniciativa contribui para que os cidadãos se tornem mais críticos em relação às informações que consomem e mais conscientes sobre suas escolhas em saúde. Esse empoderamento se reflete na procura mais qualificada pelos serviços do SUS e na adesão a práticas preventivas.

Além da comunidade, o programa beneficia diretamente os profissionais das UBSs, que ganham novas ferramentas de comunicação e promoção da saúde, e os estudantes universitários, que vivenciam a integração entre ensino, pesquisa e extensão em contato direto com a realidade social. A troca de saberes entre a academia e o território enriquece a formação dos futuros profissionais e aproxima a universidade das demandas reais da população.

Com o apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), o Escola Cidadã vem ampliando sua capilaridade e consolidando parcerias com escolas, organizações comunitárias e instituições públicas. A expectativa da equipe é que o projeto se torne referência nacional em educação e comunicação em saúde, servindo de modelo para outros territórios que enfrentam desafios semelhantes. A longo prazo, a ideia é inspirar práticas que fortaleçam o SUS e formem profissionais mais sensíveis às necessidades sociais, reafirmando o papel da universidade como agente de transformação e cidadania.