Veja o que foi dito na reunião ministerial

Reunião Ministerial
Foto: Marcos Corrêa/PR

Nesta sexta-feira (22), o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril foi divulgado. A autorização do acesso ao vídeo foi feita pelo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello. A reunião foi apontada por Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, como prova da interferência do Planalto na Polícia Federal.

O vídeo foi liberado na íntegra, contudo, há uma restrição no conteúdo de algumas partes, que mencionam os países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas.

Mudanças no Rio de Janeiro

Em um dos trechos da reunião, Jair Bolsonaro alega que precisa realizar a mudança no Rio de Janeiro para proteger a família e se isto não for feito, “troca o ministro e ponto final”. 

Em outro momento, o presidente afirma: 

Como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Como é fácil. O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um b**** de um prefeito faz um b**** de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua. E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. 

Saúde, a fala de Nelson Teich

Nelson Teich ainda ocupava o cargo de ministro da Saúde, e ele pontuou que: “o que assusta é você ver que o hospital não consegue atender, é gente do frigorífico, é gente que tá abrindo cova em algum lugar pra enterrar, e isso traz medo. E o medo impede que qualquer outra atividade tenha sucesso. Porque enquanto isso não for sanado, o restante vai ter muito pouca chance de ser comprado pela sociedade. A segunda coisa é estruturar a operação de cuidado. Então a gente vai investir em logística, vai investir na parte de compra e tentar melhorar o processo”.

General Braga Netto completa dizendo: 

“Por quê? Porque se eu tiver os hospitais funcionando, eu vou ter os pacientes tratados, eu não tenho a sensação da crise, o medo melhora e o restante pode entrar. E a terceira coisa é a gente deixar claro um programa de saída do isolamento, do distanciamento. Não é que vá sair amanhã, mas a gente tem que ter um planejamento. Porque aí a gente realmente mostra que a … a situação tá na nossa mão”.

O diálogo segue: 

Nelson Teich: “O que que tá acontecendo hoje? Vamos botar em números hoje, que a gente tenha quatro milhões de pessoas hoje com a COVID. Brasil hoje tem duzentos e doze milhões de pessoas. Tem duzentos e oito milhões que tão, que não estão … não tão tendo atenção necessária. Proce … é câncer, cardiovascular. Isso tudo tá represado, é demanda reprimida. Quando você controlar a COVID, o não COVID vai chegar com tudo, e você pode pegar uma estrutura sucateada. Aí vai ser. ..” 

Braga Netto: “Vai ser o caos.”

Nelson Teich: “… ai você só vai transferir o problema de medo. Que vai ser o medo da COVID pro medo da não COVID. Então a gente tem que tá preparado pra isso tudo. Então não é só trabalhar o … o curtíssimo prazo. A gente tem que preparar pra essa segunda fase que vai chegar também Isso tudo a gente tá fazendo, só pra vocês saberem que a gente tá pensando nisso tudo. Só pra vocês saberem que tá tudo trabalhado.”

Questões econômicas

Paulo Guedes, ministro da Economia, é citado pelo presidente como o “ministro mais importante nessa missão aí”. Guedes começa pedindo para que as pessoas não chamem o Pró-Brasil de novo Plano Marshall.

Não se fala Plano Marshall, porque é um desastre. Vai revelar falta de compreensão das coisas. A segunda coisa é o seguinte, é super bem-vinda essa iniciativa, para nos integrarmos todos. Agora, não vamos nos iludir. A retomada do crescimento vem pelos investimentos privados, pelo turismo pela abertura da economia, pelas reformas. Nós já estávamos crescendo.

E ele segue dizendo que:

O caminho desenvolvimentista foi seguido, o Brasil quebrou por isso, o Brasil estagnou. A economia foi conompi … a política foi corrompida, a economia estagnou através do
excesso de gastos públicos. Então achar agora que você pode se levantar pelo suspensório, como é que um governo quebrado vai investir, vai fazer grandes investimentos públicos? Tarcísio sabe disso, conversamos sempre. Tarcísio sabe …

Em outro momento Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas afirma que: “Não, não … a sociedade espera isso de nós. É, a boa notícia é que a gente vem conversando com os investidores, eles tão interessados no nosso programa de concessão. A, claro que a gente vai ter que ajustar alguma coisa nos projetos pra … é … é … em função do … da percepção do nível de risco. E a gente vai fazer isso calibrando taxa de retorno, ou monitorando melhor agora a questão da demanda, né? É reestimando demanda nos projetos. Mas a gente tem certeza que os projetos vão sair. Qual o cuidado que gente tem que ter? A gente fala em duzentos e cinquenta bi de investimentos, só que concessão funciona o seguinte: o que a gente contratar agora vai gerar investimento em dois mil e vinte e três, dois mil vinte e quatro. Não é imediato. E a gente vai precisar de fazer alguma coisa imediata. E aí tem que ter a inteligência. Porque também não adianta, “Ministro Paulo, pô, me dá lá trinta bi por ano”. Eu não~ u gastar, eu não vou usar.”

Clique para ler o laudo da Polícia Federal com a transcrição da reunião.

 

 

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