Médica geriatra dá dicas para idosos viajarem com autonomia e segurança

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O turismo não tem idade, e o desejo de conhecer novos lugares segue vivo mesmo com o avanço dos anos. Com o aumento da expectativa de vida, pessoas acima dos 50 anos vêm liderando uma transformação no setor, buscando viagens que combinem lazer, convivência familiar e propósito. Para que essa experiência seja vivida com autonomia e segurança, o planejamento se torna um aliado essencial.

De acordo com um relatório da Global Coalition on Aging em parceria com o Transamerica Center for Retirement Studies, viajar contribui para o enriquecimento físico, cognitivo e social e traz benefícios concretos para a longevidade. O estudo aponta que viagens regulares reduzem o risco de mortalidade em 36,6% e o risco de Alzheimer em até 47%, especialmente quando envolvem atividades culturalmente estimulantes, como visitas a museus, apresentações musicais e pontos turísticos históricos.

O documento destaca ainda que viajar está entre os principais sonhos para a aposentadoria, por sua relação direta com a melhoria da saúde cerebral, do bem-estar cardiovascular e da vitalidade geral. Além disso, a prática ajuda a combater um dos maiores desafios do envelhecimento, que é a solidão e o isolamento social, contribuindo para uma vida mais saudável por mais tempo.

Para que esses benefícios sejam aproveitados sem imprevistos, a médica geriatra Fernanda Sperandio, da MedSênior, plano de saúde voltado ao público 50+ com foco no bem envelhecer, elaborou um conjunto de recomendações para idosos que pretendem viajar, seja por via terrestre ou aérea.

Segundo a especialista, a viagem ideal é aquela em que o idoso consegue manter sua rotina de cuidados enquanto vivencia novas experiências. Ela ressalta que a viagem pode representar momentos de convivência com amigos, filhos e netos ou, ainda, um exercício de autonomia para quem escolhe viajar sozinho. No entanto, alerta que ninguém deve viajar sem estar se sentindo plenamente bem.

Entre os principais pontos de atenção, a médica destaca a importância de realizar um check-up antes do embarque. A segurança começa antes mesmo da viagem, com uma consulta médica para avaliar o estado de saúde, especialmente no caso de pessoas com doenças crônicas, que precisam estar bem controladas. Caso haja pressão arterial desregulada ou investigação cardíaca em andamento, o ideal é adiar a viagem até que a saúde esteja estabilizada e os medicamentos corretamente ajustados.

Durante trajetos longos, manter o corpo em movimento é fundamental. Em viagens de ônibus, é recomendado aproveitar as paradas para caminhar. Em voos, o ideal é levantar-se a cada duas horas e andar pelo corredor. A movimentação das pernas ajuda a prevenir trombose e mantém as articulações ativas. Também é importante conversar previamente com o médico sobre a necessidade de usar meias elásticas, que podem auxiliar a circulação, desde que recomendadas por um especialista.

Outro cuidado essencial é levar uma farmácia de reserva. O idoso deve viajar com a quantidade habitual de medicamentos e uma margem extra para dois ou três dias, prevenindo atrasos ou imprevistos. É fundamental manter os horários das medicações exatamente como na rotina de casa, mesmo durante a viagem.

O seguro saúde também é considerado indispensável. Embora muitas pessoas optem por economizar nesse item, a médica alerta que a ausência de cobertura pode gerar custos altos e riscos à saúde em situações inesperadas. O seguro garante atendimento rápido e adequado em casos de acidentes ou emergências.

A alimentação e a rotina merecem atenção especial, já que o organismo tende a sentir mais as mudanças com o passar dos anos. Manter os horários habituais das refeições e optar por comidas leves e conhecidas ajuda a evitar desconfortos e mal-estares que podem comprometer a viagem.

No caso de viagens solo, a autonomia é valorizada e não há contraindicação para quem tem boas condições físicas e clínicas. No entanto, é importante carregar sempre um documento de identificação com contatos de emergência e informações relevantes, como uso contínuo de medicamentos ou alergias graves. Também é recomendável informar familiares sobre o roteiro completo, incluindo destinos, hospedagens, datas, horários e meios de transporte, para que possam acompanhar à distância o andamento da viagem e o bem-estar do idoso.

Com cuidados simples e planejamento adequado, viajar pode ser uma experiência segura, enriquecedora e transformadora em qualquer fase da vida.