
A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, resultado que, embora restrito, superou as expectativas de mercado e veio acompanhado de indicadores sociais positivos. A inflação manteve-se na meta, o desemprego atingiu o menor patamar desde 2014 e a renda média apresentou recuperação, impulsionada por programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular e Pé de Meia.
No entanto, especialistas avaliam que o desempenho ainda está aquém do potencial da economia brasileira e revela dilemas estruturais que precisam ser enfrentados para garantir um crescimento sustentável no longo prazo.
Juros elevados geram distorções
Um dos principais fatores que impactaram o desempenho econômico em 2025 foi a taxa de juros praticada ao longo do ano. Para analistas, os juros elevados por período prolongado geram distorções significativas na atividade produtiva.
Em primeiro lugar, representam um “prêmio ao ócio”, na medida em que, com raríssimas exceções, não há outras atividades econômicas tão rentáveis quanto as aplicações financeiras. O retorno esperado de qualquer outro empreendimento dificilmente supera o custo de oportunidade representado pelos juros.
Além disso, diferentemente do que ocorre na maioria dos países, o prêmio às aplicações de curto prazo no Brasil praticamente equivale aos retornos das aplicações de longo prazo, criando um incentivo à liquidez em detrimento de investimentos produtivos. As taxas básicas elevadas também pressionam o custo do crédito e do financiamento, dificultando o funding para novos empreendimentos.
Impacto nas contas públicas
Sob a ótica das contas públicas, o custo de financiamento da dívida pública brasileira segue como um grande desafio. Nas últimas duas décadas e meia, essa tem sido uma realidade da qual o atual governo ainda não conseguiu se desvencilhar.
Os números são expressivos: o gasto com pagamento de juros atingiu R$ 718,3 bilhões no fechamento de 2023, o equivalente a 6,6% do PIB. Em 2024, o montante subiu para R$ 870 bilhões (7,7% do PIB) e, em 2025, alcançou R$ 1 trilhão, representando 8,0% do Produto Interno Bruto.
Baixo investimento ainda é gargalo
A economia brasileira convive com o dilema do baixo investimento. A Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e infraestrutura, permanece próxima de apenas 17% do PIB, patamar muito abaixo dos padrões internacionais, mesmo quando comparada a outros países em desenvolvimento.
Apesar do cenário, há movimentos em curso que buscam reverter essa trajetória. Os desembolsos do Programa Nova Indústria Brasil (NIB) já somam R$ 300 bilhões e devem atingir R$ 370 bilhões até o final de 2026. Os investimentos totais em infraestrutura, incluindo os setores público e privado, têm atingido níveis recorde e devem chegar a R$ 1 trilhão no acumulado do período 2023-2026.
Cerca de 30% desse montante foi financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que também tem desempenhado papel relevante na estruturação do financiamento de projetos privados.
Cenário internacional trouxe desafios
O cenário internacional impôs desafios importantes à economia brasileira em 2025. Entre os principais fatores estão os efeitos persistentes da pandemia de Covid-19, que seguem impactando a organização das cadeias internacionais de suprimentos.
A esses somaram-se os desdobramentos geopolíticos dos conflitos entre Rússia e Ucrânia, Israel e Hamas, e Estados Unidos e Irã, além da crise climática e da guerra comercial acirrada pelas decisões do governo norte-americano, que impôs tarifas e promoveu a desordem nos órgãos multilaterais de comércio.
Apesar do ambiente externo adverso, a economia brasileira conseguiu crescer e apresentar avanços sociais, mas especialistas alertam que, sem a resolução dos dilemas estruturais internos, o país continuará crescendo abaixo de seu potencial.




















