Presidente da CEAPI e Secretário-Geral Ibero-Americano debatem a relação entre líderes empresariais e o fortalecimento dos sistemas democráticos

O Secretário-Geral Ibero-Americano Andrés Allamand e a Presidente da CEAPI, Núria Vilanova. Foto: reprodução

A Aliança dos Conselhos Empresariais Ibero-Americanos (CEAPI) promoveu em Madri um debate entre Andrés Allamand, Secretário-Geral Ibero-Americano, e Núria Vilanova, presidente da CEAPI, para discutir o papel dos líderes empresariais no fortalecimento dos sistemas democráticos — o evento aconteceu em paralelo ao Fórum Econômico Mundial em Davos e logo após a Assembleia Geral Anual da CEAPI.

No encontro, intitulado “A Visão da Iberoamérica”, Allamand ressaltou a necessidade de maior proatividade por parte do setor privado. Ele afirmou que os líderes empresariais precisam ter voz ativa, defender suas convicções e não ceder espaço público a outros atores, enfatizando que as empresas podem contribuir ativamente para moldar a sociedade e reforçar as instituições democráticas.

Allamand também abordou o contexto atual da América Latina, destacando que o debate político na região tem se concentrado em temas como segurança cidadã e crescimento econômico, que são prioritários para a população e fundamentais para enfrentar desafios como pobreza e desigualdade.

Para Núria Vilanova, a missão da CEAPI está diretamente ligada ao crescimento e ao desenvolvimento social da Ibero-América. Ela afirmou que a organização busca ser um aliado dos governos que acreditam no papel das empresas como motor de desenvolvimento econômico e social, lutando por ideias e criando espaços de debate estruturado entre setor público e privado.

Vilanova destacou ainda que, em 2026, a CEAPI vai reforçar sua atuação como centro de análise estratégica com o lançamento do Observatório Empresarial Ibero-Americano, que deverá servir como plataforma para aprofundar discussões sobre desafios estruturais da região.

Ao comentar o papel geopolítico entre Europa e América Latina, ela ressaltou que a Espanha precisa se envolver mais com a região, e que as últimas quatro eleições latino-americanas refletem uma maior confiança dos governos nos líderes empresariais, o que reforça a importância do diálogo e das parcerias multilaterais.

Esse debate aponta para uma mudança de percepção sobre o papel do empresariado: além de gerar riqueza, as empresas, organizadas de forma articulada, são vistas como atores relevantes na promoção da estabilidade democrática, na construção de consensos sociais e no estímulo ao crescimento sustentável.